Trabalhando com Poesia

“… O cinema falado é o grande culpado da transformação, dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez. Lá no morro, seu eu fizer uma falseta, a Risoleta desiste logo do francês e do Inglês… A gíria que o nosso morro criou, bem cedo a cidade aceitou e usou, mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote, na gafieira dançar o Fox-Trote… Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição, não entende que o samba não tem tradução no idioma francês, tudo aquilo que o malandro pronuncia, com voz macia é brasileiro, já passou de português… Amor lá no morro é amor pra chuchu, as rimas do samba não são I love you e esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny, só pode ser conversa de telefone..” (Caetano Veloso – Não Tem Tradução – Comp.: Noel Rosa)

“…Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila ao abraçar o samba, que faz dançar os galhos do arvoredo e faz a lua nascer mais cedo… Lá, em Vila Isabel, quem é bacharel, não tem medo de bamba… São Paulo dá café, Minas dá leite e a Vila Isabel dá samba… A vila tem um feitiço sem farofa, sem vela e sem vintém, que nos faz bem, tendo nome de princesa, transformou o samba num feitiço descente, que prende a gente… O sol da Vila é triste, samba não assiste, porque a gente implora: “Sol, pelo amor de Deus, não vem agora, que as morenas vão logo embora… Eu sei tudo o que faço, sei por onde passo, paixao nao me aniquila, mas, tenho que dizer, modéstia à parte, meus senhores, eu sou da Vila!… A vila tem um feitiço sem farofa, sem vela e sem vintém, que nos faz bem, tendo nome de princesa, transformou o samba num feitiço descente, que prende a gente… Quem nasce pra sambar, chora pra mamar, em ritmo de samba, lá não tem cadeado no portão, por que na Vila não tem ladrão…” (Caetano Veloso – Feitiço da Vila – Comp.: Noel Rosa e Vadico)

“…Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí, levando um violão debaixo do braço, em qualquer esquina eu paro, em qualquer botequim eu entro, se houver motivo é mais um samba que eu faço, se quiserem saber, se volto, diga que sim, mas só depois que a saudade se afastar de mim, mas só depois que a saudade se afastar de mim… Tenho um violão para me acompanhar, tenho muitos amigos, eu sou popular, tenho a madrugada como companheira… A saudade me dói, o meu peito me rói, eu estou na cidade, eu estou na favela, eu estou por aí, sempre pensando nela… Tenho um violão para me acompanhar, tenho muitos amigos, eu sou popular, tenho a madrugada como companheira… A saudade me dói, o meu peito me rói, eu estou na cidade, eu estou na favela, eTenho um violão para me acompanhar, tenho muitos amigos, eu sou popular, tenho a madrugada como companheira… A saudade me dói, o meu peito me rói, eu estou na cidade, eu estou na favela, eu estou por aí, sempre pensando nela… ETenho um violão para me acompanhar, tenho muitos amigos, eu sou popular, tenho a madrugada como companheira… A saudade me dói, o meu peito me rói, eu estou na cidade, eu estou na favela, eu estou por aí, sempre pensando nela… Tenho um violão para me acompanhar, tenho muitos amigos, eu sou popular, tenho a madrugada como companheira… A saudade me dói, o meu peito me rói, eu estou na cidade, eu estou na favela, eu estou por aí…” (Fernanda Takai – Diz Que Fui Por Aí – Comp.: Zé Keti / Hortêncio Rocha)

“…Ah, insensatez que você fez, coração mais sem cuidado, fez chorar de dor, o seu amor, um amor tão delicado… Ah, por que você foi fraco assim, assim tão desalmado, ah, meu coração, quem nunca amou, não merece ser amado… Vai meu coração ouve a razão, usa só sinceridade, quem semeia vento, diz a razão, colhe sempre tempestade… Vai, meu coração, pede perdão, perdão apaixonado, vai, porque quem não pede perdão, não é nunca perdoado…” (Fernanda Takai – Insensatez – Comp.: Tom Jobim / Vinícius de Moraes)

“Não transforme sua prece em petitório insistente! “O Pai sabe aquilo de que ne cessitamos, mesmo antes de pedirmos”. Quando quiser alguma coisa para si, peça-o também para os outros, para todos os que estiverem nas mesmas condições. No momento da prece, evite o egoísmo.
A prece é a melhor ocasião de demonstrarmos nosso amor. E pedindo para todos, com amor, seremos os primeiros a receber o benefício. Quem acende uma luz, é o primeiro a iluminar-se.” (Minutos de sabedoria Pg. 30)

“Acate com respeito todos as religiões. Cada homem tem o direito de escolher o caminho que prefere. Respeite a liberdade de crenças dos outros; tanto quanto aprecia que respeitem a sua. Não discuta nem procure tirar ninguém do caminho em que se acha, a não ser que seja procurado (a) para isso. Respeite, para ser respeitado (a).” (Minutos de sabedoria Pg. 31)

Bom dia pessoal,

Meu envolvimento ontem em diversas questões institucionais, tiraram-me a condição de enviar a mensagem do dia, o que faço hoje compensadamente.

Hoje é o dia mundial de combate e prevenção à AIDS. Dia de ampliar ainda mais a conscientização das pessoas em relação a essa chaga da humanidade dos séculos XX e XXI.

Quanto vale na vida de uma pessoa a amizade de alguém? Quanto vale a lealdade? Quanto vale a consideração que se conquista e que se dedica a alguém? Para alguns vale apenas o preço necessário para atingir determinada esfera de poder! Uma liderança de sala, uma presidência de associação, ou de um partido, uma vaga para concorrer a algum cargo eletivo, ou até mesmo, a simples vaidade de se sentir superior a outrem. Para outros vale muito. Estes são valores muito caros, principalmente para quem enxerga a vida como uma eterna interação e aprendizado mutuos entre os seres humanos.

Infelizmente para algumas pessoas, vale tudo, para atingir determinado onjetivo, para outras não. Definitivamente, não vale!

Mas, sigamos em frente, pois o jogo da vida ainda está sendo jogado e nos caberá sempre dentro dele os ônus e os bonus de nossas atitudes, sempre foi, é e será asim.

Começamos hoje o último mês deste proveitoso e vitorioso ano de 2010 e desejo que ele transcorra para cada um (a) de vocês de forma vitoriosa e feliz.

Abraços nos amigos, beijos nas amigas e nos (as) filhos (as), desejando axé, paz, energias positivas e uma quarta feira abençoada por Deus e por Iansã.

Apio Vinagre Nascimento
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O Relógio – João Cabral de Melo Neto

1.

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Uma vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade

que continua cantando
se deixa de ouvi-lo a gente:
como a gente às vezes canta
para sentir-se existente.

2.

O que eles cantam, se pássaros,
é diferente de todos:
cantam numa linha baixa,
com voz de pássaro rouco;

desconhecem as variantes
e o estilo numeroso
dos pássaros que sabemos,
estejam presos ou soltos;

têm sempre o mesmo compasso
horizontal e monótono,
e nunca, em nenhum momento,
variam de repertório:

dir-se-ia que não importa
a nenhum ser escutado.
Assim, que não são artistas
nem artesãos, mas operários

para quem tudo o que cantam
é simplesmente trabalho,
trabalho rotina, em série,
impessoal, não assinado,

de operário que executa
seu martelo regular
proibido (ou sem querer)
do mínimo variar.

3.

A mão daquele martelo
nunca muda de compasso.
Mas tão igual sem fadiga,
mal deve ser de operário;

ela é por demais precisa
para não ser mão de máquina,
a máquina independente
de operação operária.

De máquina, mas movida
por uma força qualquer
que a move passando nela,
regular, sem decrescer:

quem sabe se algum monjolo
ou antiga roda de água
que vai rodando, passiva,
graçar a um fluido que a passa;

que fluido é ninguém vê:
da água não mostra os senões:
além de igual, é contínuo,
sem marés, sem estações.

E porque tampouco cabe,
por isso, pensar que é o vento,
há de ser um outro fluido
que a move: quem sabe, o tempo.

4.

Quando por algum motivo
a roda de água se rompe,
outra máquina se escuta:
agora, de dentro do homem;

outra máquina de dentro,
imediata, a reveza,
soando nas veias, no fundo
de poça no corpo, imersa.

Então se sente que o som
da máquina, ora interior,
nada possui de passivo,
de roda de água: é motor;

se descobre nele o afogo
de quem, ao fazer, se esforça,
e que êle, dentro, afinal,
revela vontade própria,

incapaz, agora, dentro,
de ainda disfarçar que nasce
daquela bomba motor
(coração, noutra linguagem)

que, sem nenhum coração,
vive a esgotar, gôta a gôta,
o que o homem, de reserva,
possa ter na íntima poça.

Alguns Toureiros – João Cabral de Melo Neto

A Antônio Houaiss

Eu vi Manolo Gonzáles
e Pepe Luís, de Sevilha:
precisão doce de flor,
graciosa, porém precisa.

Vi também Julio Aparício,
de Madrid, como Parrita:
ciência fácil de flor,
espontânea, porém estrita.

Vi Miguel Báez, Litri,
dos confins da Andaluzia,
que cultiva uma outra flor:
angustiosa de explosiva.

E também Antonio Ordóñez,
que cultiva flor antiga:
perfume de renda velha,
de flor em livro dormida.

Mas eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo,
mais mineral e desperto,

o de nervos de madeira,
de punhos secos de fibra
o da figura de lenha
lenha seca de caatinga,

o que melhor calculava
o fluido aceiro da vida,
o que com mais precisão
roçava a morte em sua fímbria,

o que à tragédia deu número,
à vertigem, geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida,

sim, eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais asceta,
não só cultivar sua flor
mas demonstrar aos poetas:

como domar a explosão
com mão serena e contida,
sem deixar que se derrame
a flor que traz escondida,

e como, então, trabalhá-la
com mão certa, pouca e extrema:
sem perfumar sua flor,
sem poetizar seu poema.

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