Comentário sobre a Greve na Educação de Lauro de Freitas – Por Fabiano Bluz *

Antes de começar a comentar sobre este assunto quero deixar claro alguns pontos: primeiro – acredito que tudo pode ser feito na base da negociação pensando sempre nos dois lados e principalmente em quem pode ser prejudicado diretamente com o problema que neste caso são os alunos; segundo – reivindicar é um direito de todos e todas com organização; terceiro – sou pai de três filhos, uma com 14 anos, outra com 12 anos e caçula com dois anos, as duas maiores estudam na rede municipal de ensino e estão sem aula; e o quarto ponto – é que não estou defendendo nenhum lado (professores X prefeitura) estou defendendo a sociedade que é maior prejudicada nesta história.

Sendo assim, inicio este artigo contando rapidamente um pouco de mim. Nasci em São Paulo e vim com meus pais para a Bahia com três anos de idade. Chegando aqui nos instalamos em uma casa simples no sítio do meu avô Serrinha, na Itinga em Lauro de Freitas. Estudei em várias escolas (algumas privada e outras pública), hoje tenho 32 anos, sou radialista e jornalista e tenho uma linda família e como todo pai quero o melhor para os meus filhos.

Procuro junto com a minha amada esposa investir na educação e na formação profissional dos nossos herdeiros, além das minhas duas filhas estarem em uma escola municipal, complementamos a formação delas com o curso de informática e inglês, e a mais velha que está no último ano do ginásio está fazendo o curso de preparação para a prova do IFBA (antigo CEFET).

Sei que toda a categoria sempre está brigando por melhorias (salarial, física ou humana), mas precisamos antes de tudo saber como conduzir o processo de negociação e até mesmo quando chega ao extremo que é a greve.

A ASPROLF, junto com os seus filiados que estão lutando por melhorias, mas estão esquecendo-se do seu principal papel que é educar, chegando ao ponto de enviar para o e-mail’s, colocar carro de som, e divulgar nota em veículos de comunicação, convocando alunos e pais para aderirem à greve.

Ora, a greve são dos professores, não dos alunos e nem dos pais que em muitas famílias o casal trabalha o dia todo, e querem que os seus filhos estudem para ter um futuro muito mais promissor.

É necessário sim, que a prefeitura sempre reajuste os salários conforme a lei ou aos acordos feitos com o sindicato da categoria, e pelo que estamos vendo é que a prefeita Moema Gramacho tem cumprido com a sua parte, prova é o comunicado publicado hoje por este site e a defesa do vereador Carlucho (PSB) na Sessão Ordinária do dia 18 de maio (terça-feira) que já foi secretário de Educação da primeira gestão da Prefeita, e tem uma filha que é estudante da rede municipal de ensino.

Minha mãe, que é pedagoga, sempre diz um ditado que é importante, “um médico quando erra na mesa de cirurgia ou em seu diagnóstico mata uma pessoa, já o professor quando erra mata aproximadamente 40 alunos por sala”, com isso, acredito que já passou da hora dos professores voltarem as salas de aula para cumprir com seu verdadeiro papel que é formar cidadãos, pois nem todos os alunos serão funcionários público concursado que poderá realizar manifestações só porque possuem estabilidades.

O mercado de trabalho é cruel, e aqueles que já estão atuando profissionalmente em empresas privadas não podem se dá ao luxo de realizarem assembléias, pequenas paralisações e até mesmo greve em um período curto de quatro meses, que ao somar todos estes dias vão dar um resultado aproximado de 40 dias sem aula.

Eu, como pai, fico triste em ver um comunicado da prefeitura, mostrando números que são reais, onde o salário do professor foi reajustado todos os anos e ultrapassando a inflação e o reajuste do salário mínimo no mesmo período:

2005 – Inflação 5,05% – Reajuste dos Professores 12,50% – Reajuste do Salário Mínimo 6,355%
2006 – Inflação 2,81% – Reajuste dos Professores 08,50% – Reajuste do Salário Mínimo 13%
2007 – Inflação 5,15% – Reajuste dos Professores 06,50% – Reajuste do Salário Mínimo 8,572
2008 – Inflação 6,48% – Reajuste dos Professores 07,50% – Reajuste do Salário Mínimo 9,21%
2009 – Inflação 4,11% – Reajuste dos Professores 11,50% – Reajuste do Salário Mínimo 12%
2010 – Inflação 6,36% – Reajuste dos Professores 14,22% – Reajuste do Salário Mínimo 9,68%
Total -Inflação 29,96% – Reajuste dos Professores 60,72% – Reajuste do Salário Mínimo 58,817

A tabela acima dá um indicativo que o professor neste período foi o mais beneficiado entre as categorias que tem como base salarial o mínimo.

Agora professor coloque-se no lugar do pai de mãe que vão trabalhar todos os dias, e ganham um salário mínimo por mês e têm que alimentar vestir, educar, da saúde aos seus filhos, necessidades básicas para o mínimo de dignidade em uma família, e estão neste momento sofrendo com a falta de aula nas escolas públicas, que ainda é a esperança deles para um futuro melhor para os seus filhos.

Será que realmente vale a pena esta greve?

Estes pais na sua maioria são trabalhadores da construção civil, domésticas, diaristas, jardineiros, motoristas, cobradores de ônibus, pintores, eletricistas, alguns com o ensino primário incompleto, outros com o ginásio incompleto, e poucos com o segundo grau e até mesmo nível superior completo, mas que não tem um salário que dê condições de colocarem os seus filhos na rede privada de ensino.

Sei da labuta do professor, sei que fora da escola também trabalha em casa, mas para tudo na vida a limite e a ASPROLF precisa está consciente que neste momento ela está prejudicando mais de 30.000 alunos da rede municipal de ensino, e que o futuro destas crianças, adolescentes e jovens, não depende exclusivamente da família, mas de todos os segmentos da sociedade.

Vamos a Luta, mais sem ferir o direito do próximo.
Vamos Cobrar, mas sendo justos e ordeiros com todas as partes.
Vamos formar CIDADÃOS, consciente dos seus DIREITOS e DEVERES, pois já se perdeu muito tempo!

Atenciosamente,

Fabiano Bluz
Portal Fala Cidadão
http://www.portalfalacidadao.net
jornalismo@portalfalacidadao.net
(55) (71) 9638-1703 / 8264-2001 / 8764-3560 / 9120-2917

Fabiano Bluz *
Jornalista e Radialista
Portal Fala Cidadão

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2 respostas para Comentário sobre a Greve na Educação de Lauro de Freitas – Por Fabiano Bluz *

  1. Larissa Mattos disse:

    Quero informar ao pai que defende o comunicado da prefeita está completamente equivicado. Basta entrar em contato com qualquer professor da rede e verificar que o seu salário base é de R$ 543,38, ouseja, é menos que o salário mínimo. Em respeito todos os profissionais incluse aos médicos que somos nós que formamos quero lembrar que como o senhor bem falou médico mata um por vez e não deveria porque atende apenas àquele paciente já nós trabalhamos com 40 alunos em uma sala de aula com deficiências múltiplas. E olhe bem a comparação um médico hoje que trabalha 40 horas ganha em torno de 5 a 8 mil reias mensal e não leva paciente para casa. E nós ganhamos menos que um salário mínimo, levamos trabalho para casa e ainda trabalhamos em casa também.

    • Apio Vinagre disse:

      Cara Larissa Matos,

      Agradecemos primeiramente pela sua visita e pelo comentário deixado em nosso Blog. Em seguida gostaríamos de retificar sua informação esclarecendo-lhe o seguinte:

      O Valor de R$ 543,38 é referente a 2010, quando o Salário Mínimo era de R$ 510,00. Em Janeiro de 2011, quando o Salário mínimo foi reajustado para R$ 545,00, seguindo o determinado pela Lei Orgânica Municipal, todos os salários que eventualmente ficariam abaixo do novo valor, foram ajustados para R$ 545,00.

      Em mesa de Negociação, assim que o STF decidiu a questão do Piso Nacional dos Professores e Professoras, que definiu um salário de R$ 1.187,00 para uma jornada de 40 horas, a Prefeita Moema apresentou à ASPROLF proposição de cumprimento imediato da determinação. Os Professores M1, única categoria que estariam abaixo do Piso Nacional, passariam a ter um salário de R$ 1.187,00 em jornada de 40 horas e R$ 593,50 em jornada de 20 horas.

      Senti falta em sua missiva que, além deste salário, é pago aos Professores a título de Gratificação, um acréscimo de aproximadamente 50%, o que leva esses profissionais a uma salário Bruto de 890,25 em jornada de 20 horas e 1.780,50 em jornada de 40 horas.

      Não farei comentários acerca da sua discussão comparativa entre profissões, pois entendo que é uma opinião pessoal, à qual, não obstante discorde completamente, respeito o seu direito de expressá-la.

      Um abraço e volte sempre!

      Apio Vinagre Nascimento
      Coordenação do blog

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