Trabalhando com Poesia

“… Moço, peço licença, eu sou novo aqui, não tenho trabalho, nem passe, eu sou novo aqui, não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui… Sou novo aqui… Sou novo aqui… Eu tenho fé, fé, que um dia vai ouvir falar de um cara que era só um Zé, Zé… Não é noticiário de jornal, não é, é… Não é noticiário de jornal, não é, é… Sou quase um cara, não tenho cor, nem padrinho, nasci no mundo, sou sozinho, não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono… Tentei ser crente, mas, meu cristo é diferente… A sombra dele é sem cruz, dele é sem cruz, no meio daquela luz, daquela luz, vai… Moço, peço licença, eu sou novo aqui, não tenho trabalho, nem passe, eu sou novo aqui, não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui… Sou novo aqui… Sou novo aqui… Eu tenho fé, fé, que um dia vai ouvir falar de um cara que era só um Zé, Zé… Não é noticiário de jornal, não é, é… Não é noticiário de jornal, não é, é… Sou quase um cara, não tenho cor, nem padrinho, nasci no mundo, sou sozinho, não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono… Tentei ser crente, mas, meu cristo é diferente… A sombra dele é sem cruz, dele é sem cruz, no meio daquela luz, daquela luz, vai… E eu voltei pro mundo aqui embaixo, minha vida corre plana, comecei errado, mas hoje eu tô ciente… Tô tentando, se possível, zerar do começo e repetir o play, repetir o play… Não me escoro em outro e nem cachaça, o que fiz tinha muita procedência, eu me seguro em minha palavra, em minha mão, em minha lavra… Sou quase um cara, não tenho cor, nem padrinho, nasci no mundo, eu sou sozinho, não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono… Tentei ser crente, mas, meu cristo é diferente… A sombra dele é sem cruz, dele é sem cruz. no meio daquela luz, daquela luz…” (O Rappa – Meu mundo é o barro – Comp.: Lauro Farias / Marcelo Falcão / Marcelo Lobato / Marcos Lobato / Xandão)

“… Se eles são Exu, eu sou Iemanjá, se eles matam o bicho, eu tomo banho de mar, com o corpo fechado, ninguém vai me pegar, lado A lado B, lado B lado A… No bê abá da chapa quente, eu sou mais Jorge Bem, tocando bem alto no meu walkman, esperando o carnaval do ano que vem… Não sei se o ano vai ser do mal, ou se vai ser do bem, se vai ser do bem, do bem, do bem… Se vai ser do bem, se vai ser do bem, do bem, do bem!… O que te guarda a lei dos homens, o que me guarda a lei de Deus… Não abro mão da mitologia negra, para dizer que eu não pareço com você! Há um despacho, na esquina pro futuro, com oferendas carimbadas todo dia… E eu vou chegar, pedir e agradecer, pois a vitória de um homem as vezes se esconde num gesto forte, que só ele pode ver… Eu sou guerreiro, sou trabalhador, e todo dia vou encarar, com fé em Deus e na minha batalha… Espero estar bem longe, quando o rodo passar! Espero estar bem longe, quando o carro preto passar… Eu sou guerreiro, sou trabalhador, e todo dia vou encarar, com fé em Deus e na minha batalha… Espero estar bem longe, quando o carro preto passar!… Espero estar bem longe, quando o rodo passar!… Se eles são Exu, eu sou Iemanjá, se eles matam o bicho, eu tomo banho de mar, com o corpo fechado, ninguém vai me pegar, lado A lado B, lado B lado A… No bê abá da chapa quente, eu sou mais Jorge Bem, tocando bem alto no meu walkman, esperando o carnaval do ano que vem… Não sei se o ano vai ser do mal, ou se vai ser do bem, se vai ser do bem, do bem, do bem… Se vai ser do bem, se vai ser do bem, do bem, do bem!… O que te guarda a lei dos homens, o que me guarda a lei de Deus… Não abro mão da mitologia negra, para dizer que eu não pareço com você! Há um despacho, na esquina pro futuro, com oferendas carimbadas todo dia… E eu vou chegar, pedir e agradecer, pois a vitória de um homem as vezes se esconde num gesto forte, que só ele pode ver… Eu sou guerreiro, sou trabalhador, e todo dia vou encarar, com fé em Deus e na minha batalha… Espero estar bem longe, quando o rodo passar! Espero estar bem longe, quando o carro preto passar… Eu sou guerreiro, sou trabalhador, e todo dia vou encarar, com fé em Deus e na minha batalha… Espero estar bem longe, quando o carro preto passar!… Espero estar bem longe, quando o rodo passar!…” (O Rappa – Lado B Lado A – Comp.: Falcão / Lauro Farias / Marcelo Lobato / Marcelo Yuka / Xandão)

“… O show tá começando… O show tá começando… Anote tudo que puder, anote tudo que ver, não se sabe o que sucede, o que pode acontecer… Detalhes fazem, fazem diferença… Detalhes fazem toda a diferença e é bobagem, já é tarde, esqueça!… Quando estivermos na frente do reto, fique esperto, calado e quieto… Quando estivermos na frente do reto, fique esperto, calado e quieto… Quieto!… O show tá começando… O show tá começando… De cara inchada, você ainda enxerga teu vacilo, se ficou tudo roxo, teu destino acaba frio… Se foi Deus, alguém que inventou, sete ventos de palavra-chave… Não interessa, o jogo andou, você tá no domínio, agora tá no domínio, Domínio!… Quando estivermos na frente do reto, fique esperto, calado e quieto… Quando estivermos na frente do reto, fique esperto, calado e quieto… Quieto!… O seu banco afundou, tu foi demais! Tu rodou, tu rodou… O seu banco afundou, tu foi demais! Tu rodou, tu rodou… Se a noite é calada, o lugar é de fuga, acabou pro rajá, vida passou toda junta… Tu não é alemão, mas parece, professor do medo, da dissimulação… É isso mesmo, é cerol! É nós que somos escrotos, os que fazem o serviço… E todo serviço porco, praticantes do vício, tu não viu, nem imagina, não é vício, não é novela, não é coisa da China… Quando estivermos na frente do reto, fique esperto, calado e quieto… Quando estivermos na frente do reto, fique esperto, calado e quieto… Quieto!… O show tá começando… O show tá apenas começando!… O show tá começando… O seu banco afundou, tu foi demais! Tu rodou, tu rodou… O seu banco afundou, tu foi demais! Tu rodou, tu rodou… Para aquelas pessoas que pensam se engrandecer de tal maneira que passam a desprezar os humanos aqui na terra. E aí, o que acontece? Vem o papai do ceu e confisca tudo. O olho grande acaba com a humanidade. Por isso: Tu rodou, tu rodou!… Tu rodou, tu rodou!… Tu rodou, tu rodou!… Tu rodou, tu rodou!… Tu rodou, tu rodou!… Tu rodou, tu rodou!… Humildade sempr!e…” (O Rappa – Na frente do reto – Comp.: Falc / Lauro Farias / Marcelo Lobato / Marcos Lobato / Xandão)

“… Se meus joelhos não doessem mais, diante de um bom motivo que me traga fé, que me traga fé… Se por alguns segundos eu observar, e só observar, a isca e o anzol, a isca e o anzol, a isca e o anzol, a isca e o anzol… Ainda assim estarei pronto pra comemorar… Se eu me tornar menos faminto e curioso, curioso… O mar escuro trará o medo, lado a lado, com os corais mais coloridos… Valeu a pena! Êh! Êh!… Valeu a pena! Êh! Êh!… Sou pescador de ilusões, sou pescador de ilusões… Valeu a pena! Êh! Êh!… Valeu a pena! Êh! Êh!… Sou pescador de ilusões, sou pescador de ilusões… Se eu ousar catar na superfície de qualquer manhã, as palavras de um livro sem final, sem final, um livro sem final… Sem final, sem final, final… Valeu a pena! Êh! Êh!… Valeu a pena! Êh! Êh!… Sou pescador de ilusões, sou pescador de ilusões… Valeu a pena! Êh! Êh!… Valeu a pena! Êh! Êh!… Sou pescador de ilusões, sou pescador de ilusões… Se eu ousar catar na superfície de qualquer manhã, as palavras de um livro sem final, sem final, um livro sem final… Sem final, sem final, final… Valeu a pena! Êh! Êh!… Valeu a pena! Êh! Êh!… Sou pescador de ilusões, sou pescador de ilusões… Valeu a pena! Êh! Êh!… Valeu a pena! Êh! Êh!… Sou pescador de ilusões, sou pescador de ilusões…” (O Rappa – Pescador de Ilusões – Comp.: Lauro Farias / Marcelo Falcão / Marcelo Lobato / Marcelo Yuka / Xandão)

“… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… É… A ideia lá comia solta, subia a manga amarrotada, social, no calor alumínio, não tinha caneta nem papel, uma ideia fugia, era o rodo cotidiano, era o rodo cotidiano… Espaço é curto, quase um curral, na mochila amassada, uma quentinha abafada… Meu troco é pouco, é quase nada… Meu troco é pouco, é quase nada… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Não se anda por onde gosta, mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta… Ela some, é lá no ralo de gente, ela é linda, mas não tem nome, é comum e é normal… Sou mais um no Brasil da Central, da minhoca de metal, que corta as ruas… Da minhoca de metal, que corta as ruas… É… como um concorde apressado, cheio de força, que voa, voa mais pesado que o ar… E o avião, o avião, o avião, o avião, o avião do trabalhador… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Espaço é curto, quase um curral, na mochila amassada, uma quentinha abafada… Meu troco é pouco, é quase nada… Meu troco é pouco, é quase nada… Espaço é curto, quase um curral, na mochila amassada, uma quentinha abafada… Meu troco é pouco, é quase nada… Meu troco é pouco, é quase nada… Não se anda por onde gosta, mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta… Ela some, é lá no ralo de gente, ela é linda, mas não tem nome, é comum e é normal… Sou mais um no Brasil da Central, da minhoca de metal, que corta as ruas… Da minhoca de metal, que corta as ruas… É… como um concorde apressado, cheio de força, que voa, voa mais pesado que o ar… E o avião, o avião, o avião, o avião, o avião do trabalhador… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother… Ô Ô Ô Ô Ô my brother…Ô Ô Ô Ô Ô my brother…” (O Rappa – Rodo cotidiano – Comp.: Lauro Farias / Marcelo Falcão / Marcelo Lobato / Marcos Lobato / Xandão)

“… A viatura foi chegando devagar, e de repente, de repente resolveu me parar… Um dos caras saiu de lá de dentro, já dizendo, “…ai compadre, cê perdeu, se eu tiver que procurar cê ta fodido… Acho melhor cê i deixando esse flagrante comigo…” No início eram três, depois vieram mais quatro, agora eram sete, os samurais da extorsão, vasculhando meu carro, metendo a mão no meu bolso, cheirando a minha mão… De geração em geração, todos no bairro já conhecem essa lição… De geração em geração, todos no bairro já conhecem essa lição… E eu ainda tentei argumenta, mas, tapa na cara pra me desmoralizar… Tapa, tapa na cara pra mostra quem é que manda… Porque os cavalos corredores ainda estão na banca, nesta cruzada de noite, encruzilhada, arriscando a palavra democrata, como um santo graal, na mão errada dos hômi, carregada em devoção… De geração em geração, todos no bairro já conhecem essa lição… De geração em geração, todos no bairro já conhecem essa lição… O cano do fuzil, refletiu o lado ruim do Brasil, nos olhos de quem quer, e quem me viu, único civil, rodeado de soldados, como seu eu fosse o culpado… No fundo querendo estar, a margem do seu pesadelo, estar acima do biótipo suspeito, nem que seja dentro de um carro importado, com um salário suspeito… Endossando a impunidade, a procura de respeito… Endossando a impunidade, a procura de respeito… Mas nesta hora, só tem, sangue quente, quem tem costa quente, quente, quente… Só costa quente, pois nem sempre é inteligente, peitar) peitar, peitar, um fardado alucinado, que te agride e ofende, pa te levar, levar, levar, pra te levar alguns trocados, diz aê… Pra te levar, levar, levar, pra te levar alguns trocados, segue a mão… Era só mais uma dura, resquício de ditadura, mostrando a mentalidade, de quem se sente autoridade, nesse tribunal de rua… Nesse tribunal, nesse tribunal de rua…” (O Rappa – Tribunal de rua – Comp.: Marcelo Yuka)

“Desenvolva a parte humana de seu ser. Não viva apenas na parte vegetal ou animal, por meio do instinto. Desenvolva a parte humana de seu ser. Procure conhecer a Verdade de sua origem e de seu destino, utilizando seu pensamento para conhecer-se a si mesmo cada vez mais. Por menos cultura que você possua, você tem uma inteligência, com capacidade para raciocinar e pensar.” (Minutos de Sabedoria Pg. 040)

Bom dia pessoal,

Os clubes baianos voltaram a campo na noite de ontem. A equipe de Canabrava empatou com o América potiguar por 0x0 e se classificou para a próxima fase, onde enfrenta o Ceará. O esquadrão de aço enfrentou em CSA e venceu por 1×0, mas foi desclassificado precocemente, em função da derrota do Vitória da Conquista por 1×0 frente ao Santa Cruz. O foco do tricolor agora é o Campeonato Baiano, onde já enfrenta o Galicia domingo, na Fonte Nova. O time de Canabrava vai a Teixeira de Freitas para enfrentar o Serrrano.

Na nossa sugestão de leitura de hoje alguns textos do site Correio do Brasil. Vale a pena conferir:

Pizzolato é preso na Itália e consegue reabrir julgamento do ‘mensalão’ – A prisão do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, nesta quarta-feira, em Maranello, uma bucólica cidade no norte da Itália, onde a Ferrari constrói e testa seus carros de Fórmula 1, vai acelerar a reabertura do julgamento da Ação Penal (AP) 470, no Supremo Tribunal Federal (STF), agora em uma corte internacional. Este era o objetivo de Pizzolato desde a fuga, em novembro do ano passado, quando ele saiu do país com uma cópia de um dossiê sobre possíveis graves irregularidadades no julgamento que condenou a ele e outros líderes petistas à prisão.

http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/pizzolato-e-preso-na-italia-e-consegue-reabrir-julgamento-do-mensalao/682579/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140206

Pronatec abre mais de 32 mil vagas para presos e egressos – O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) vai abrir 32.722 vagas para presos e egressos em cursos de capacitação no primeiro semestre de 2014. São mais de 600 cursos diferentes e haverá turmas de presos em regime fechado, semiaberto e provisório. Egressos (pessoas que já cumpriram pena) e cumpridores de penas alternativas terão turmas específicas.

http://correiodobrasil.com.br/educacao/pronatec-abre-mais-de-32-mil-vagas-para-presos-e-egressos/682617/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140206

A responsabilidade histórica do PT em 2014 – O Brasil viverá uma encruzilhada em 2014. Não parece haver exagero em afirmar isso. Afinal de contas, no final do ano, saberemos todos se o país seguirá trilhando o caminho do projeto iniciado com o governo Lula, em 2003, ou se andará para outra direção. Não só o Brasil. O futuro político de toda a América Latina será influenciado pela eleição brasileira. Num certo sentido, o cenário é relativamente tranquilo para a reeleição do atual projeto.

http://correiodobrasil.com.br/noticias/opiniao/a-responsabilidade-historica-do-pt-em-2014/682609/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140206

Operações da polícia em favelas deixam duas pessoas mortas – Operações da Polícia Militar em favelas do Rio deixaram dois mortos nesta quarta-feira. Na Favela do Rola, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, uma pessoa morreu, dois suspeitos foram detidos e uma pistola apreendida, segundo a Relações Públicas da PM. Ao todo, foram apreendidas 123 trouxinhas de cocaína, 163 trouxinhas de maconha, 101 sacolés de desirée e dois rádios transmissores. A ocorrência foi encaminhada para a 36ª DP.

http://correiodobrasil.com.br/noticias/rio-de-janeiro/operacoes-da-policia-em-favelas-deixam-duas-pessoas-mortas/682562/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140206

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2014/02/06/trabalhando-com-poesia-577

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma quinta-feira abençoada por Deus e coberta de paz e protegida pelo Caçador de uma flecha só. Okearô Odé!!

Apio Vinagre Nascimento
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Lembrança de Morrer – Álvares de Azevedo

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai… de meus únicos amigos,
Pouco – bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta – sonhou – e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua pratear-me a lousa!

Anjos do Céu – Álvares de Azevedo
As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz…
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d´escuma revolvem-se nus!
E quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no mar!
Que dormem, que sonham- e o vento dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!
E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar:
São beijos que queimam… e as noites deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!
Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Por que não consentes, num beijo de amor
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?

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