Trabalhando com Poesia

“… Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu, porque a vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu… Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não, não há mal pior do que a descrença, mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão, abre os teus braços, meu irmão, deixa cair, pra que somar se a gente pode dividir, eu francamente já não quero nem saber, de quem não vai porque tem medo de sofrer, ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão…” (Vinicius de Moraes – Como Dizia o Poeta – Comp.: Vinicius de Moraes / Toquinho)

“…Maria era uma boa moça prá turma lá do Gantois, era Maria vai com as outras, Maria de cozer, Maria de casar, porém o que ninguém sabia é que tinha um particular: Além de cozer, além de rezar, também era Maria de pecar… Tumba é caboclo, tumba lá e cá, tumba é guerreiro, tumba lá e cá, tumba é meu pai, tumba lá e cá, não me deixe só… Tumba é caboclo, tumba lá e cá, tumba é guerreiro, tumba lá e cá, tumba é meu pai, tumba lá e cá, não me deixe só… Maria que não foi com as outras, Maria que não foi pro mar, no dia dois de fevereiro, Maria não brincou na festa de Iemanjá, não foi jogar água de cheiro, nem flores pra sua Orixá, aí Iemanjá pegou e levou o moço de Maria para o mar… Tumba é caboclo, tumba lá e cá, tumba é guerreiro, tumba lá e cá, tumba é meu pai, tumba lá e cá, não me deixe só… Tumba é caboclo, tumba lá e cá, tumba é guerreiro, tumba lá e cá, tumba é meu pai, tumba lá e cá, não me deixe só… Até hoje ainda se fala, das rodas lá do Gantois, que triste era de ver Maria, na sala onde ela ia, pra se manifestar, a gente ainda se admira, seu gira-gira sem parar. Maria girou! deixaram girar e a turma não parava de cantar:.. Tumba é caboclo, tumba lá e cá, tumba é guerreiro, tumba lá e cá, tumba é meu pai, tumba lá e cá, não me deixe só… Tumba é caboclo, tumba lá e cá, tumba é guerreiro, tumba lá e cá, tumba é meu pai, tumba lá e cá, não me deixe só…” (Vinicius de Moraes – Maria Vai Com As Outras – Comp.: Toquinho/Vinícius)

“…Acabou nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções, ninguém passa mais brincando feliz e nos corações saudades e cinzas foi o que restou. Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê, que nem se sorri, se beija e se abraça e sai caminhando, dançando e cantando cantigas de amor e no entanto é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar é preciso cantar e alegrar a cidade… A tristeza que a gente tem qualquer dia vai se acabar, todos vão sorrir, voltou a esperança é o povo que dança contente da vida, feliz a cantar, porque são tantas coisas azuis e há tão grandes promessas de luz. Tanto amor para amar de que a gente nem sabe… Quem me dera viver pra ver e brincar outros carnavais, com a beleza dos velhos carnavais, que marchas tão lindas é o povo cantando seu canto de paz, seu canto de paz… (Vinicius de Moraes – Marcha De Quarta-Feira De Cinzas – Comp.: Vinicius de Moraes / Carlos Lyra)

“… Vai tua vida, teu caminho é de paz e amor, vai tua vida é uma linda canção de amor, abre os teus braços e canta a última esperança, a esperança divina de amar em paz… Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver, uma canção pelo ar, uma mulher a cantar, uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir a beleza de amar, como o sol, como a flor, como a luz, amar sem mentir, nem sofrer… Existiria verdade, verdade que ninguém vê, se todos fossem no mundo iguais a você…”(Vinicius de Moraes – Se todos fossem iguais a você – Comp.: Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

“… De tudo, ao meu amor serei atento, antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto, que mesmo em face do maior encanto, dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento e em seu louvor hei de espalhar meu canto e rir meu riso e derramar meu pranto, ao seu pesar ou seu contentamento e assim, quando mais tarde me procure, quem sabe a morte, angústia de quem vive, quem sabe a solidão, fim de quem ama, eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure…” (Vinicius de Moraes – Soneto de fidelidade – Comp.: Vinicius de Moraes / Capiba)

Confira outros sucessos de Vinicius de Moraes:

“Controle o tom de sua voz! Já verificou como é desagradável quando alguém se dirige a você em tom áspero? Pois, faça aos outros o que gosta que os outros façam a você. Mesmo quando repreender, faça-o com voz calma e educada, como gostaria que o repreendessem quando você erra. Lembre-se de que, em geral, somos odiados ou amados, de acordo com o tom de voz que empregamos.” (Minutos de Sabedoria Pg. 284)

Bom dia pessoal,

Mais um final de semana chegando e com ele a nossa expectativa de momentos de tranquilidade e de paz. Mais uma noite de tristeza para a torcida tricolor. Jogando pessimamente, com direito a duas cobranças perdidas (pessimamente cobradas por sinal) e sofrer pressão do adversário por todo segundo tempo, o Bahia foi desclassificado da Copa Sul Americana, após vencer a partida nos 90 minutos iniciais por 1×0. O Nacional de Medelin além de merecer vencer no tempo normal foi mais competente nas cobranças da marca do penalty.

A presidenta Dilma Rousseff anunciou, nesta quinta-feira (24), no Palácio do Planalto, os 310 projetos de pavimentação e saneamento selecionados para receber investimentos do governo federal no âmbito da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento. Os investimentos vão beneficiar 1,2 mil municípios. São R$ 13,5 bilhões no total, dos quais R$ 10,5 bilhões para saneamento, e R$ 3 bilhões para pavimentação. Segundo a presidenta, é um volume expressivo de recursos e um investimento legítimo.

“Esgoto não é magnífico na aparência, tem que estar enterrado, tratado, bem coletado e se traduz em projetos técnicos de alta qualidade. Nesses dois anos e meio, um pouco mais, investimos R$ 39 bilhões e vamos continuar investindo sistematicamente, porque tanto tratamento de esgoto como acesso a água de qualidade são duas questões essenciais”, afirmou.

Os recursos serão para pavimentação de 7,5 mil quilômetros de vias e recapeamento e implantação de ciclovias, além de 15 mil quilômetros de calçadas, sinalização, acessibilidade e faixas de pedestres. Na área de saneamento, os recursos serão para obras de sistemas de drenagem de águas pluviais, redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Antes da cerimônia, no Twitter, a presidenta afirmou que “colocar tanto dinheiro em saneamento e pavimentação seria impensável uma década atrás”. Dilma lembrou, já na cerimônia, que, em 2005, o valor disponível para investimento na área, em todo o Brasil, era limitado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em R$ 500 milhões.

“Lutávamos dia sim outro também para aumentar o investimento na área de saneamento. Tínhamos consciência de que não tinha investimento, e os problemas eram imensos. (…) Era essa a realidade, para investir em todo o Brasil. Essa era a realidade dos saneamento. porque, se o governo não tinha dinheiro, se o estado ou o município não tinham, não tinha projeto, engenheiro e não se fazia obra de saneamento”, destacou.

Confira o vídeo da cerimônia:

Nas nossas sugestões de leitura de hoje, dois textos do site Brasil 247. Vale a pena conferir:

Dilma leva em um turno nos quatro cenários Ibope – No quadro atual, não tem pra ninguém: a presidente Dilma Rousseff venceria as eleições presidenciais de 2014 em primeiro turno nos quatro cenários pesquisados pelo Ibope; contra Aécio Neves e Eduardo Campos, cenário mais provável, ela teria 41%, contra 14% do tucano e 10% do socialista; contra os “reservas” Marina Silva e José Serra, briga seria mais dura, mas ela venceria com 39%, contra 21% da ex-senadora e 16% do ex-governador paulista (…)

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/118767/Dilma-leva-em-um-turno-nos-quatro-cen%C3%A1rios-Ibope.htm

PT de “alma guerreira” fatura Bolsa Família na TV – Com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula no centro do filme do partido que vai ao ar nesta quinta-feira 24, PT comemora 10 anos do programa social que transfere renda do Estado para os cidadãos mais pobres; Mais Médicos merece destaque como novo marco de realização social da legenda; produzidos pela equipe do marqueteiro João Santana, seus dez minutos começam comparando desemprego e estagnação econômica na Europa com criação de postos de trabalho no Brasil; “Brasil fez, faz e fará”, diz Dilma; tendência é oposição se morder; vídeo (…)

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/118756/PT-de-alma-guerreira-fatura-Bolsa-Fam%C3%ADlia-na-TV.htm

Mantega: FMI é “equivocado e incoerente” – Ministro da Fazenda bate duro no relatório do FMI que critica a política fiscal brasileira e mereceu destaque alarmista na imprensa brasileira. “Em 2009, o FMI uniu-se a nós no G20 para enfrentar essa crise e recomendou que os países concedessem estímulos fiscais. Depois houve uma recaída. O Brasil continuou dando estímulos fiscais, mas outros países não deram. O que aconteceu? Os países europeus caíram numa recessão”, disse o ministro. “O FMI continuou reclamando, dizendo que os países exageraram no ajuste fiscal. Então me parece absolutamente incoerente o relatório.” (…)

http://www.brasil247.com/pt/247/economia/118764/Mantega-FMI-%C3%A9-equivocado-e-incoerente.htm

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2013/10/24/trabalhando-com-poesia-535

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma sexta-feira abençoada por Deus e coberta pela paz do Alá de Oxalá! Bom final de semana e até segunda feira.

Apio Vinagre Nascimento
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ANTIGUIDADES – Cora Coralina

Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.

Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmã mais velha
governava. Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada…
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais!
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada.
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.

Por dá-cá-aquela-palha,
ralhos e beliscão.
Palmatória e chineladas
não faltavam.
Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
“Tomando propósito”.
Expressão muito corrente e pedagógica.

Aquela gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.
Mas, as visitas…
– Valha-me Deus !…
As visitas…
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas !

Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversar
que davam sono.
Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntos
de licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita – alta, magrinha.
Lili – baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:
“- Lili é a bengala de D. Benedita”.
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
Rendidos de sono, davam o fora.
No fim, só ficava mesmo, firme,
minha bisavó.

D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.
Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço.

Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando “causos” infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.

De manhã cedo
quando acordava,
estremunhada,
com a boca amarga,
– ai de mim –
via com tristeza,
sobre a mesa:
xícaras sujas de café,
pontas queimadas de cigarro.
O prato vazio, onde esteve o bolo,
e um cheiro enjoado de rapé.

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