A cobrança da natureza – Apio Vinagre Nascimento *

Bom dia Santo Amaro de Ipitanga.

É muito bom ver o nosso rio Ipitanga de volta a seu nível normal, apesar da manutenção das chuvas. Metereologia ainda prevê a sua continuidade nos próximos dias, porém numa intensidade menor e, com isso, a nossa expectativa é que a situação se normalize em poucos dias.

Nossa equipe ainda atende aos chamados que se ampliam na medida em que o tempo se firma e as pessoas acabam tendo condições de contabilizar os seus problemas.

Imaginar que os corpos hídricos (Rios, lagos, lagoas), que tiveram seu território natural usurpado pelo homem, não cobrará a fatura é não ter o mínimo de noção da realidade.

Em linhas gerais cabe a nós entender que se há alguém no lugar errado nessa história, certamente não é a natureza! Ao ocuparmos as margens dos rios, ao transformá-las em vias de expansão do desenvolvimento urbano das metrópoles, estamos, em suma deslocando a natureza do seu curso original e, salvo engano, Isaac Newton nos ensinou naquela que chamamos de terceira Lei de Newton, o principio da ação e reação.

A mãe natureza tem nos dedicado e isso se dá de modo democrático, pois, como bem disse o meu amigo Jeremias Silva, a sua reação têm se dado em sentido oposto às nossas ações milenares, de forma ampla, independente da legenda que conduz as gestões dos municípios, estejam eles na Bahia ou em outros estados.

Dialogava esses dias, com um amigo, que infelizmente está priorizando a visão eleitoral à visão jornalística, também arguindo a questão da física em relação ao comportamento das águas em nosso Município. O polígono das águas que cerca o nosso município, composto por 4 grandes corpos hídricos, Rios Joanes, Ipitanga e Oceano Atlântico, além de diversos outros de menor porte (rios Itinga, Goró, Caji, Picuaia, entre outros de menor tamanho, todos eles se comunicando entre si e tendo o Oceano como desembocadura comum, através da foz do rio Joanes, a menos que se apresente uma solução mirabolante, sempre terá problemas quando as chuvas tiverem uma intensidade maior que o normal e coincidir com períodos de maré cheia, notadamente quando estivermos em períodos de Luas Cheia e Nova, quando, a Preamar atinge níveis acima dos 2,4 metros.

Desconhecemos no mundo, mas, estamos sempre a disposição para o aprendizado, qualquer forma de não ter populações ribeirinhas afetadas pelas cheias dos rios. Em nosso município, este termo ganha contornos distintos do usualmente utilizado, pois, além das populações carentes, normalmente atreladas a esta terminologia, do Loteamento Mangueira de Ipitanga, em Itinga, da Travessa da Mangueira e adjacências, no Caji, e da Sempre Verde e Vila Nova, em Portão, para citar apenas algumas, temos populações de classe média e classe média alta também nesta condição de moradia ocupando as margens dos rios, como O Jardim Jockey Clube, no centro e o Loteamento Villas do Atlântico, entre outras localidades.

Paralelo a essa questão geográfica da localização das moradias, em relação aos rios, temos um passivo no que tange à educação ambiental. Não obstante o incansável trabalho da Secretaria de Serviços Públicos, na limpeza cotidiana de rios e córregos, é impressionante e lamentável a quantidade de lixo, orgânico e inorgânico que a nossa população, achando pouco ocupar as suas margens, destina aos nossos rios. Sacos plásticos, restos de móveis, pneus, são apenas alguns dos muitos materiais encontrados nos leitos tanto do Ipitanga quanto dos demais rios da cidade.

Fiz questão de escrever sobre o tema nesta manhã, pois creio que é chegada a hora de todos (as) buscarem uma outra forma de lidar com esta questão. Não serão as siglas partidárias que resolverão o problema ambiental das cidades, mesmo que tenham uma ação efetiva na busca de melhor estruturação das mesmas e, em particular, no que tange a Lauro de Freitas, sou testemunha do empenho pessoal da prefeita Moema Gramacho, não só na implementação de todas as ações dos Governos Federal e do estado, mas, também inovando em sua gestão, consolidando estruturas de acompanhamento e prevenção a estas situações, coisa que antes do seu governo não era sequer discutido.

Entre 2009 e agora são dezenas de encostas que foram contidas e que nos permite atuar na direção do atendimento às vítimas das chuvas, com menos medo de problemas mais graves. As populações do Mangueira de Ipitanga, Metrópole e Jardim Tropical, todas em Itinga, que tiveram encostas contidas por ações nossas, certamente dormem mais tranquilas hoje, sem o desespero de antes, quando imaginavam sempre a possibilidade de serem vítimas de deslizamentos de terra.
É certo que muito ainda há de ser feito, apesar do muito que já fizemos, mas, mesmo que assim seja, não atingiremos o ideal. A nós, que optamos por atuar nesta área, só não nos é dada uma opção: a de desistir! Seguir na luta e na busca constante das melhorias das condições de moradia é uma obrigação. Saneamento básico, pavimentação, melhoramentos das condições de habitabilidade das populações de todos os níveis econômicos é uma obrigação do estado brasileiro, inclusive consignado na nossa carta magna e precisa ser perseguida a todo o momento.

Entretanto, é preciso que saibamos, voltando à terceira lei de Newton, que a cada investida nossa em desfavor da natureza, na mesma intensidade e em nossa direção, será a sua reação. Cuidemos, pois, da nossa relação com ela!

# Apio Vinagre Nascimento é Técnico Químico pela ETFBA, Acadêmico de Direito da UNIME, Secretário Municipal de Governo e Coordenador Municipal de defesa Civil, Presidente do Conselho Municipal de Cultura e Membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente, em Lauro de Freitas, Estado da Bahia.

Anúncios
Esse post foi publicado em Notícias e política e marcado , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para A cobrança da natureza – Apio Vinagre Nascimento *

  1. Luiz Adães disse:

    Parabens Dr. Apio trabalho e dedicão!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s