Trabalhando com Poesia

“… Baby! Dê-me seu dinheiro que eu quero viver, dê-me seu relógio que eu quero saber, quanto tempo falta para lhe esquecer, quanto vale um homem para amar você… Minha profissão é suja e vulgar, quero um pagamento para me deitar e junto com você estrangular meu riso, dê-me seu amor, que dele não preciso… Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oooooooooh!… Baby! Nossa relação acaba-se assim, como um caramelo que chegasse ao fim, na boca vermelha de uma dama louca, pague meu dinheiro e vista sua roupa… Deixe a porta aberta quando for saindo, você vai chorando e eu fico sorrindo, conte pr’as amigas que tudo foi mal, (Tudo foi mal!), nada me preocupa de um marginal… Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oooooooooh!… Baby! Nossa relação acaba-se assim, como um caramelo que chegasse ao fim, na boca vermelha de uma dama louca, pague meu dinheiro e vista sua roupa… Deixe a porta aberta quando for saindo, você vai chorando e eu fico sorrindo, (Vá!), conte pr’as amigas que tudo foi mal, (Tudo foi mal!), nada me preocupa de um marginal… Baby! Baby! Baby! Oh! Oh! Oh! Baby! Baby! Baby! Oh! Oh! Oh! Oooooooooh! Oooooooooh!…” (Zé Ramalho – Garoto De Aluguel – Comp.: Zé Ramalho)

“…Um velho cruza a soleira, de botas longas, de barbas longas, de ouro o brilho do seu colar… Na laje fria onde quarava, sua camisa e seu alforje de caçador… Oh! meu velho e Invisível Avôhai! Oh! Meu velho e Indivisível Avôhai!… Neblina turva e brilhante, em meu cérebro coágulos de sol, amanita matutina e que transparente cortina ao meu redor… E se eu disser que é meio sabido, você diz que é bem pior e pior do que planeta, quando perde o girassol… É o terço de brilhante, nos dedos de minha avó e nunca mais eu tive medo da porteira, nem também da companheira, que nunca dormia só… Avôhai! Avô e Pai, Avôhai!… O brejo cruza a poeira, de fato existe um tom mais leve, na palidez desse pessoal, pares de olhos tão profundos, que amargam as pessoas que fitar… Mas que devem sua vida, sua alma na altura que mandar, são os olhos, são as asas, cabelos de Avôhai… Na pedra de turmalina e no terreiro da usina eu me criei, voava de madrugada e na cratera condenada, eu me calei… Se eu calei foi de tristeza, você cala por calar! E calado vai ficando, só fala quando eu mandar… Rebuscando a consciência, com medo de viajar, até o meio da cabeça do cometa, girando na carrapeta, no jogo de improvisar… Entrecortando, eu sigo dentro a linha reta, eu tenho a palavra certa, prá doutor não reclamar… Avôhai! Avôhai! Avôhai! Avôhai!…” (Zé Ramalho – Avôhai – Comp.: Zé Ramalho)

“…É aquela que fere, que virá mais tranqüila, com a fome do povo, com pedaços da vida, como a dura semente, que se prende no fogo de toda multidão… Acho bem mais do que pedras na mão, dos que vivem calados, pendurados no tempo, esquecendo os momentos, na fundura do poço, na garganta do fosso, na voz de um cantador… E virá como guerra, a terceira mensagem, na cabeça do homem, aflição e coragem, afastado da terra, ele pensa na fera, que o começa a devorar… Acho que os anos irão se passar, com aquela certeza, que teremos no olho, novamente a idéia, de sairmos do poço, da garganta do fosso, na voz de um cantador… Heiá! Oh! Oh! Heiá! Oooooooh! Oh! Oh! Oh! Oh!… E virá como guerra, a terceira mensagem, na cabeça do homem, aflição e coragem, afastado da terra, ele pensa na fera, que o começa a devorar… Acho que os anos irão se passar, com aquela certeza, que teremos no olho, novamente a idéia, de sairmos do poço, da garganta do fosso, na voz de um cantador… Heiá! Oh! Oh! Heiá! Oooooooh! Oh! Oh! Oh! Oh!…” (Zé Ramalho – A Terceira Lâmina – Comp.: Zé Ramalho)

“…Oh, eu não sei se eram os antigos que diziam, em seus papiros Papilon já me dizia: que nas torturas toda carne se trai, que normalmente, comumente, fatalmente, felizmente, displicentemente o nervo se contrai… Oh, com precisão!… Nos aviões que vomitavam pára-quedas, nas casamatas, casas vivas, caso morras… E nos delírios meus grilos temer, o casamento, o rompimento, o sacramento, o documento, como um passatempo quero mais te ver… Oh, com aflição!… Meu treponema não é pálido nem viscoso, os meus gametas se agrupam no meu som e as querubinas meninas rever, um compromisso submisso, rebuliço no cortiço, chame o Padre “Ciço” para me benzer… Oh, com devoção…” (Zé Ramalho – Vila do Sossego – Comp.: Zé Ramalho)

“Não se impressione com seus sonhos! Isto poderia levá-lo (a) a extravagâncias ridículas. Viva acordado no bem, e os sonhos serão belos e bons. Se alguma característica de verdade lhe for revelada. num sonho, aceite-a com simplicidade, mas não se deixe levar a interpretações supersticiosas. Procure sempre o lado bom das coisas.” (Minutos de Sabedoria Pg. 33)

Bom dia,

Em 03 de Dezembro de 1988 foi criada a Fundação do Coletivo de Escritores Negros do Rio de Janeiro.

Em 03 de Dezembro de 1989 era anunciado o final da Guerra fria, protagonizada por EUA e URSS.

Em 03 de Dezembro de 1959 morria Gustavo Barroso, Escritor Brasileiro, membro da ABL.

Em 1982, foi instituído o dia 03 de Dezembro como o dia Internacional da pessoa com deficiência.

Em 03 de Dezembro de 1984 em Bhopal, na India, um acidente numa fábrica da Union Carbide, matou cerca de 8 mil pessoas e deixou outras milhares com sequelas do vazamento de agrotóxicos.

Em 03 de Dezembro a Austrália aderia ao Protocolo de Quioto, deixando so EUA isolados na sua rejeição.

Amanhã, dia 04 de Dezembro de 2010, os católicos homenageiam uma de suas santas mais populares: Santa Bárbara, padroeira dos Bombeiros. representada no sincretismo religioso presente na Bahia e no Brasil por Iansã.

Santa Bárbara sofreu o martírio provavelmente no Egito ou na Antioquia, por volta dos anos 235 ou 313. Sua vida foi escrita em diversos idiomas: grego, siríaco, armênio e latim. Conforme a lenda, Santa Bárbara era uma jovem belíssima. Dióscoro, seu pai, era um pagão ciumento. A todo custo desejava resguardar a filha dos pretendentes que a queriam em casamento.

Por isso encerrou-a numa torre. Na torre havia duas janelas, mas Santa Bárbara mandou contruir uma terceira, em honra à Santíssima Trindade. Um dia, entretanto, Dióscoro viajou. Santa Bárbara se fez então batizar, atraindo a ira do próprio pai. Fugindo de seu perseguidor, os rochedos abriam-se para que ela passasse.

Descoberta e denunciada por um pastor, foi capturada pelo pai e levada perante o tribunal. Santa Bárbara foi condenada a ser exibida nua por todo o país. Deus, porém, se compadeceu de sua sorte, vestindo-a miraculosamente com um suntuoso manto. Padeceu toda sorte de suplícios: foi queimada com grandes tochas e teve os seios cortados. Foi executada pelo próprio pai, que lhe cortou a cabeça com uma espada. Logo após sua morte, um raio fulmonou seu assassino.

É por isso que Santa Bárbara é invocada, nas tempestades, contra o raio. O seu culto espalhou-se rapidamente pelo Oriente e pelo Ocidente, inclusive no Brasil.

“Ó Santa Bárbara, que és mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei com que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura. Fica sempre a meu lado para que eu possa enfrentar, de fronte erguida e rosto sereno, todas as tempestades e batalhas de minha vida, principalmente a de (fazer o pedído), para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render Graças a Deus, críador do céu, da terra e da natureza e que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras. Santa Bárbara, rogai por nós.”

O Trabalhando com Poesia de hoje ficaria muito extenso, não apenas no prefácio musical com o excelente Zé Ramalho, na mensagem pessoal, homenageando Santa Bárbara, mas, pela última obra de João cabral de Melo Neto, “Morte e Vida Severina. em função disso e, pelo tamanho desta obra, apresento hoje as duas primeiras quadras, ficando as demais para semana que vem. Espero que vocês gostem.

As boas vindas para Adriano Ramos, Marcos Leite e Daniel Estrela, que passam a receber nossa mensagem a partir de hoje.

Que esse final de semana, carregado de energias positivas vocês possam refletir sobre a nossa caminhada aqui neste plano e verificar o quanto podemos ser importantes e positivos para o universo.

A vida é o bem mais precioso que Deus colocou por sobre a Terra, não apenas a vida humana, mas, toda espécie de vida que põe o universo em movimento constante. Não nos é dado dispor deste bem de forma negativa, seja matando a nós ou a alguém, nem mesmo em desejo.

Sorte aos rubro negros baianos no domingo. Levarei meus filhos para sofrerem, mas, espero levá-los de volta para casa felizes com a permanência do seu time de coração na primeira divisão. Curto com a cara dos meus amigos, mas, antes de qualquer coisa sou Baiano e nordestino. Precisamos cada vez mais de times baianos e nordestinos na elite.

Abraços nos amigos, beijos nas amigas e nos (as) filhos (as), desejando axé, paz, energias positivas e uma Sexta Feira Abençoada por Deus e por Oxalá.

Bom final de semana e até segunda,

Apio Vinagre Nascimento
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Morte e vida Severina – Jooão Cabral de Melo Neto
(Auto de Natal Pernambucano)

1954-1955

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.

ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS GRITOS DE “Ó IRMÃOS DAS ALMAS! IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU QUE MATEI NÃO!”

— A quem estais carregando,
irmãos das almas,
embrulhado nessa rede?
dizei que eu saiba.
— A um defunto de nada,
irmão das almas,
que há muitas horas viaja
à sua morada.
— E sabeis quem era ele,
irmãos das almas,
sabeis como ele se chama
ou se chamava?
— Severino Lavrador,
irmão das almas,
Severino Lavrador,
mas já não lavra.
— E de onde que o estais trazendo,
irmãos das almas,
onde foi que começou
vossa jornada?
— Onde a Caatinga é mais seca,
irmão das almas,
onde uma terra que não dá
nem planta brava.
— E foi morrida essa morte,
irmãos das almas,
essa foi morte morrida
ou foi matada?
— Até que não foi morrida,
irmão das almas,
esta foi morte matada,
numa emboscada.
— E o que guardava a emboscada,
irmão das almas,
e com que foi que o mataram,
com faca ou bala?
— Este foi morto de bala,
irmão das almas,
mais garantido é de bala,
mais longe vara.
— E quem foi que o emboscou,
irmãos das almas,
quem contra ele soltou
essa ave-bala?
— Ali é difícil dizer,
irmão das almas,
sempre há uma bala voando
desocupada.
— E o que havia ele feito,
irmãos das almas,
e o que havia ele feito
contra a tal pássara?
— Ter um hectares de terra,
irmão das almas,
de pedra e areia lavada
que cultivava.
— Mas que roças que ele tinha,
irmãos das almas,
que podia ele plantar
na pedra avara?
— Nos magros lábios de areia,
irmão das almas,
os intervalos das pedras,
plantava palha.
— E era grande sua lavoura,
irmãos das almas,
lavoura de muitas covas,
tão cobiçada?
— Tinha somente dez quadros,
irmão das almas,
todas nos ombros da serra,
nenhuma várzea.
— Mas então por que o mataram,
irmãos das almas,
mas então por que o mataram
com espingarda?
— Queria mais espalhar-se,
irmão das almas,
queria voar mais livre
essa ave-bala.
— E agora o que passará,
irmãos das almas,
o que é que acontecerá
contra a espingarda?
— Mais campo tem para soltar,
irmão das almas,
tem mais onde fazer voar
as filhas-bala.
— E onde o levais a enterrar,
irmãos das almas,
com a semente de chumbo
que tem guardada?
— Ao cemitério de Torres,
irmão das almas,
que hoje se diz Toritama,
de madrugada.
— E poderei ajudar,
irmãos das almas?
vou passar por Toritama,
é minha estrada.
— Bem que poderá ajudar,
irmão das almas,
é irmão das almas quem ouve
nossa chamada.
— E um de nós pode voltar,
irmão das almas,
pode voltar daqui mesmo
para sua casa.
— Vou eu, que a viagem é longa,
irmãos das almas,
é muito longa a viagem
e a serra é alta.
— Mais sorte tem o defunto,
irmãos das almas,
pois já não fará na volta
a caminhada.
— Toritama não cai longe,
irmão das almas,
seremos no campo santo
de madrugada.
— Partamos enquanto é noite,
irmão das almas,
que é o melhor lençol dos mortos
noite fechada.

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