Trabalhando com Poesia

“… Mamãe, não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito e alguém pode querer me assassinar, eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz, não quero ir de encontro ao azar… Papai não quero provar nada, eu já servi à Pátria amada, e todo mundo cobra minha luz, minha luz… Oh, coitado, foi tão cedo, Deus me livre, eu tenho medo, morrer dependurado numa cruz… Eu não sou besta pra tirar onda de herói, sou vacinado, eu sou cowboy, cowboy fora da lei… Durango Kid só existe no gibi, e quem quiser que fique aqui, entrar pra história é com vocês! … Mamãe, não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito e alguém pode querer me assassinar, eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz, não quero ir de encontro ao azar… Papai não quero provar nada, eu já servi à Pátria amada, e todo mundo cobra minha luz, minha luz… Oh, coitado, foi tão cedo, Deus me livre, eu tenho medo, morrer dependurado numa cruz… Eu não sou besta pra tirar onda de herói, sou vacinado, eu sou cowboy, cowboy fora da lei… Durango Kid só existe no gibi, e quem quiser que fique aqui, entrar pra história é com vocês! … Eu não sou besta pra tirar onda de herói, sou vacinado, eu sou cowboy, cowboy fora da lei… Durango Kid só existe no gibi, e quem quiser que fique aqui, entrar pra história é com vocês! …” (Raul Seixas – Cowboy fora da lei – Comp.: Cláudio Roberto / Raul Seixas)

“… Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego, sou um dito cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês… Eu devia agradecer ao Senhor, por ter tido sucesso na vida como artista, eu devia estar feliz porque consegui comprar um Corcel 73… Eu devia estar alegre e satisfeito, por morar em Ipanema, depois de ter passado fome por dois anos, aqui na Cidade Maravilhosa… Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso, por ter finalmente vencido na vida, mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa… Eu devia estar contente
por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso abestalhado, que eu estou decepcionado… Porque foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto “E daí?”, eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar e eu não posso ficar aí parado… Eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo, pra ir com a família, no Jardim Zoológico, dar pipoca aos macacos… Ah! mas que sujeito chato sou eu, que não acha nada engraçado, macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco… É você olhar no espelho, se sentir um grandessíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal… E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial, que está contribuindo com sua parte, para o nosso belo quadro social… Eu é que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar… Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais, no cume calmo do meu olho que vê, assenta a sombra sonora de um disco voador… Eu é que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar… Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais, no cume calmo do meu olho que vê, assenta a sombra sonora de um disco voador…” (Raul Seixas – Ouro de tolo – Comp.: Raul Seixas)

“… Muitas vezes, Pedro, você fala, sempre a se queixar da solidão, quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro, é pena que você não sabe não… Vai pro seu trabalho todo dia, sem saber se é bom ou se é ruim, quando quer chorar vai ao banheiro, Pedro, as coisas não são bem assim… Toda vez que eu sinto o paraíso, ou me queimo torto no inferno, eu penso em você meu pobre amigo, que só usa sempre o mesmo terno… Pedro, onde você vai eu também vou, Pedro, onde você vai eu também vou, mas tudo acaba onde começou… Tente me ensinar das tuas coisas, que a vida é séria, e a guerra é dura, mas se não puder, cale essa boca, Pedro, e deixa eu viver minha loucura… Lembro, Pedro, aqueles velhos dias, quando os dois pensavam sobre o mundo, hoje eu te chamo de careta, Pedro, e você me chama vagabundo… Pedro, onde você vai eu também vou, Pedro, onde você vai eu também vou, mas tudo acaba onde começou… Todos os caminhos são iguais, o que leva à glória ou à perdição, há tantos caminhos, tantas portas, mas somente um tem coração… E eu não tenho nada a te dizer, mas não me critique como eu sou, cada um de nós é um universo, Pedro, onde você vai eu também vou… Pedro, onde você vai eu também vou, Pedro, onde você vai eu também vou, mas tudo acaba onde começou… É que tudo acaba onde começou…” (Raul Seixas – Meu amigo Pedro – Comp.: Paulo Coelho e Raul Seixas)

“Embora sozinho, continue a caminhada! Se todos o abandonarem, prossiga sua jornada. Se as trevas crescerem em seu redor, mais uma razão para que você mantenha acesa a pequenina chama de sua fé. Não deixe que sua luz se apague, para que você mesmo não fique em trevas. Ilumine, com sua luz, as trevas que o circundam.” (Minutos de Sabedoria Pg. 007)

Boa noite pessoal,

Como foram de final de semana? Espero que bem. Mais uma semana se inicia e com ela se renovam as nossas expectativas de novas conquistas, de realizações e de sucesso.

Após duas semanas afastado, o “Trabalhando com Poesia está de volta. Essas semanas, até o final de ano, homenagearemos João Cabral de Melo Neto, autor de uma das mais belas obras da cultura brasileiro, Morte e Vida Severina, entre outras. No prefácio musical, essa semana ganha a musicalidade visionária e ativa de Raul Seixas. Espero que curtam.

Na edição de amanhã abordaremos a lambança no Futebol brasileiro. Hoje, por conta do horário, passaremos as dicas de leitura.

Nas nossas sugestões de leitura de hoje, dois textos do site Brasil 247. Vale a pena conferir:

Da BMW para derrotistas: “o Brasil é um BMW” – Num editorial histórico, publicado nos jornais brasileiros, que hoje exercem um pessimismo militante, a montadora alemã BMW dá uma lição aos fracassomaníacos. “O Brasil passou de mero espectador a vibrante realizador. Deixou de ser aquele sujeito que ficava à beira da estrada, só assistindo aos carros passarem, para virar motor do seu próprio destino”, diz o texto; “Se alguns duvidam do Brasil, nós investimos 200 milhões de euros”; ao que tudo indica, os alemães não se informam pela imprensa brasileira (…)

http://www.brasil247.com/pt/247/economia/124223/Da-BMW-para-derrotistas-o-Brasil-%C3%A9-um-BMW.htm

Vitória do Tapetão: Portuguesa tende a ser rebaixada – Time paulista deverá jogar a série B em 2014, decidiu o Superior Tribunal de Justiça Desportiva nesta segunda-feira 16; julgamento, porém, é de primeira instância, cabendo recurso pelo clube punido, que perdeu quatro pontos e terá de pagar uma multa de R$ 1 mil

http://www.brasil247.com/pt/247/esporte/124221/Vit%C3%B3ria-do-Tapet%C3%A3o-Portuguesa-tende-a-ser-rebaixada.htm

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2013/12/17/trabalhando-com-poesia-545

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma Segunda-feira abençoada por Deus e repleta da energia positiva.

Apio Vinagre Nascimento
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Tecendo a Manhã – João Cabral de Melo Neto

1

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

2

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

O Relógio – João Cabral de Melo Neto

1.

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Uma vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade

que continua cantando
se deixa de ouvi-lo a gente:
como a gente às vezes canta
para sentir-se existente.

2.

O que eles cantam, se pássaros,
é diferente de todos:
cantam numa linha baixa,
com voz de pássaro rouco;

desconhecem as variantes
e o estilo numeroso
dos pássaros que sabemos,
estejam presos ou soltos;

têm sempre o mesmo compasso
horizontal e monótono,
e nunca, em nenhum momento,
variam de repertório:

dir-se-ia que não importa
a nenhum ser escutado.
Assim, que não são artistas
nem artesãos, mas operários

para quem tudo o que cantam
é simplesmente trabalho,
trabalho rotina, em série,
impessoal, não assinado,

de operário que executa
seu martelo regular
proibido (ou sem querer)
do mínimo variar.

3.

A mão daquele martelo
nunca muda de compasso.
Mas tão igual sem fadiga,
mal deve ser de operário;

ela é por demais precisa
para não ser mão de máquina,
a máquina independente
de operação operária.

De máquina, mas movida
por uma força qualquer
que a move passando nela,
regular, sem decrescer:

quem sabe se algum monjolo
ou antiga roda de água
que vai rodando, passiva,
graçar a um fluido que a passa;

que fluido é ninguém vê:
da água não mostra os senões:
além de igual, é contínuo,
sem marés, sem estações.

E porque tampouco cabe,
por isso, pensar que é o vento,
há de ser um outro fluido
que a move: quem sabe, o tempo.

4.

Quando por algum motivo
a roda de água se rompe,
outra máquina se escuta:
agora, de dentro do homem;

outra máquina de dentro,
imediata, a reveza,
soando nas veias, no fundo
de poça no corpo, imersa.

Então se sente que o som
da máquina, ora interior,
nada possui de passivo,
de roda de água: é motor;

se descobre nele o afogo
de quem, ao fazer, se esforça,
e que êle, dentro, afinal,
revela vontade própria,

incapaz, agora, dentro,
de ainda disfarçar que nasce
daquela bomba motor
(coração, noutra linguagem)

que, sem nenhum coração,
vive a esgotar, gota a gota,
o que o homem, de reserva,
possa ter na íntima poça.

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