Trabalhando com Poesia

“… Um dia ele chegou tão diferente, do seu jeito de sempre chegar. Olhou-a de um jeito muito mais quente, do que sempre costumava olhar. E não maldisse a vida tanto, quanto era seu jeito de sempre falar. E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar… E então ela se fez bonita, como há muito tempo não queria ousar, com seu vestido decotado, cheirando a guardado de tanto esperar… Depois os dois deram-se os braços, como há muito tempo não se usava dar. E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar… E ali dançaram tanta dança, que a vizinhança toda despertou. E foi tanta felicidade, que toda cidade se iluminou. E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais, que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz… E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais, que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz…” (Chico Buarque e Nelson Gonçalves – Valsinha – Comp.: Chico Buarque / Vinícius de Moraes)

“… Oh, musa do meu fado, oh, minha mãe gentil, te deixo consternado no primeiro abril… Mas não sê tão ingrata! Não esquece quem te amou, e em tua densa mata, se perdeu e se encontrou… Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal: Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!… “Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo, além da sífilis, é claro. Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…” Com avencas na caatinga, alecrins no canavial, licores na moringa: Um vinho tropical… E a linda mulata, com rendas do além Tejo, de quem numa bravata, arrebata um beijo… Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal: Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!… “Meu coração tem um sereno jeito e as minhas mãos o golpe duro e presto. De tal maneira que, depois de feito, desencontrado, eu mesmo me contesto. Se trago as mãos distantes do meu peito, é que há distância entre intenção e gesto e, se o meu coração nas mãos estreito, me assombra a súbita impressão de incesto… Quando me encontro no calor da luta, ostento a aguda empunhadora à proa, mas meu peito se desabotoa. E se a sentença se anuncia bruta, mais que depressa a mão cega executa, pois que senão o coração perdoa”. Guitarras e sanfonas, Jasmins, coqueiros, fontes, Sardinhas, mandioca, num suave azulejo… E o rio Amazonas, que corre trás-os-montes e numa pororoca, deságua no Tejo… Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal: Ainda vai tornar-se um império colonial!… Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal: Ainda vai tornar-se um império colonial!…” (Chico Buarque e Ruy Guerra – Fado Tropical – Comp.: Chico Buarque e Ruy Guerra)

“… Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu, a gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu… A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda-viva e carrega o destino pra lá… Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração… A gente vai contra a corrente, até não poder resistir, na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir… Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há, mas eis que chega a roda-viva e carrega a roseira pra lá… Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração… A roda da saia, a mulata, não quer mais rodar, não senhor. Não posso fazer serenata, a roda de samba acabou… A gente toma a iniciativa, viola na rua, a cantar, mas eis que chega a roda-viva e carrega a viola pra lá… Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração… O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou. Foi tudo ilusão passageira, que a brisa primeira levou… No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar, mas eis que chega a roda-viva e carrega a saudade pra lá… Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração… Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração… Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração…” (Chico Buarque e MPB 4 – Roda Viva – Comp.: Chico Buarque)

“Seja alegre e otimista! Quando se dirigir a seu trabalho, faça-o de coração alegre. O trabalho que você executa é digno de sua pessoa. Por menor que pareça, é de suma responsabilidade para você e para o mundo. Não se esqueça jamais de agradecer a Deus o trabalho que lhe proporciona o pão de cada dia. Chegue ao local do trabalho com o coração feliz e, o trabalho se tornará um passatempo, um estimulante, que lhe trará, cada novo dia, imensas alegrias e felicidade incalculável.” (Minutos de Sabedoria Pg. 072)

Bom dia pessoal,

Como foram de final de semana? Espero que bem. Transcorreu, nesse domingo, a última rodada da semifinal do Campeonato baiano. Conforme já se esperava Bahia e o time de Canabrava fazem a grande final do campeonato, em dois BaxVi’s dias 06 e 13 de abril de 2014, na Fonte Nova e em Pituaço, respectivamente. Ontem, no Clássico Vivi, o time de Canabrava goleou, por 6×0, ao time do Vitória da Conquista e jogará por dois resultados iguais. No Sábado, jogando na Fonte Nova, o Tricolor venceu o Serrano pelo placar de 1×0, gol de Fahel, em partida que foi marcada pela arbitragem confusa.

Confira os melhores momentos das partidas:

Essa semana, o “Trabalhando com Poesia” visitará a obra da Poetisa Florbela Espanca.

Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.

Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.

Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.

Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.

Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.

O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.

Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão.

Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.

Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.

Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.

Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.

Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.
No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.

Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.

Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Florbela_Espanca

No prefácio Musical teremos a presença Do brilhante Chico Buarque. Espero que gostem.

Impossível não lembrar, no dia de hoje, os anos de Ditaduras, que se implantaram no Brasil a partir de 31 de Março de 1964, com os militares aplicando um Golpe de Estado e destituindo direitos e garantias de diversos brasileiros e brasileiras.

Golpe Militar de 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, que culminaram, no dia 1 de abril de 1964, com um golpe de estado que encerrou o governo do presidente João Goulart, também conhecido como Jango.

Os militares brasileiros a favor do Golpe costumam designá-lo como Revolução de 1964 ou Contrarrevolução de 1964. Em geral, a expressão é associada a defensores da ditadura.

Jango havia sido democraticamente eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – na mesma eleição que conduziu Jânio da Silva Quadros do Partido Trabalhista Nacional (PTN) à presidência, apoiado pela União Democrática Nacional (UDN).

O golpe estabeleceu um regime alinhado politicamente aos Estados Unidos e acarretou profundas modificações na organização política do país, bem como na vida econômica e social. Todos os cinco presidentes militares que se sucederam desde então declararam-se herdeiros e continuadores da Revolução de 1964.

O regime militar durou até 1985, quando Tancredo Neves foi eleito, indiretamente, o primeiro presidente civil desde 1964.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_Estado_no_Brasil_em_1964

Nas nossas sugestões de leitura de hoje, alguns textos do site Brasil 247. Vale a pena conferir:

Sem quadrilha e sem foro especial, mensalão desaba – Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Simone Vasconcelos, Vinicius Samarane, José Roberto Salgado, Kátia Rabelo, Jacinto Lamas, João Claudio Genu e Enivaldo Quadrado são personagens quase anônimos e, naturalmente, sem foro privilegiado; réus da Ação Penal 470, foram julgados diretamente pelo Supremo Tribunal Federal, ao contrário de Eduardo Azeredo, que renunciou ao mandato; segundo Gilmar Mendes, todos faziam parte de uma “teia”, diferentemente do chamado “mensalão tucano”; mas como existe a teia se não houve formação de quadrilha?; castelo de cartas de Joaquim Barbosa ruiu e recurso à Corte Interamericana de Direitos Humanos se faz urgente e necessário.

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/135006/Sem-quadrilha-e-sem-foro-especial-mensal%C3%A3o-desaba.htm

Morte no Itaquerão: para a PM, a culpa é da vítima – Polícia Civil de São Paulo afirma que primeiras pessoas ouvidas falam em negligência do operário Fábio Hamilton da Cruz, de 23 anos, que morreu após uma queda nas obras do Itaquerão, neste sábado (29); delegado Rafael Pavarina afirmou que os relatos são de “excesso de confiança” da vítima, que não se prendeu a um cabo de segurança; “Não foi uma ausência de equipamento. Foi uma negligência da própria vítima, a maior prejudicada por isso. É um tipo de trabalho em que o excesso de confiança causa eventos como esse”, afirmou; laudo da perícia deve ficar pronto em até 30 dias; primo da vítima disse que havia muita pressão para conclusão da obra; Odebrecht, de Marcelo Odebrecht, diz que obra pilotada por Andres Sanchez não será adiada.

http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/135001/Morte-no-Itaquer%C3%A3o-para-a-PM-a-culpa-%C3%A9-da-v%C3%ADtima.htm

Os Filhos da Ditadura, Por José Mentor – Quero agradecer a você, LIBERDADE, por tudo que me proporcionaste. Quero pedir apenas que não deixe usar o teu sagrado nome por aqueles que pretendem prendê-la em uma cadeia que subtrai direitos dos mais humildes. Em todos esses anos quis escrever meu melhor texto sobre você. Minhas melhores palavras, minhas melhores ideias, meus melhores momentos guardei para que em uma folha fosse eternizado meu sentimento por você. Quantos livros li, quantas tentativas fiz de escrever sobre você, mas não era o meu melhor texto, não era minha melhor história. E você só merece o meu melhor.

http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/134955/Os-Filhos-da-Ditadura.htm

O golpe de 64, 50 anos depois, por Leonardo Attuch – Punir torturadores é um forte antídoto contra tentações autoritárias, mas o Brasil, infelizmente, não fará isso. “Quantos morreram? Tantos quanto foram necessários”, disse o coronel Paulo Malhães, ex-agente do Centro de Informações do Exército, no mesmo depoimento à Comissão da Verdade em que admitiu que torturou, matou e mutilou corpos de brasileiros que lutaram contra uma ditadura odiosa e sangrenta. O que acontecerá com esse reles indivíduo? Absolutamente nada. A Lei 6.683, promulgada pelo general João Batista Figueiredo, nos estertores do regime militar de 1964, que agora completa 50 anos, o protege.

http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/134883/O-golpe-de-64-50-anos-depois.htm

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2014/03/31/trabalhando-com-poesia-608

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma Segunda-feira abençoada por Deus e repleta da energia positiva.

Apio Vinagre Nascimento
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Doce Milagre – Florbela Espanca

O dia chora. Agonizo
Com ele meu doce amor.
Nem a sombra dum sorriso,
Na Natureza diviso,
A dar-lhe vida e frescor!
A triste bruma, pesada,
Parece, detrás da serra
Fina renda, esfarrapada,
De Malines, desdobrada
Em mil voltas pela terra!
(O dia parece um réu.
Bate a chuva nas vidraças.)
As avezitas, coitadas,
‘Squeceram hoje o cantar.
As flores pendem, fanadas
Nas finas hastes, cansadas
De tanto e tanto chorar…
O dia parece um réu.
Bate a chuva nas vidraças.
É tudo um imenso véu.
Nem a terra nem o céu
Se distingue. Mas tu passas…
E o sol doirado aparece.
O dia é uma gargalhada.
A Natureza endoidece
A cantar. Tudo enternece
A minh’alma angustiada!
Rasgam-se todos os véus
As flores abrem, sorrindo.
Pois se eu vejo os olhos teus
A fitarem-se nos meus,
Não há de tudo ser lindo?!
Se eles são prodigiosos
Esses teus olhos suaves!
Basta fitá-los, mimosos,
Em dias assim chuvosos,
Para ouvir cantar as aves!
A Natureza, zangada,
Não quer os dias risonhos?…
Tu passas… e uma alvorada
Pra mim abre perfumada,
Enche-me o peito de sonhos!

Triste Passeio – Florbela Espanca

Vou pela estrada, sozinha.
Não me acompanha ninguém.
– Num atalho, em voz mansinha:
“Como está ele? Está bem?”
É a toutinegra curiosa;
Há em mim um doce enleio…
Nisto pergunta uma rosa:
“Então ele? Inda não veio?”
Sinto-me triste, doente…
E nem me deixam esquecê-lo!…
Nisto o sol impertinente:
“Sou um fio do seu cabelo…”
Ainda bem. É noitinha.
Enfim já posso pensar!
Ai, já me deixam sozinha!
De repente, oiço o luar:
“Que imensa mágoa me invade,
Que dor o meu peito sente!
Tenho uma enorme saudade!
De ver o teu doce ausente!”
Volto a casa. Que tristeza!
Inda é maior minha dor…
Vem depressa. A natureza
Só fala de ti, amor!

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