Trabalhando com Poesia

“… Eu entendo a noite como um oceano, que banha de sombras o mundo de sol, aurora que luta por um arrebol, em cores vibrantes e ar soberano… Um olho que mira nunca o engano, durante o instante que vou contemplar… Além, muito além, onde quero chegar, caindo a noite me lanço no mundo… Além do limite do vale profundo, que sempre começa na beira do mar… É na beira do mar… Olhe, por dentro das águas há quadros e sonhos, e coisas que sonham o mundo dos vivos, há peixes milagrosos, insetos nocivos, paisagens abertas, desertos medonhos, léguas cansativas, caminhos tristonhos, que fazem o homem se desenganar… Há peixes que lutam para se salvar daqueles que caçam num mar revoltoso, e outros que devoram com gênio assombroso as vidas que caem na beira do mar… É na beira do mar… Além, muito além, onde quero chegar, caindo a noite me lanço no mundo… Além do limite do vale profundo, que sempre começa na beira do mar… É na beira do mar… E até que a morte eu sinta chegando, prossigo cantando, beijando o espaço, além do cabelo que desembaraço, invoco as águas a vir inundando… Pessoas e coisas que vão se arrastando do meu pensamento já podem lavar… Ah! no peixe de asas eu quero voar, sair do oceano de tez poluída, cantar um galope fechando a ferida, que só cicatriza na beira do mar… É na beira do mar… É na beira do mar… É na beira do mar…” (Zé Ramalho – Beira Mar – Comp.: Zé Ramalho)

“… É aquela que fere, que virá mais tranquila, com a fome do povo, com pedaços da vida, como a dura semente, que se prende no fogo de toda multidão. Acho bem mais do que pedras na mão… Dos que vivem calados, pendurados no tempo, esquecendo os momentos, na fundura do poço, na garganta do fosso, na voz de um cantador… E virá como guerra, a terceira mensagem, na cabeça do homem aflição e coragem, afastado da terra, ele pensa na fera que o começa a devorar… Acho que os anos irão se passar, com aquela certeza que teremos no olho, novamente a ideia de sairmos do poço, da garganta do fosso, na voz de um cantador… E virá como guerra, a terceira mensagem, na cabeça do homem aflição e coragem, afastado da terra, ele pensa na fera que o começa a devorar… Acho que os anos irão se passar, com aquela certeza que teremos no olho, novamente a ideia de sairmos do poço, da garganta do fosso, na voz de um cantador…” (Zé Ramalho – Terceira Lâmina – Comp.: Zé Ramalho)

“… Nada vejo por esta cidade que não passe de um lugar comum, mas o solo é de fertilidade, no jardim dos animais em jejum… Esperando alvorecer de novo, esperando anoitecer pra ver a clareza da oitava estrela, esperando a madrugada vir… E eu não posso com a mão retê-la, e eu não passo de um rapaz comum, como e corro trafego na rua, fui graveto no bico do anum… Vez em quando sou dragão da lua, momentânea alienígena, a formiga em viva carne crua, perecendo e naufragando o mar… Naufragando no mar… E a papoula na terra do fogo, sanguessuga sedenta de calor, desemboco o canto nesse jogo, como a cobra se contorce de dor, renegando a honra da família, venerando todo ser criador… No avesso de um espelho claro, no chicote da barriga do boi, no mugido de uma vaca mansa, foragido como judas em paz… A pessoa que você mais ama, no planeta vendo o mundo girar…” (Zé Ramalho – Jardim das Acácias– Comp.: Zé Ramalho)

“… Ainda há pouco, era apenas uma estrela, uma imensa tocha antes do mergulho. Agora vem à tona, sua ira é intensa, e você deseja saber se há algo que possa acalmá-lo, outra vez… Os pássaros, a lua cheia e todo o céu leitoso, e todas as formas da natureza mostravam a grandeza do mundo, em lágrimas… Condenado como Ulisses, e como Príamos, morto com seus companheiros… Morto com seus companheiros… Morto…. Apareceu. No momento em que a lua ia se elevando, e todo pranto forma a imagem do homem… Ainda há pouco, era apenas uma estrela, uma imensa tocha antes do mergulho. Agora vem à tona, sua ira é intensa, e você deseja saber se há algo que possa acalmá-lo, outra vez… Os pássaros, a lua cheia e todo o céu leitoso, e todas as formas da natureza mostravam a grandeza do mundo, em lágrimas… Condenado como Ulisses, e como Príamos, morto com seus companheiros… Morto com seus companheiros… Morto…. Apareceu. No momento em que a lua ia se elevando, e todo pranto forma a imagem do homem… E você deseja saber se há algo que possa acalmá-lo, outra vez…” (Zé Ramalho – Força verde – Comp.: Zé Ramalho, sobre poema de W.B. Yeats)

“Eleve seu coração em prece! Mas evite recitar fórmulas lidas ou decoradas. Que de seu coração partam as palavras espontâneas, como você faz quando conversa com um amigo querido. Prece não é obrigação que alguém desempenhe para “ver-se livre de um peso”. Ore fervorosamente, mas sentindo as palavras que profere, para que a ligação com as Entidades angélicas seja efetiva e real. Faça da oração um hábito in- dispensável à saúde espiritual.” (Minutos de Sabedoria Pg. 029)

Bom dia pessoal,

As vezes nos pegamos debatendo nossos pontos de vista, entretanto, muitas vezes, para colocar esta compreensão acima das que lhe antagonizam, optamos por práticas ruins, que ao invés de convencer o nosso interlocutor o afastamos mais e mais da nossa posição ideológica.

É preciso habilidade no debate. É preciso convencer pela força do argumento e não forçar a concordância pelo argumento da força, diz uma grande amiga minha. Sempre que tentamos, falo nós da esquerda, agir como os integrantes do status quo, impondo pontos de vista ufanistas ou tentando criar realidades diferentes da concreta, daquela que quem tá no gueto vivencia, perdemos. Se não eleitoralmente, o sofremos politicamente.

O seu ponto de vista merece o mesmo respeito do seu interlocutor. Essa é a premissa básica para o bom debate. Travar os embates ideológicos não nos deve tornar pessoas desprovidas de raciocínio lógico, ou de percepção do valor do outro. É nossa dica de hoje.

Em nossa sugestão de leitura para o “Trabalhando com Poesia” de hoje textos do site Correio do Brasil. Vale a pena conferir:

Advogados tentam liberar jornalista que divulgou a Lista de Furnas – Irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Andrea Neves da Cunha é citada em processo – Os advogados do jornalista mineiro Marco Aurélio Flores Carone, diretor de redação que divulgou a Lista de Furnas no site de notícias novojornal.com, preso na manhã de segunda-feira em Belo Horizonte, ingressaram nesta terça-feira com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça mineiro. Carone foi preso a mando da juíza Maria Isabel Fleck, da 1ª Vara Criminal da capital mineira, após ter sido denunciado pelo Ministério Público estadual, em novembro do ano passado, por formação de quadrilha, falsificação de documentos públicos e particulares, falsidade ideológica, uso de documento falso, denunciação caluniosa majorada e fraude processual majorada. Todas as acusações são relativas ao contato entre o jornalista e o lobista Nilton Monteiro, que tornou pública a Lista de Furnas após ter colaborado com suposto esquema de desvio de dinheiro da estatal.

http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/advogados-liberar-jornalista-que-divulgou-lista-de-furnas/678928/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140122

O vale de lágrimas é aqui – Na pregação cristã, ao contrário, o vale das árvores que choram foi se transformando no vale de lágrimas e até mesmo no vale da morte – Assim como outros milhares da minha geração, nascidos em famílias católicas, ainda criança aprendi a popular oração “Salve Rainha” que inclui a súplica: “A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas” (Ad te clamamus, exsules filii Hevae, ad te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle).

http://correiodobrasil.com.br/noticias/opiniao/o-vale-de-lagrimas-e-aqui/679032/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140122

Inadimplência é a menor desde 2012 e facilita crédito imobiliário – O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor teve queda de 2%, no ano passado, em comparação ao registrado em 2012. Foi a primeira redução no acumulado do ano da série histórica, pesquisada desde 2000 pela empresa de consultoria Serasa Experian. Só no último mês do ano, houve recuo de 6,5% em relação a dezembro de 2012, na sétima diminuição seguida.

http://correiodobrasil.com.br/ultimas/inadimplencia-e-a-menor-desde-2012-e-facilita-credito-imobiliario/679040/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140122

Movimento negro diz que rolezinho é momento histórico – Joselicio Júnior, conhecido como Juninho, do Circulo Palmarino, um dos organizadores da manifestação que obrigou o JK Iguatemi a baixar as portas no último sábado, divulgou uma carta em que fala sobre a politização do “rolezinho”. No documento, Juninho afirma que o JK Iguatemi reforçou o racismo durante a manifestação. “A reação do empreendimento, fechando as portas minutos antes da nossa chegada, legitimou e reforçou o nosso discurso de que o Brasil vive, sim, um apartheid.”

http://correiodobrasil.com.br/noticias/brasil/movimento-negro-diz-que-rolezinho-e-momento-historico/678983/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140122

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2014/01/22/trabalhando-com-poesia-566

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma quarta-feira abençoada por Deus e repleta da força da rainha dos ventos e trovões. Eparrey Oyá.

Apio Vinagre Nascimento
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Quando tornar a vir a Primavera – Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa

Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.

Se quiserem que eu tenha um misticismo – Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa

Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.
Sou místico, mas só com o corpo.
A minha alma é simples e não pensa.

O meu misticismo é não querer saber.
É viver e não pensar nisso.

Não sei o que é a Natureza: canto-a.
Vivo no cimo dum outeiro
Numa casa caiada e sozinha,
E essa é a minha definição.

Sou um guardador de rebanhos – Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

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