Trabalhando com Poesia

“… Pra ser sincero não espero de você mais do que educação, beijo sem paixão, crime sem castigo, aperto de mãos, apenas bons amigos… Pra ser sincero não espero que você minta, não se sinta capaz de enganar, quem não engana a si mesmo… Nós dois temos os mesmos defeitos, sabemos tudo a nosso respeito, somos suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos… Pra ser sincero não espero de você mais do que educação, beijo sem paixão, crime sem castigo, aperto de mãos, apenas bons amigos… Pra ser sincero não espero que você me perdoe, por ter perdido a calma, por ter vendido a alma ao diabo… Um dia desses, num desses encontros casuais, talvez a gente se encontre, talvez a gente encontre explicação… Um dia desses, num desses encontros casuais, talvez eu diga: “Minha amiga, pra ser sincero, prazer em vê-la, até mais… Nós dois temos os mesmos defeitos, sabemos tudo a nosso respeito, somos suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos…” (Engenheiros do Hawaii – Pra ser sincero – Comp.: Humberto Gessinger / Augusto Licks)

“… O que você me pede eu não posso fazer, assim você me perde e eu perco você, como um barco perde o rumo, como uma árvore no outono perde a cor… O que você não pode, eu não vou te pedir, o que você não quer, eu não quero insistir, diga a verdade, doa a quem doer, doe sangue e me dê seu telefone… Todos os dias eu venho ao mesmo lugar, às vezes fica longe, difícil de encontrar, mas quando neon é bom, toda noite é noite de luar… No táxi que me trouxe até aqui, Julio Iglesias me dava razão, no clipe Paul Simon tava de preto, mas na verdade não era não… Na verdade, “nada” é uma palavra esperando tradução… Toda vez que falta luz, toda vez que algo nos falta, o invisível nos salta aos olhos, um salto no escuro da piscina… O fogo ilumina muito, por muito pouco tempo, muito pouco tempo, e muito pouco tempo… O fogo apaga tudo, tudo um dia vira luz, toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos… Ontem à noite, eu conheci uma guria, já era tarde, era quase dia. Era o princípio num precipício, era o meu corpo que caía… Ontem à noite, a noite tava fria, tudo queimava, nada aquecia, ela apareceu, parecia tão sozinha, parecia que era minha aquela solidão… Ontem à noite, eu conheci uma guria, que eu já conhecia de outros carnavais, com outras fantasias… Ela apareceu, parecia tão sozinha, parecia que era minha aquela solidão… No início era um precipício, um corpo que caía, depois virou um vício, foi tão difícil, acordar no outro dia… Ela apareceu, parecia tão sozinha, parecia que era minha aquela solidão, parecia que era minha aquela solidão…” (Engenheiros do Hawaii – Piano Bar – Comp.: Humberto Gessinger)

“… O melhor esconderijo, a maior escuridão, já não servem de abrigo, já não dão proteção… A Líbia é bombardeada, a libido e o vírus, o poder, o pudor, os lábios e o batom… O melhor esconderijo, a maior escuridão, já não servem de abrigo, já não dão proteção… A Líbia é bombardeada, a libido e o vírus, o poder, o pudor, os lábios e o batom… Que a chuva caia, como uma luva, um dilúvio, um delírio, que a chuva traga, alívio imediato… Que a noite caia, de repente caia, tão demente quanto um raio, que a noite traga alívio imediato… Há espaço pra todos, há um imenso vazio, nesse espelho quebrado por alguém que partiu… A noite cai de alturas impossíveis, e quebra o silêncio, e parte o coração… Há um muro de concreto, entre nossos lábios, há um muro de Berlim dentro de mim… Tudo se divide, todos se separam, duas Alemanhas, duas Coreias, tudo se divide, todos se separam… Que a chuva caia, como uma luva, um dilúvio, um delírio, que a chuva traga, alívio imediato… Que a noite caia, de repente caia, tão demente quanto um raio, que a noite traga alívio imediato… Tudo se divide, tudo se separa… Tudo se divide, tudo se separa… Que a chuva caia, como uma luva, um dilúvio, um delírio, que a chuva traga, alívio imediato… Que a noite caia, de repente caia, tão demente quanto um raio, que a noite traga alívio imediato… Alívio… Alívio… Alívio…” (Engenheiros do Hawaii – Alivio Imediato – Comp.: Humberto Gessinger)

“Cumprimente a seus amigos com alegria. Muitas vezes, uma simples saudação alegre e espontânea conquista um coração e consola uma dor. A saudação triste e acabrunhada pode instilar veneno num coração alegre. Derrame alegria e bondade, ao encontrar uma pessoa conheci da, e já terá conquistado os benefícios de uma boa ação meritória. Que seus amigos sintam o calor de seu coração afetuoso no simples.” (Minutos de Sabedoria Pg. 022)

Bom dia pessoal,

Como foram de final de semana? Espero que bem. No último sábado tivemos a oportunidade de mais uma vez participar da lavagem do Padroeiro Santo Amaro de Ipitanga. De tudo o quanto vimos, algumas constatações: inicialmente verificou-se uma diminuição concreta das representações políticas da cidade no evento. O Governo, que se vangloria de ter conquistado uma maioria folgada na Câmara só conseguiu levar o Recém empossado Vereador Zé Augusto, beneficiado pela assunção do Vereador Alexandre Marques ao cargo de Secretário de Cultura. Este último inclusive protagonista de uma cena a ser analisada em breve sob o ponto de vista jurídico. É legal alguém que ocupa o cargo de Secretário Municipal de Cultura ter na festa custeada por sua secretaria, um trio elétrico, com banda de nome nacional, com farta propaganda do seu nome? Sendo legal, é moral? Respeita o princípio da impessoalidade que norteia a administração pública? Saberemos em breve, assim como outras questões.

Trio 1

Trio 2

Trio 3

A segunda constatação deve ter aceso a luz vermelha na casa dos felinos e de seus seguidores. A presença da ex-Prefeita e atual Secretária de Desenvolvimento Social e combate à Pobreza Moema Gramacho foi uma demonstração inequívoca do prestígio que detém junto à população da cidade. Juntamente com os Deputados Rosemberg Pinto e Joseildo Ramos Moema foi saudada efusivamente pelos que participavam da festa. Em determinado momento, ao estar com as Baianas do cortejo Oficial, Moema foi cercada pelas mesmas aos gritos de “Moema, Moema, Moema” e ”ninguém para essa mulher, ninguém, ninguém para não…”, tudo sob o olhar atônito do alcaide cercado pelos seu séquito e entrevistado pela sua ex-secretária repórter.

Moem e Baianas 2

Moema e Baianas 1

A popularidade de Moema levou inclusive o blogueiro governamental a dizer impropérios a lideranças representativas da nossa cidade com ameaças de quem tem a estranha mania de se moldar aos ditames de quem lhe paga. Triste cena!!

O “Trabalhando com Poesia” dessa semana segue nas letras de Pessoa, desta vez, através de seu heterônimo Álvaro de Campos.

Álvaro de Campos (Tavira ou Lisboa , 13 ou 15 de Outubro de 1890?) é um dos heterónimos mais conhecidos, verdadeiro alter ego do escritor português Fernando Pessoa, que fez uma biografia para cada uma das suas personalidades literárias, a que chamou heterónimos. Como alter ego de Pessoa, Álvaro de Campos sucedeu a Alexander Search, um heterónimo que surgiu ainda na África do Sul, onde Pessoa passou a infância e adolescência. Depois de “uma educação vulgar de liceu” Álvaro de Campos foi “estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval” em Glasgow, realizou uma viagem ao Oriente, registrada no seu poema “Opiário”, e trabalhou em Londres, Barrow on Furness e Newcastle on Tyne (1922). Desempregado, teria voltado para Lisboa em 1926, mergulhando então num pessimismo decadentista.

A heteronimia

Em 13 de Janeiro de 1935, Fernando Pessoa escreveu uma longa carta ao escritor e crítico literário Adolfo Casais Monteiro, que lhe solicitara resposta a algumas questões, designadamente sobre a génese dos heterónimos. Em resposta, Pessoa fez uma «história directa» dos seus principais heterónimos, que considera serem Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. “Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construi-lhes as idades e as vidas”.

Criei, então, uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria.


Fernando Pessoa, Correspondência (1923-1935),
edição: Manuela Parreira da Silva, Lisboa: Assírio & Alvim, 1999, pp. 343-344.

Quanto a Bernardo Soares, “ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa” e autor do Livro do Desassossego, uma das suas mais conhecidas personalidades literárias, Pessoa esclarece que ele não é um verdadeiro heterónimo: “O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade”.

Álvaro de Campos por Fernando Pessoa

Na referida carta para Adolfo Casais Monteiro, Pessoa afirma que entrava na personalidade de Álvaro de Campos quando sentia “um súbito impulso para escrever” e não sabia o quê, exprimindo através dele “toda a emoção” que não dava nem a si nem à vida:

Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente.

Começo pela parte psiquiátrica. […]

Se eu fosse mulher — na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas — cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem — e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia […].

E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos — a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem. […]

Quando foi da publicação de “Orpheu”, foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema «antigo» do Álvaro de Campos — um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão […].

Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1.30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. […]

Álvaro de Campos é alto (1,75 m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada […] entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. […]

Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre. […]


Fernando Pessoa, Correspondência (1923-1935),
edição: Manuela Parreira da Silva, Lisboa: Assírio & Alvim, 1999, pp. 340-344.

Álvaro de Campos por Álvaro de Campos

No poema “Opiário”, publicado no primeiro número da revista Portuguesa Orpheu, supostamente escrito em Março de 1914, no “canal de Suez, a bordo”, e dedicado ao “Senhor Mário de Sá-Carneiro”, Álvaro de Campos descreve-se assim:

Eu, que fui sempre um mau estudante, agora
Não faço mais que ver o navio ir
Pelo canal de Suez a conduzir
A minha vida, canfora na aurora.
[…]
E fui criança como toda a gente.
Nasci numa provincia portuguêsa
E tenho conhecido gente inglêsa
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.
[…]
Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escóssia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avòzinha que anda
Pedindo esmólas ás portas da Alegria.
[…]
Volto á Europa descontente, e em sortes
De vir a ser um poeta sonambólico.
Eu sou monárquico mas não católico
E gostava de ser as coisas fortes.
[…]
Pertenço a um genero de portuguêses
Que depois de estar a India descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.
[…]
Caio no ópio por força. Lá querer
Que eu leve a limpo uma vida destas
Não se pode exigir. Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer,
[…]
Um inutil. Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente despresar os outros
E, ainda que co’os cotovêlos rôtos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou bélo!
[…]
E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh’alma!


ORPHEU — Revista Trimestral de Literatura,
n.º 1 — Janeiro-Fevereiro-Março de 1915, pp. 71-76.

A obra de Álvaro de Campos

Entre todos os heterónimos, Álvaro de Campos foi o único a manifestar fases poéticas diferentes. Houve três frases distintas na sua obra. Começou a sua trajectória como decadentista (influenciado pelo Simbolismo), mas logo adere ao Futurismo: é a chamada Fase Sensacionista, em que produz, com um estilo assemelhado ao de Walt Whitman (a quem dedicou um poema, a Saudação a Walt Whitman), versilibrista, jactante, e com uma linguagem eufórica onde abundam as onomatopeias, uma série de poemas de exaltação do Mundo moderno, do progresso técnico e científico, da industrialização e da evolução da Humanidade: Álvaro de Campos é muito influenciado por Marinetti, o fundador do futurismo. Após uma série de desilusões e crises existenciais, o seu niilista ou intimista: é conhecida como Fase Abúlicólica, e assemelha-se muito, sobretudo nas temáticas abordadas, à obra do Pessoa ortónimo: a desilusão com o Mundo em que vive, a tristeza, o cansaço («o que há em mim é sobretudo cansaço», assim começa um dos seus mais famosos poemas) leva-o a reflectir, de modo assaz saudosista, sobre a sua infância, passada na «velha casa»: infância arquetípica, de uma felicidade plena, é o contraponto ao seu presente. Uma fase caracterizada pelo cansaço e pelo sono que se denota bastante no poema pessimista Dactilografia da obra Poemas:

Que náusea de vida!
Que abjecção esta regularidade!
Que sono este ser assim !

No poema Aniversário Álvaro de Campos compara a sua infância, «o tempo em que festejava o dia dos meus anos» com o tempo presente, em que, afirma «já não faço anos. Duro. Somam-se-me dias». Este é talvez o exemplo mais acabado – e mais conhecido – dessa mitificação da infância, por contraste à tristeza e descrença do poeta no presente.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81lvaro_de_Campos

No prefácio Musical, teremos a presença dos Engenheiros do Hawai, uma das bandas brasileiras que mais curto. Espero que gostem.

Nas nossas sugestões de leitura de hoje, alguns textos do site Brasil 247. Vale a pena conferir:

O paradoxo Globo: em “crise”, mas bilionários? – Os irmãos Marinho se tornaram uma das famílias mais ricas do mundo, com patrimônio de US$ 23,6 bilhões, graças a um quase monopólio midiático que extrai mais de 99% de suas receitas do Brasil; segundo a Bloomberg, a fortuna dos Marinho cresce a cada dia, mas, apesar da prosperidade, eles vendem a ideia de que o País está mergulhado em profunda crise econômica; enquanto Miriam Leitão, no Globo, fala do “espectro” do rebaixamento, negado por agências de risco, Guilherme Fiúza, em Época, critica a “picaretagem” de Guido Mantega; correndo por fora, João Roberto Marinho, em editorial do seu jornal, afirma que o salário mínimo não pode mais subir no Brasil; é, pelo jeito, os Marinho gostam mesmo é de uma renda bem concentrada

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/126659/O-paradoxo-Globo-em-crise-mas-bilion%C3%A1rios.htm

Veto a rolezinho consagra o apartheid brasileiro – A lei é clara. Define como como crime “recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador” e as penas de reclusão variam de um a três anos; foi exatamente isso o que aconteceu ontem no shopping JK Iguatemi, quando uma triagem, respaldada por liminar judicial, impediu a entrada de jovens da periferia; em Itaquera, na zona leste, jovens foram agredidos com balas de borracha e cassetetes; repressão aos “rolezinhos” explicita o quanto o Brasil ainda tem que avançar em matéria de igualdade; ontem, três jovens foram presos em São Paulo

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/126654/Veto-a-rolezinho-consagra-o-apartheid-brasileiro.htm

Acusado de propina diz que fica no governo Alckmin – Secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo e um dos auxiliares mais próximos do governador Geraldo Alckmin, Rodrigo Garcia tenta sair da defensiva; agora, ele quer confrontar a versão de Everton Rheinrheimer, que o apontou, em depoimento à Polícia Federal, como um dos receptores de propinas da Siemens no Brasil; “Ele afirma que falou de comissão e propina comigo, mas que não foi quem entregou, não pode provar”, diz ele; sobre sair do governo, ele nem considera a hipótese; “A única recomendação que recebi do governador na virada do ano foi continuar acelerando os projetos”

http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/126644/Acusado-de-propina-diz-que-fica-no-governo-Alckmin.htm

Ataque: Baleiro sugere guilhotina no Maranhão – Compositor maranhense vê paralelos entre a situação atual do Maranhão e a Revolução Francesa, cujo marco foi a Queda da Bastilha, também uma prisão, no contraste entre o caos de Pedrinhas e a suntuosidade dos palácios nos estado; “A lista de compras é de um rigor e de uma opulência espantosos. Parece coisa da monarquia francesa nos dias que antecederam sua queda”, diz o compositor; “No presídio de Pedrinhas, cabeças são cortadas. Resta saber se, para além dos muros da prisão, alguém um dia irá para a guilhotina”

http://www.brasil247.com/pt/247/maranhao247/126621/Ataque-Baleiro-sugere-guilhotina-no-Maranh%C3%A3o.htm

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2014/01/13/trabalhando-com-poesia-560

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma Segunda-feira abençoada por Deus e repleta da energia positiva.

Apio Vinagre Nascimento
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Poema em linha reta – Álvaro de Campos

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Todas as cartas de amor são ridículas – Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

A Verdadeira Liberdade – Álvaro de Campos

A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim…
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!

Passos todos passinhos de criança…
Sorriso da velha bondosa…
Apertar da mão do amigo [sério?]…
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!

Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,
Dêem-me no púcaro velho de ao pé do pote
Da casa do campo da minha velha infância…
Eu bebia e ele chiava,
Eu era fresco e ele era fresco,
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.
Que é do púcaro e da inocência?
Que é de quem eu deveria ter sido?
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?

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