Trabalhando com Poesia

“…Vou cantá no canto di primero, aas coisa lá da minha mudernage, qui mi fizero errante e violêro Eu falo sério e num é vadiage e pra você qui agora está mi ovino, juro inté pelo Santo Minino, Vige Maria qui ôve o queu digo, si fo mintira mi manda um castigo… Apois pro cantadô i violeiro, só há treis coisa nesse mundo vão… Amô, furria, viola, nunca dinheiro, viola, furria, amo, dinhero não… Cantado di trovas i martelo, di gabinete, lijêra i moirão, ai cantado já curri o mundo intero, já inté cantei nas portas di um castelo dum rei qui si chamava di Juão, pode acriditá meu companheiro, dispois di tê cantado o dia intero, o rei mi disse fica, eu disse não… Apois pro cantadô i violeiro, só há treis coisa nesse mundo vão… Amô, furria, viola, nunca dinheiro, viola, furria, amo, dinhero não… Si eu tivé di vivê obrigado um dia i antes dêsse dia eu morro. Deus feiz os homi e os bicho tudo fôrro, já vi iscrito no livro sagrado qui a vida nessa terra é uma passage, cada um leva um fardo pesado. É um insinamento qui desde a mudernage eu trago bem dentro do coração guardado… Apois pro cantadô i violeiro, só há treis coisa nesse mundo vão… Amô, furria, viola, nunca dinheiro, viola, furria, amo, dinhero não… Tive muita dô di num tê nada, pensano qui êsse mundo é tudo tê mais só dispois di pená pela istrada beleza na pobreza é qui vim vê, vim vê na procissão do Louvado-seja i o assombro das casa abandonada, côro di cego na porta das igreja i o êrmo da solidão das istrada… Apois pro cantadô i violeiro, só há treis coisa nesse mundo vão… Amô, furria, viola, nunca dinheiro, viola, furria, amo, dinhero não… Pispiano tudo do cumêço eu vô mostrá como faiz um pachola, qui inforca o pescoço da viola e revira toda moda pelo avêsso i sem arrepará si é noite ou dia, vai longe cantá o bem da furria sem um tostão na cuia u cantado canta inté morrê o bem do amo…. Apois pro cantadô i violeiro, só há treis coisa nesse mundo vão… Amô, furria, viola, nunca dinheiro, viola, furria, amo, dinhero não… Viola, furria, amo, dinhero não… Viola, furria, amo, dinhero não… Viola, furria, amo, dinhero não…” (Elomar Filgueiras – Violeiro – Comp.: Elomar Filgueiras)

“… Vô corrê trecho, vô percurá u’a terra preu podê trabaiá, prá vê se dêxo essa minha pobre terra véia discansá… Foi na Monarca a primeira derrubada, dêrna d’intão é sol é fogo é tái d’inxada, me ispera, assunta bem: Inté a bôca das água qui vem, num chora, conforma mulê. Eu volto se assim Deus quisé… Tá um aperto, mais qui tempão de Deus no sertão catinguêro, vô dá um fora, só dano um pulo agora in Son Palo, Triang’ Mineêro. É duro môço êsse mosquêro na cozinha, a corda pura e a cuia sem um grão de farinha… A bença Afiloteus, te dêxo intregue nas guarda de Deus… Nocença ai sôdade viu, pai volta prás curva do rio… Ah mais cê veja: num me resta mais creto prá um furnicimento, só eu caino nas mão do véi Brolino mêrmo a deis pur cento. É duro môço ritirá prum trecho alei, c’ua pele no osso e as alma nos bolso do véi… Me ispera, assunta viu, sô inbuzêro das bêra do rio… Num chora, conforma mulé. Eu volto se assim Deus quis é. Num dêxa o rancho vazio, eu volto prás curva do rio… Num dêxa o rancho vazio, pai volta prás curva do rio…“ (Xangai – Curvas do rio – Comp.: Elomar Filgueiras)

“… Deus esteja nessa casa, em formato e coração, coração feito um menino, nordestino o destino… Na janela um pé de rosa, beija flor beija o quintal, bem te vi, te vi, te vejo, que o desejo é natural… Companheiro, camarada, nessa estrada da canção, cantilenas, dissabores e os amores vãos… Violeiro quando toca, as cordas do coração ficam presas entre abraços, nos acordes na canção… Vem que a lua já é cheia, tece a veia inspiração, passa lenta a passarada, passará não passarão… Cantilena de lua cheia… Cantilena de lua cheia… Cantilena de lua, de luar, de lua cheia… Cantilena de lua, de luar, de lua cheia… Deus esteja nessa casa, em formato e coração, coração feito um menino, nordestino o destino… Na janela um pé de rosa, beija flor beija o quintal, bem te vi, te vi, te vejo, que o desejo é natural… Companheiro, camarada, nessa estrada da canção, cantilenas, dissabores e os amores vãos…” (Elomar Filgueiras, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo (Cantoria) – Cantilena de Lua Cheia – Comp.: Vital Farias)

“…Vai pela istrada enluarada, tanta gente a ritirar, levando só necessidade, saudades do seu lugar… Esse povo muito longe, sem trabalho, vem prá cá, vai pela istrada enluarada, com tanta gente a ritirar, rumano para a cidade, sem vontade de chegar… Passa dia, passa tempo, passa o mundo devagar, lembrança passa com o vento, pidindo não ritirar… Tudo passa nesse mundo, só não passa o sofrimento, vai pela istrada enluarada, com tanta gente a ritirar, sem saber que mais adiante, um ritirante vai ficar… Se eu tivesse algum querer, nesse mundo de ilusão, não deixava que a saudade sociada cum penar, vivesse pelas estradas do sofrer a mendigar, vai pela estrada enluarada, com tanta gente a ritirar, levando nos ombros a cruz, que Jesus deixou ficar… Eu não canto por soberba, nem tanto por reclamar, em minha vida de labuta, canto o prazer, canto a dor, que as beleza devoluta, que Deus no sertão botou. Vai pela estrada enluarada, com tanta gente a ritirar, passando com taça e veno, bebendo fé e luar…” (Elomar Filgueiras – Retirada – Comp.: Elomar Filgueiras)

“Ajude a todos os que estão enfermos. Amanhã talvez deseje que alguém o visite em sua enfermidade. Os doentes solitários, que aspiram por uma palavra de conforto e de carinho. Não apenas seus parentes e amigos mas até os pobres conhecidos e abandonados, que não encontram um sorriso de incentivo, e que estão famintos de solidariedade humana e de amor.” (Minutos de Sabedoria Pg. 229)

Boa noite pessoal,

Dia de muita chuva em Lauro de Freitas e em toda a RMS, deixamos aqui o nosso desejo de que tudo transcorra sem maiores problemas aqui e em toda a região.

Você sabia que a Elite brasileira possui a quarta maior fortuna em paraísos fiscais de todo o mundo? É o que afirma o site Pátria Latina, em matéria do Jornalista Rodrigo Pinto, da BBC Brasil.

“…Os super-ricos brasileiros detêm o equivalente a um terço do Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas do País em um ano, em contas em paraísos fiscais, livres de tributação. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária…”

Leia a matéria completa:

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=d41d8cd98f00b204e9800998ecf8427e&cod=12143

Compartilho com vocês mais duas matérias interessantes do mesmo site:

Grife de luxo utiliza trabalho escravo para produção de roupas, Com informações de Daniel Santini, da Repórter Brasil.

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=fb5d9e209ebda9ab6556a31639190622&cod=12153

Bancos lucram e fazem chantagem, Por Altamiro Borges

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=43413ceafd2ea8d4a5e17d21c4840d9e&cod=12151

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2013/08/06/trabalhando-com-poesia-484/

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma terça-feira abençoada por Deus.

Apio Vinagre Nascimento
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ODE AO VINHO – Pablo Neruda

Vinho cor do dia
vinho cor da noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado filho
da terra
vino, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso, marinho
nunca coubeste em um copo,
em um canto, em um homem,
coral, gregário és,
e quando menos mútuo.
O vinho
move a primavera
cresce como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
se fecham os abismos,
nasce o canto.
Oh tú, jarra de vinho, no deserto
com a saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro do vinho
ao peso do amor some seu beijo.
Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.

ODE AO PÃO – Pablo Neruda

“a terra,
a beleza,
o amor,
tudo isso
tem sabor de pão,
forma de pão.
germinação de farinha,
todas as coisas
nasceram para serem compartilhadas,
para serem entregues como dádiva,
para se multiplicarem.”

Para meu coração teu peito basta (Pablo Neruda)

Para meu coração teu peito basta,
para que sejas livre, minhas asas.
De minha boca chegará até o céu
o que era adormecido na tua alma.
Mora em ti a ilusão de cada dia
e chegas como o aljôfar às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência,
eternamente em fuga como as ondas.
Eu disse que cantavas entre vento
como os pinheiros cantam, e os mastros
Tu és como eles alta e taciturna.
Tens a pronta tristeza de uma viagem.
Acolhedora como um caminho antigo,
povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Despertei e por vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.

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