Trabalhando com Poesia

“…Eu já esqueci você, tento crer! nesses lábios que meus lábios sugam de prazer. Sugo sempre, busco sempre, a sonhar em vão, cor vermelha, carne da sua boca, coração… Eu já esqueci você, tento crer! seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor, sua casa, sua cama, sua carne, seu suor, eu pertenço a raça, da pedra dura… Quando enfim juro que esqueci, quem se lembra de você em mim, em mim, não sou eu, sofro e sei, não sou eu, finjo que não sei, não sou eu… Sonho bocas que murmuram, tranço em pernas que procuram enfim, não sou eu, sofro e sei, quem se lembra de você em mim, eu sei, eu sei… Bate é na memória da minha pele, bate é no sangue que bombeia , na minha veia… Bate é no champanhe que borbulhava, na sua taça e que borbulha, agora na taça da minha cabeça… Eu já esqueci você, tento crer! nesses lábios que meus lábios sugam de prazer, sugo sempre, busco sempre, a sonhar em vão, cor vermelha, carne da sua boca, coração…” (João Bosco – Memória da pele – Comp.: João Bosco / Waly Salomão)

“…Quem quer viver um amor, mas não quer suas marcas, qualquer cicatriz, a ilusão do amor não é risco na areia, é desenho de giz… Eu sei que vocês vão dizer: “A questão é querer desejar, decidir!”… Aí diz o meu coração: “Que prazer tem bater se ela não vai ouvir?”. Aí minha boca me diz: “Que prazer tem sorrir, se ela não me sorri também?”. Quem pode querer ser feliz, se não for por um grande amor?… Eu sei que vocês vão dizer: “A questão é querer desejar, decidir!”. Aí diz o meu coração: “Que prazer tem bater se ela não vai ouvir?”. Cantar, mas me diga prá que? ai ai ai e o que vou sonhar? só querendo escapar à dor… Quem pode querer ser feliz, se não for por amor? quem pode querer ser feliz, se não for por amor?… Cantar, mas me diga prá que? ai ai ai e o que vou sonhar? só querendo escapar à dor… Quem pode querer ser feliz, se não for por amor? quem pode querer ser feliz, se não for por amor? Quem pode querer ser feliz?…” (João Bosco – Desenho de Giz – Desenho de Giz – Comp.: João Bosco e Abel Silva)

“…Coração sem perdão, diga, fale por mim quem roubou toda a minha alegria, o amor me pegou, me pegou pra valer, aí que a dor do querer, muda o tempo e a maré, vendaval sobre o mar azul, tantas vezes chorei, quase desesperei e jurei nunca mais seus carinhos, ninguém tira do amor, ninguém tira, pois é! nem doutor, nem pajé, o que queima e seduz, enlouquece, o veneno da mulher… O amor quando acontece, a gente esquece logo que sofreu um dia, ilusão… O meu coração marcado, tinha um nome tatuado, que ainda doía, pulsava só a solidão… O amor quando acontece, a gente esquece logo que sofreu um dia, esquece sim! quem mandou chegar tão perto? se era certo um outro engano, coração cigano, agora eu choro assim… O amor quando acontece, a gente esquece logo que sofreu um dia, esquece sim! quem mandou chegar tão perto? se era certo um outro engano, coração cigano, agora eu choro assim…” (João Bosco – O amor quando acontece – Comp.: João Bosco e Abel Silva)

“…Fiz ranger as folhas de jornal, abrindo-lhes as pálpebras piscantes e logo, de cada fronteira distante, subiu um cheiro de pólvora, perseguindo-me até em casa… Nestes últimos vinte anos, nada de novo há no rugir das tempestades… Não estamos alegres, é certo! mas também, por que razão haveríamos de ficar tristes?… O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras, havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas… Meu coração tropical está coberto de neve, mas, ferve em seu cofre gelado e à voz vibra e, a mão escreve mar… Bendita lâmina grave, que fere a parede e traz as febres loucas e breves, que mancham o silêncio e o cais… Roserais, Nova Granada de Espanha, por você, eu, teu corsário preso, vou partir a geleira azul da solidão e, buscar a mão do mar, me arrastar até o mar, procurar o mar… Mesmo que eu mande em garrafas, mensagens por todo o mar, meu coração tropical partirá esse gelo e irá, com as garrafas de náufragos e as rosas partindo o ar, Nova Granada de Espanha e as rosas partindo o ar…” (João Bosco – Corsário – Comp.: João Bosco e Aldir Blanc – Poesia incidental: E então, que quereis? De Wladimir Maiakóvski)

“Observe o que se passa na vida: quando você necessita de alimento, é só você que pode comer. Ninguém pode fazê-lo por você. Assim, também, ninguém poderá curá-lo. Você é a única pessoa capaz de curar-se, de fazer seu corpo revigorar-se e libertar-se das enfermidades. Emita pensamentos positivos de saúde e expulse de seu organismo todas as moléstias.” (Minutos de Sabedoria Pg. 201)

Bom dia pessoal,

Minha boa e velha insônia, junto com um estômago chato que me abusa desde a madrugada de domingo são o combustível do “Trabalhando com Poesia” desta semana. Espero que consiga ser suave o suficiente, apesar dos percalços. Talvez até, por isso, não tenha conseguido fazer a mensagem ontem.

Esta semana, quando o Natal se aproxima, buscarei uma reflexão diferente, com uma cara mais nordestina e, para tanto, manterei o grande João Cabral de Melo Neto na tela e compartilho com vocês até sexta feira o seu Auto de Natal “Morte e Vida Severina”, cabendo algumas quadras por dia. Espero que gostem e que de certo modo, ajude-nos a refletir sobre nossos irmãos e irmãs que ainda não têm a condição de um Natal feliz e principalmente, sem fome.

Muitos têm me questionado sobre ponto facultativo nas duas próximas sextas feiras e, às vezes me parece proposital, pois, sempre quem me liga são pessoas que sabem a minha posição a respeito. Sou contra pontos facultativos! Talvez o fato de ter atuado por mais de 15 anos na iniciativa privada, onde folga sempre foi compensada com horas de suor, me enraizou essa posição, mas, para os que sempre gostam de dialogar com os servidores que esse ou aquele ponto facultativo não ocorreu por minha causa, sugiro que busquem a decisão no degrau acima, pois, assim como vocês, sou cumpridor de decisões de governo. Se a decisão for pela folga, mesmo sendo contra, farei cumprir a decisão. Ao menos foi assim que aprendi. Caso isso não ocorra, o que ta decidido até o momento é pelo expediente normal até o dia 23/12 e de 26 a 30/12, no horário também normal.

Os parabéns de hoje vão para os aniversariantes do dia: Cristiane Guilherme, Hélio Okabe, Aurelina (Nana) Oliveira e a Deputada Luiza Maia. Paz, Saúde e muitas felicidades a cada um (a) deles (as).

Em função das atividades não apresentarei hoje os fatos históricos referentes ao 20 de Dezembro. Espero que entendam.

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”, que alcança essa semana a marca das 20 mil visitas, fato que me deixa extremamente feliz, por ver que mesmo sem postar nada, como fiquei durante a visita à China, a freqüência diária é constante. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique. Obrigado a cada um (a) de vocês por esta caminhada feliz!

https://oipa2.wordpress.com/2011/12/20/trabalhando-com-poesia-400/

Abraços nos amigos, beijos nos filhos e nas amigas, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma Terça feira abençoada por Deus, repleta da energia positiva que circunda o universo a nossa volta de paz e harmonia sempre.

Uma ótima semana,

Apio Vinagre Nascimento
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Morte e vida Severina (Auto de Natal Pernambucano) – João Cabral de Melo Neto – 1954/1955

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.

ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS GRITOS DE “Ó IRMÃOS DAS ALMAS! IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU QUE MATEI NÃO!”

— A quem estais carregando,
irmãos das almas,
embrulhado nessa rede?
dizei que eu saiba.
— A um defunto de nada,
irmão das almas,
que há muitas horas viaja
à sua morada.
— E sabeis quem era ele,
irmãos das almas,
sabeis como ele se chama
ou se chamava?
— Severino Lavrador,
irmão das almas,
Severino Lavrador,
mas já não lavra.
— E de onde que o estais trazendo,
irmãos das almas,
onde foi que começou
vossa jornada?
— Onde a Caatinga é mais seca,
irmão das almas,
onde uma terra que não dá
nem planta brava.
— E foi morrida essa morte,
irmãos das almas,
essa foi morte morrida
ou foi matada?
— Até que não foi morrida,
irmão das almas,
esta foi morte matada,
numa emboscada.
— E o que guardava a emboscada,
irmão das almas,
e com que foi que o mataram,
com faca ou bala?
— Este foi morto de bala,
irmão das almas,
mais garantido é de bala,
mais longe vara.
— E quem foi que o emboscou,
irmãos das almas,
quem contra ele soltou
essa ave-bala?
— Ali é difícil dizer,
irmão das almas,
sempre há uma bala voando
desocupada.
— E o que havia ele feito,
irmãos das almas,
e o que havia ele feito
contra a tal pássara?
— Ter um hectares de terra,
irmão das almas,
de pedra e areia lavada
que cultivava.
— Mas que roças que ele tinha,
irmãos das almas,
que podia ele plantar
na pedra avara?
— Nos magros lábios de areia,
irmão das almas,
os intervalos das pedras,
plantava palha.
— E era grande sua lavoura,
irmãos das almas,
lavoura de muitas covas,
tão cobiçada?
— Tinha somente dez quadros,
irmão das almas,
todas nos ombros da serra,
nenhuma várzea.
— Mas então por que o mataram,
irmãos das almas,
mas então por que o mataram
com espingarda?
— Queria mais espalhar-se,
irmão das almas,
queria voar mais livre
essa ave-bala.
— E agora o que passará,
irmãos das almas,
o que é que acontecerá
contra a espingarda?
— Mais campo tem para soltar,
irmão das almas,
tem mais onde fazer voar
as filhas-bala.
— E onde o levais a enterrar,
irmãos das almas,
com a semente de chumbo
que tem guardada?
— Ao cemitério de Torres,
irmão das almas,
que hoje se diz Toritama,
de madrugada.
— E poderei ajudar,
irmãos das almas?
vou passar por Toritama,
é minha estrada.
— Bem que poderá ajudar,
irmão das almas,
é irmão das almas quem ouve
nossa chamada.
— E um de nós pode voltar,
irmão das almas,
pode voltar daqui mesmo
para sua casa.
— Vou eu, que a viagem é longa,
irmãos das almas,
é muito longa a viagem
e a serra é alta.
— Mais sorte tem o defunto,
irmãos das almas,
pois já não fará na volta
a caminhada.
— Toritama não cai longe,
irmão das almas,
seremos no campo santo
de madrugada.
— Partamos enquanto é noite,
irmão das almas,
que é o melhor lençol dos mortos
noite fechada.

O RETIRANTE TEM MEDO DE SE EXTRAVIAR PORQUE SEU GUIA, O RIO CAPIBARIBE, CORTOU COM O VERÃO

— Antes de sair de casa
aprendi a ladainha
das vilas que vou passar
na minha longa descida.
Sei que há muitas vilas grandes,
cidades que elas são ditas;
sei que há simples arruados,
sei que há vilas pequeninas,
todas formando um rosário
cujas contas fossem vilas,
todas formando um rosário
de que a estrada fosse a linha.
Devo rezar tal rosário
até o mar onde termina,
saltando de conta em conta,
passando de vila em vila.
Vejo agora: não é fácil
seguir essa ladainha;
entre uma conta e outra conta,
entre uma a outra ave-maria,
há certas paragens brancas,
de planta e bicho vazias,
vazias até de donos,
e onde o pé se descaminha.
Não desejo emaranhar
o fio de minha linha
nem que se enrede no pêlo
hirsuto desta caatinga.
Pensei que seguindo o rio
eu jamais me perderia:
ele é o caminho mais certo,
de todos o melhor guia.
Mas como segui-lo agora
que interrompeu a descida?
Vejo que o Capibaribe,
como os rios lá de cima,
é tão pobre que nem sempre
pode cumprir sua sina
e no verão também corta,
com pernas que não caminham.
Tenho de saber agora
qual a verdadeira via
entre essas que escancaradas
frente a mim se multiplicam.
Mas não vejo almas aqui,
nem almas mortas nem vivas;
ouço somente à distância
o que parece cantoria.
Será novena de santo,
será algum mês-de-Maria;
quem sabe até se uma festa
ou uma dança não seria?

NA CASA A QUE O RETIRANTE CHEGA ESTÃO CANTANDO EXCELÊNCIAS PARA UM DEFUNTO, ENQUANTO UM HOMEM, DO LADO DE FORA,VAI PARODIANDO AS PALAVRAS DOS CANTADORES

— Finado Severino,
quando passares em Jordão
e o demônios te atalharem
perguntando o que é que levas…
— Dize que levas cera,
capuz e cordão
mais a Virgem da Conceição.
— Finado Severino,
etc. …
— Dize que levas somente
coisas de não:
fome, sede, privação.
— Finado Severino,
etc. …
— Dize que coisas de não,
ocas, leves:
como o caixão, que ainda deves.
— Uma excelência
dizendo que a hora é hora.
— Ajunta os carregadores
que o corpo quer ir embora.
— Duas excelências…
— … dizendo é a hora da plantação.
— Ajunta os carregadores…
— … que a terra vai colher a mão.

CANSADO DA VIAGEM O RETIRANTE PENSA INTERROMPÊ-LA POR UNS INSTANTES E PROCURAR TRABALHO ALI ONDE SE ENCONTRA.

— Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva;
só a morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda mais severina
para o homem que retira).
Penso agora: mas porque
parar aqui eu não podia
e como o Capibaribe
interromper minha linha?
ao menos até que as águas
de uma próxima invernia
me levem direto ao mar
ao refazer sua rotina?
Na verdade, por uns tempos,
parar aqui eu bem podia
e retomar a viagem
quando vencesse a fadiga.
Ou será que aqui cortando
agora minha descida
já não poderei seguir
nunca mais em minha vida?
(será que a água destes poços
é toda aqui consumida
pelas roças, pelos bichos,
pelo sol com suas línguas?
será que quando chegar
o rio da nova invernia
um resto de água no antigo
sobrará nos poços ainda?)
Mas isso depois verei:
tempo há para que decida;
primeiro é preciso achar
um trabalho de que viva.
Vejo uma mulher na janela,
ali, que se não é rica,
parece remediada
ou dona de sua vida:
vou saber se de trabalho
poderá me dar notícia.

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