Trabalhando com Poesia

“… São quatro jogadores, nesta mesa, frente a frente para jogar. São quatro cabra de peia, no desafio do jogo da bruxa, em noite de lua cheia. São quatro jogadores, nesta mesa, dando as cartas, no jogo surdo da vida… Kukukaya, eu quero você mim… Kukukaya, mas olha esse cachorro aqui… Kukukaya, eu quero você aqui… Kukukaya, mas preste a atenção em mim… São quatro jogadores, nesta mesa, dando as cartas, sem dar falsa folga a ninguém… São quatro cabra de peia, de riso dócil e rima fácil, não vá se enganar, é, meu bem. Que eu tenho dois olhos, eu tenho dois pés, dor dos meus olhos vá pros meus pés, e dos meus pés, pra dentro da terra, da terra para a morte… Kukukaya, eu quero você mim… Kukukaya, mas olha esse cachorro aqui… Kukukaya, eu quero você aqui… Kukukaya, mas preste a atenção em mim…Mas o ovo é redondo, ventre redondo é!… Vem amor, vem com saúde. Aonde eu sou chama, seja você brasa e aonde eu sou chuva, seja você água… Aonde eu sou chama, seja você brasa e aonde eu sou chuva, seja você água… Kukukaya, eu quero você mim… Kukukaya, mas olha esse cachorro aqui… Kukukaya, eu quero você aqui… Kukukaya, mas preste a atenção em mim…” (Xangai– Kukukaya –Jogo da asa da bruxa – Comp.: Cátia de França)

“… Marido se alevanta e vai armá um mundé, prá pegá uma paca gorda prá nóis cumê um sarapaté… Aroeira é pau pesado num é minha véia? Cai e machuca meu pé e ai d´eu sodade… Marido se alevanta e vai na casa da tua avó buscá a ispingarda dela procê caçá um mocó… Só que no lajedo tem cobra braba num é minha véia? Me morde e fica pió e ai deu sodade… Entonce marido se alevanta e vai caçá uma siriema, nóis come a carne dela e faiz uma bassora das pena… Ai quem dera tá agora num é minha véia? Nos braço duma roxa morena e ai d´eu sodade… Sujeito, alevanta e vai na casa do venderão comprá uma carne gorda prá nois fazê um pirão… É que eu num tenho mais dinheiro num é minha véia? Fiado num compro não e ai d´eu sodade… Ô marido se alevanta e vai na venda do venderim comprá deiz metro de chipa prá fazê rôpa pros nossos fiim… Ai dentro tem um colchão véio num é minha véia? Desmancha e faiz umas carça prá mim e ai d´eu sodade… Disgramado se alevanta, deixa de ser preguiçoso, o homi que num trabáia num pode cumê gostoso… É que trabáia é muito bom num é minha véia? Mas é um pouco arriscoso e ai d´eu sodade… Ô marido se alevanta e vem tomá um mingau, que é prá criá sustança prá nóis fazê um calamengal… Brincadêra de manhã cedo num é minha véia? Arrisca, quebrá o pau e ai d´eu sodade… Marido seu disgraçado tu ai de morrê, cachorro ai de ti lati e urubu ai de ti cumê… Se eu subesse disso tudo num é minha véia? Eu num casava cum ocê e ai deu sodade…” (Xangai – ABC do Preguiçoso “Ai d’eu sodade” – Comp.: Folclore adaptado por Cecitônio Coelho)

“… Cipó Caboclo tá subindo na virola, chegou a hora do Pinheiro balançar. Sentir o cheiro do mato, da Imburana, descansar, morrer de sono na sombra da Barriguda… De nada vale tanto esforço do meu canto, pra nosso espanto tanta mata haja vão matar. Tal Mata Atlântica e a próxima Amazônica, arvoredos seculares impossível replantar… Que triste sina teve o Cedro, nosso primo, desde de menino que eu nem gosto de falar. Depois de tanto sofrimento seu destino, virou tamborete, mesa, cadeira, balcão de bar… Quem por acaso ouviu falar da Sucupira, parece até mentira que o Jacarandá, antes de virar poltrona, porta, armário, mora no dicionário, vida eterna, milenar… Quem hoje é vivo corre perigo e os inimigos do verde dá sombra ao ar, que se respira e a clorofila das matas virgens destruídas vão lembrar… Que quando chegar a hora é certo que não demora, não chame Nossa Senhora. Só quem pode nos salvar é: Caviúna, Cerejeira, Baraúna, Imbuia, Pau-d’arco, Solva, Juazeiro e Jatobá… Gonçalo-Alves, Paraíba, Itaúba, Louro, Ipê, Paracaúba, Peroba, Massaranduba, Carvalho, Mogno, Canela, Imbuzeiro, Catuaba, Janaúba, Aroeira, Araribá… Pau-Ferro, Angico, Amargoso, Gameleira, Andiroba, Copaíba, Pau-Brasil, Jequitibá… Cipó Caboclo tá subindo na virola, chegou a hora do Pinheiro balançar. Sentir o cheiro do mato, da Imburana, descansar, morrer de sono na sombra da Barriguda… De nada vale tanto esforço do meu canto, pra nosso espanto tanta mata haja vão matar. Tal Mata Atlântica e a próxima Amazônica, arvoredos seculares impossível replantar… Que triste sina teve o Cedro, nosso primo, desde de menino que eu nem gosto de falar. Depois de tanto sofrimento seu destino, virou tamborete, mesa, cadeira, balcão de bar… Quem por acaso ouviu falar da Sucupira, parece até mentira que o Jacarandá, antes de virar poltrona, porta, armário, mora no dicionário, vida eterna, milenar… Quem hoje é vivo corre perigo e os inimigos do verde dá sombra ao ar, que se respira e a clorofila das matas virgens destruídas vão lembrar… Que quando chegar a hora é certo que não demora, não chame Nossa Senhora. Só quem pode nos salvar é: Caviúna, Cerejeira, Baraúna, Imbuia, Pau-d’arco, Solva, Juazeiro e Jatobá… Gonçalo-Alves, Paraíba, Itaúba, Louro, Ipê, Paracaúba, Peroba, Massaranduba, Carvalho, Mogno, Canela, Imbuzeiro, Catuaba, Janaúba, Aroeira, Araribá… Pau-Ferro, Angico, Amargoso, Gameleira, Andiroba, Copaíba, Pau-Brasil, Jequitibá…” (Xangai – Matança – Comp.: Jatobá)

“…Josefina sai cá fora e vem vê, olha os forro ramiado, vai chuvê. Vai trimina riduzi toda criação, das bandas de lá do ri gavião, chiquera pra cá, já roncô o truvão… Futuca a tuia, pega o catadô, vamo plantá o feijão no pó… Mãe prurdença inda num cuieu o ai, o ai roxo dessa lavora tardã, diligença pega o pano e cum balai, vai cum tua irmã, vai num rumo só, vai cuiê o ai, o ai da tua avó… Futuca a tuia, pega o catadô, vamo plantá o feijão no pó… Lua nova, sussarana vai passa, sêda branca, na passada ela levô, ponta d´unha, lua fina risca no céu, a onça prisunha, a cara de réu, o pai do chiquêro a gata comeu… Foi um trovejo c´ua zagaia só, foi tanto sangue de dá dó. Os cigano já subiro bêra ri, é só danos, todo ano nunca vi. Paciênca, já num guento a pirsiguição, já só caco véi nesse meu sertão, tudo que juntei foi só pra ladrão… Futuca a tuia, pega o catadô, vamo plantá o feijão no pó… Futuca a tuia, pega o catadô, vamo plantá o feijão no pó…” (Elomar – Arrumação – Comp.: Elomar)

“…Campo branco minhas penas que pena secou, todo o bem qui nóis tinha era a chuva era o amor. Num tem nada não nóis dois vai penano assim… Campo lindo ai qui tempo ruim, tu sem chuva e a tristeza em mim. Peço a Deus a meu Deus grande Deus de Abrãao, prá arrancar as pena do meu coração. Dessa terra sêca, in ança e aflição, todo bem é de Deus qui vem… Quem tem bem lôva a Deus seu bem, quem não tem pede a Deus qui vem… Pela sombra do vale do ri Gavião, os rebanhos esperam a trovoada chover. Num tem nada não também no meu coração. Vô ter relampo e trovão, minh’alma vai florescer… Quando a amada a esperada trovoada chega, Iantes da quadra as marrã vão tê. Sei qui inda vô vê marrã parí sem querer. Amanhã no amanhecer. Tardã mais sei qui vô ter meu dia inda vai nascer… E esse tempo da vinda tá perto de vin, sete casca aruêra, cantaram prá mim. Tatarena vai rodá, vai botá fulô, marela de u’a veis só, prá ela de u’a veis só… Marela de u’a veis só, prá ela de u’a veis só… marela de u’a veis só, prá ela de u’a veis só… marela de u’a veis só, prá ela de u’a veis só… marela de u’a veis só, prá ela de u’a veis só…” (Elomar – Campo Branco – Comp.: Elomar)

“…Cantiga de campo de concentração, a gente bem sente com precisão, mas recordo a tua imagem, naquela viagem que eu fiz pro sertão. Eu que nasci na floresta, canto e faço festa no seu coração. Voa, voa, azulão. Voa, voa, azulão… Cantiga de roça, de um cego apaixonado, cantiga de moça lá do cercado, que canta a fauna e a flora e ninguém ignora, se ela quer brotar. bota uma flor no cabelo, com alegria e zelo, para não secar. Voa, voa no ar. Voa, voa no ar… Cantiga de ninar a criança na rede, mentira de água é matar a sêde: diz pra mãe que eu fui pro açude, fui pescar um peixe, isso eu num fui não. tava era com um namorado, pra alegria e festa do meu coração. Voa, voa azulão. Voa, voa azulão… Cantiga de índio, que perdeu sua taba, no peito esse incêndio, céu não se apaga. Deixe o índio no seu canto, que eu canto um acalanto, faço outra canção. Deixe o peixe, deixe o rio, que o rio é um fio de inspiração. Voa, voa azulão. Voa, voa azulão … Cantiga de ninar a criança na rede, mentira de água é matar a sêde: diz pra mãe que eu fui pro açude, fui pescar um peixe, isso eu num fui não. tava era com um namorado, pra alegria e festa do meu coração. Voa, voa azulão. Voa, voa azulão. Voa, voa azulão…” (Vital Farias, Xangai, Elomar e Geraldo Azevedo – Sete Cantigas para voar – Comp.: Vital Farias)

“Não se queixe contra a vida. Se está sofrendo, lembre-se de que ninguém passa por essa terra isento de dores, da mesma forma que um aluno não pode fazer o seu curso sem submeter se aos exames de fim de ano. Prove que está preparado (a), suportando com paciência e resignação os exames a que é submetido (a). Tudo o que nos acontece tem sua razão de ser, e dos males surge sempre um bem.” (Minutos de Sabedoria Pg. 230)

Boa tarde pessoal,

Quantas vezes nos pegamos refletindo sobre as questões em torno de nós? Os problemas, as relações de trabalho, de escola, de comunidade, enfim. São diversos aspectos que acabam por influenciar o nosso dia a dia.

Por piores que eles possam ser, creia: Você é capaz de os transpor. Como diria o grande Raul, Basta ser sincero e desejar profundo, pois a força de vontade e a perseverança são fortes aliados.

Confesso que essa semana é uma semana diferente. Após 46 anos, pela primeira vez vivenciarei um dia dos pais sem a presença física de meu velho. Estarei junto com minha família, pois, juntos haveremos de vivenciar esse momento de tristeza melhor.

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2013/08/07/trabalhando-com-poesia-485/

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma quarta-feira abençoada por Deus e repleta da energia Guerreira de Iansã.

Apio Vinagre Nascimento
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O teu riso (Pablo Neruda)

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

ODE À CEBOLA – Pablo Neruda

Cebola
Luminosa redoma
pétala a pétala
cresceu a tua formosura
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.

Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.

Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate.
mas ao alcance
das mãos do povo
regada com azeite
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado
papel, sais do chão
eterna, intacta, pura
como semente de um astro
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única
lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.

Eu tudo o que existe celebrei, cebola
Mas para mim és
mais formosa que uma ave
de penas radiosas
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina
baile imóvel
de nívea anémona

e vive a fragância da Terra
na tua natureza cristalina.

ODE AO TOMATE – Pablo Neruda

(…)
enche as saladas
do Chile,
casa-se alegramente
com a branca cebola,
e para o celebrar
deita-se-lhe
o azeite,
filho
natural da oliveira,
sobre os hemisférios entreabertos,
adiciona
a pimenta
a sua fragância,
o sal o seu magnetismo:
são os esponsais
do dia,
a salsa
embandeira-se,
as migas
fervem ruidosamente,
o assado
bate à porta
com o seu aroma,
está na hora!

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