Trabalhando com Poesia

“…Inriba daquela serra passa u’a istrada rial, entre todos qui ali passa uns passa bem ôtros mal… Apois lá mora um ferrêro, ferradô de animal, qui sentado o dia intêro no portêro do quintal, conta istoras de guerrêros de cavalêros ligêros, do Rêno de Portugal… Conta istoras de guerrêros de cavalêros ligêros, do Rêno de Portugal… Anda mula ruana, qui a vida tirana foi dexada por Deus dêrna de Adão, pra quem pissui os tére aqui na terra, pra quem nada pissui, te pru ladrão… Das coisas de minha ceguêra aquela qui eu mais quiria, formá u’a tropa intêra e arribá no mundo um dia… Cabeçada de u’a arrôba vinte campa de arrilia, cruzeta riata nova, rabichola e peitural… E arriça fazeno ruaça a tripa na bôca da praça do Rêno de Portugal… E arriça fazeno ruaça a tripa na bôca da praça do Rêno de Portugal… Destá mula ruana, na vida tirana ela é fela e mais dura qui a lei, nóis inda vai xabrá pinga de cana, jabá e rapadura mais o rei… Cuano saí lá de casa dexei os campo in fulô, a lua já deu treis volta só a buneca num voltô. Mais prá quê tanta labuta corre corre e confusão? Quanto mais junta mais dana é tribusana é só busão… Oras qui na vida in ança, o pobre cristão só descansa, dibaixo d’um tampo de chão… Oras qui na vida in ança, o pobre cristão só descansa, dibaixo d’um tampo de chão… Para mula ruana, dexa de gana, qui a vinda do tropêro é só u’a veis, assunta mêrmo a vida, assim tirana, é pura boniteza, foi Deus quem fez…” (Xangai – Tirana “De o Tropeiro Gonsalim” – Comp.: Elomar Filgueiras)

“… É o céu uma abóbada aureolada rodeada de gases venenosos, radiantes planetas luminosos, gravidade na cósmica camada, galáxia também hidrogenada, como é lindo o espaço azul-turquesa… E o sol fulgurante tocha acesa, flamejando sem pausa e sem escala, quem de nós pensaria apagá-la, só o santo doutor da natureza… De tais obras, o homem e a mulher, são antigos e ricos patrimônios, geram corpos em forma de hormônios, criam seres sem dúvida sequer, o homem após esse mister, perpetua a espécie com certeza a mulher, carinhosa e indefesa, dá à luz uma vida, novo brilho, nove meses no ventre aloja o filho, pelo santo poder sã natureza… O peixe é bastante diferente, ninguém pode entender como é seu gênio, reservas porções de oxigênio, mutações para o meio ambiente, tem mais cartilagem resistente, habitando na orla ou profundeza, devora outros peixes pra despesa, e tem época do acasalamento, revestido de escamas esse elemento, com a força da santa natureza… O poroquê ou peixe-elétrico é um tipo genuíno, habitante dos rios e águas pretas, com ele possui certas plaquetas, que o dotam de um mecanismo fino, com tal cartilagem esse ladino faz contato com muita ligeireza, quem tocá-lo padece de surpresa, descarga mortífera absoluta, sua auto voltagem eletrocuta, com os fios da santa natureza… Tartaruga gostosa, feia e mansa, habitante dos rios e oceanos, chegar aos quatrocentos anos pra ela é rotina, é confiança. Guarda ovos na areia e nen se cansa de por eles zelar como defesa, nascido os filhotes com presteza, nas águas revoltas já se jogam, por instinto da raça não se afogam e pelo santo poder da natureza… O canário é pássaro cantor, diferente de garça e pelicano, papagaio, arara e tucano, todos eles com majestosa cor, o gavião é um tipo caçador e columbiforme é a burguesa, o aquático flamingo é da represa, a águia rapace agigantada… Eis o mundo das aves a passarada, quanto é grande, poderosa e bela a natureza… A gazela, o antílope e o impala, a zebra e o alce felizardo, não habitam em comum com o leopardo, o leão e o tigre-de-bengala, o macaco faz tudo mas não fala por atraso da espécie, por franqueza, tem o búfalo aspecto de grandeza, o boi manso e o puma tão valente, cada um de uma espécie diferente, tudo isso é obra da natureza… Acho também interessante o réptil de aspecto esquisito, o pequeno tamanho do mosquito, a tromba prênsil do elefante, a saliva incolor do ruminante, a mosca nociva e indefesa, a cobra que ataca de surpresa, aplicar o veneno é seu mister, de uma vez mata trinta se puder, mas isso é coisa da natureza… No nordeste há quem diga que o corão, possui certos poderes encantados, através de fenômenos variados prevê a mudança de estação. De fato no auge do verão ele entoa seu cântico de tristeza, de repente um milagre, uma surpresa, cai a chuva benéfica e divina, quem lhe diz, quem lhe mostra, quem lhe ensina?… Só pode ser o autor da natureza… Quem é que não sabe que o morcego com o rato bastante se parece, nas cavernas escuras sobe e desce, sugar sangue dos outros é seu emprego, às noites escuras tem apego, asqueroso ele é tenho certeza, tem na vista sintoma de fraqueza, porém o seu ouvido é muito fino e um sonar aparelho pequenino, que lhe deu o autor da natureza… Admiro a formiga pequenina, fidalga inimiga da lavoura, no trabalho aplicado professora, um exemplo de pura disciplina, através das antenas se combina, nos celeiros alheios faz limpeza, formigueiro é a sua fortaleza, onde cada uma delas tem emprego, uma entra outra sai, não tem sossego, isso é coisa da santa natureza… A aranha pequena, tão arguta, de finíssimos fios faz a teia, nesse mundo almoça, janta e ceia, é ali que passeia, vive e luta, labirinto intrincado ela executa, seu trabalho é bordado em qualquer mesa, quem pensar destruir-lhe a fortaleza, perderá de uma vez toda a esperança, sua rede é autêntica segurança, operária das mãos da natureza… A planta firmada no junquilho, begônia, tulipa, margarida, as pedras riquíssimas da jazida, com a cor, o valor, a luz, o brilho, a prata e o ouro cor de milho, o brilhante, a opala e a turquesa, a pérola das jóias da princesa é difícil, valiosíssima e até alguém pensa ser vidro mas não é. É um milagre da santa natureza… O inseto do sono tsé-tsé, as flores gentis com seus narcóticos, as ervas que dão antibióticos, a mudança constante da maré, a feiúra real do caboré, no pavão é enorme a boniteza, tem o lince visão e agudeza e o cachorro finíssima audição, vigilante mal pago do patrão, isso é coisa da santa natureza?… A cigarra cantante dialoga, através do seu canto intermitente, de inverno a verão canta contente e a sua canção não sai da voga… Qualquer árvore é a sua sinagoga, não procura comida pra despesa, sua música sinônimo de tristeza, patativa da seca é o seu nome, se deixar de cantar morre de fome, mas isso a gente sabe que é da natureza…“ (Xangai – Natureza – Comp.: Ivanildo Vilanova e Xangai )

“…Inconto a sulina amansa, ricostado aqui no chão, na sombra dos imbuzêro vomo entrano in descursão, é o tempo que os pé discança e isfria os calo das mia mão, vô poiano nessa trança a vida in descursão. na sombra dos imbuzêro, no canto de amarração… tomo falano da vida felá vida do pião, incontro a sulina amansa e isfria os calo na mão, u’a vontade, é a qui me dá, tali cuma u’a tentação, dum dia arresolvê infiá os pé pelas mão, pocá arrôcho pocá cia, jogá a carga no chão… i rinchá nas ventania quebrada dos chapadão, nunca mais vim num currá, nunca mais vê rancharia é a ceguêra de dexá um dia de sê pião, num dançá mais amarrado, pru pescoço cum cordão de num sê mais impregado e tomem num sê patrão… U’a vontade é a qui me dá dum dia arresolvê jogá a carga no chão, cumo a cigarra e a furmiga, vô levano meu vive, trabaiano pra barriga e cantano inté morre, venceno a má fé e a intriga do Tinhoso as tentação… Cortano foias pra amiga, parano ponta c’as mão, cumo a cigarra e a furmiga, cantano e gaiano o pão… Vô cantano inconto posso, apois sonhá num posso não. No tempo qui acenta o almoço, eu soin qui num sô mais pião, u’a vontade aqui me dá dum dia arresolvê, quebrá a cerca da manga e dexá de sê boi manso, e dexá carro dexá canga de trabaiá sem discanço… Me alevanta nos carrasco, lá nos derradêro sertão, vazá as ponta afiá os casco, boi turuna e barbatão. É a ceguêra de dexá um dia de sê pião, de num comprá nem vende, robá isso tomem não, de num sê mais impregado e tomem num sê patrão… U’a vontade aqui me dá dum dia arresolvê, boi turuna e barbatão, toda veiz qui vô cantá o canto de amarração, me dá um pirtucho na guela e um nó no coração, mais a canga no pescoço, Deus ponho pri modi Adão, dessa Lei nunca me isqueço, cum suo cume o pão… Mermo Jesus cuano moço, na Terra tomem foi pião. E toda veiz que eu fô cantá, pra mim livrá da tentação, pr’essa cocêra cabá, num canto mais amarração…” (Elomar Filgueiras – o Peão na amarração – Comp.: Elomar Filgueiras)

Veja outras pérolas destes grandes artistas da MPB:

“Não deixe de manifestar gratidão aos membros de sua família, aos amigos e conhecidos. Não é, porém, da gratidão comum, que consiste em dizer “muito obrigado”, que estamos falando. É de gratidão continuada, demonstrada em nosso exemplo, pelo fato de eles nos cercarem com seu afeto e contribuírem para nosso aperfeiçoamento, com sua ajuda e até com suas incompreensões.” (Minutos de Sabedoria Pg. 231)

Boa noite pessoal,

O dia corrido de ontem e hoje só me permitiram trazer o “Trabalhando com Poesia” agora. Minhas desculpas pela ausência de ontem, mas, as vezes é assim mesmo. Cabe a nós ajustarmos o caminhar.

A vida é sempre uma escola fantástica. Mesmo nos momentos de dores, de desencantos, de desencontros, ela nos mostra que os caminhos estão sempre abertos a nossa frente. Só nos cabe perceber e não ter medo de abrir as portas, como diria Içami Tiba.

Não há o que lamentar um amor perdido. Se ele se foi, é por que cumpriu seu caminhar. Cabe a você perceber que cada um veio ao mundo para ser feliz, e para ser feliz com alguém e por alguém, é necessário primeiramente ser feliz consigo mesmo e por você mesmo. Que tenhamos a capacidade de enxergar isso e, mais que nunca possamos por isso em prática.

Ontem e hoje, duas situações relativas ao transporte urbano da RMS me dão a nítida certeza de que algo precisa ser feito na direção da humanização deste serviço. Não sei as razões, mas, a cada dia percebo motoristas e cobradores em condutas muito ruins, seja do ponto de vista da direção perigosa, seja na conduta com seus passageiros. Governos, AGERBA, Empresas, todos, necessitam intervir de forma qualificada nesta problemática.

Na nossa sugestão de leitura de hoje: “Veríssimo pede desculpas à imprensa”, Por Altamiro Borges – “Irônico e certeiro, o escritor Luis Fernando Veríssimo comenta nesta quinta-feira (8) na sua coluna no jornal O Globo a “surpreendente” cobertura da mídia nativa sobre o escândalo do propinoduto em São Paulo. “Me desculpe, grande imprensa nacional”, brinca. Ele lembra de caso do “mensalão” do PSDB de Minas Gerais que foi engolido pelo “pântano silencioso” da mídia e critica “os sistemas métricos diferentes” utilizados nas coberturas jornalísticas. Genial. Vale conferir:”

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=8c84974a7c5b56145b54496b1695cc09&cod=12167

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2013/08/09/trabalhando-com-poesia-486/

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma sexta-feira abençoada por Deus e coberta pela paz do Alá de Oxalá! Bom final de semana e até segunda feira.

Apio Vinagre Nascimento
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Já és minha (Pablo Neruda)

Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite sobra suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como âmbar dormido.
Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos.
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma mais viajará pela sombra comigo,
só tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo,
teus olhos se fecharam como duas asas cinzas.
Enquanto eu sigo a água que levas e me leva:
a noite, o mundo, o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho.

O Vento na Ilha (Pablo Neruda)

Vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como ele corre o mundo
para levar-me longe.
Esconde-me em teus braços
por esta noite erma,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.
Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me longe.
Como tua fronte na minha,
tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra,
enquanto eu, protegido
sob teus grandes olhos,
por esta noite só
descansarei, meu amor.

Antes de Amar-te… (Pablo Neruda)

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Angela Adonica (Pablo Neruda)

Hoje deitei-me junto a uma jovem pura
como se na margem de um oceano branco,
como se no centro de uma ardente estrela
de lento espaço.
Do seu olhar largamente verde
a luz caía como uma água seca,
em transparentes e profundos círculos
de fresca força.
Seu peito como um fogo de duas chamas
ardía em duas regiões levantado,
e num duplo rio chegava a seus pés,
grandes e claros.
Um clima de ouro madrugava apenas
as diurnas longitudes do seu corpo
enchendo-o de frutas extendidas
e oculto fogo.

Os Teus Pés (Pablo Neruda)

Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,
Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
A duplicada purpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram vôo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.

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