Trabalhando com Poesia

“… Essa moça tá diferente, já não me conhece mais, está pra lá de pra frente, está me passando pra trás… Essa moça tá decidida a se supermodernizar, ela só samba escondida, que é pra ninguém reparar… Eu cultivo rosas e rimas, achando que é muito bom, ela me olha de cima e vai desinventar o som… Faço-lhe um concerto de flauta e não lhe desperto emoção, ela quer ver o astronauta descer na televisão… Mas o tempo vai, mas o tempo vem, ela me desfaz, mas o que é que tem, que ela só me guarda despeito? Que ela só me guarda desdém?… Mas o tempo vai, mas o tempo vem, ela me desfaz, mas o que é que tem, se do lado esquerdo do peito, no fundo, ela ainda me quer bem?… Essa moça tá diferente, já não me conhece mais, está pra lá de pra frente, está me passando pra trás… Essa moça é a tal da janela, que eu me cansei de cantar e agora está só na dela, botando só pra quebrar… Mas o tempo vai, mas o tempo vem, ela me desfaz, mas o que é que tem, que ela só me guarda despeito? Que ela só me guarda desdém?… Mas o tempo vai, mas o tempo vem, ela me desfaz, mas o que é que tem, se do lado esquerdo do peito, no fundo, ela ainda me quer bem?… Essa moça…” (Chico Buarque – Essa moça tá diferente – Comp.: Chico Buarque)

“… Quando, seu moço nasceu meu rebento, não era o momento dele rebentar. Já foi nascendo com cara de fome e eu não tinha nem nome prá lhe dar… Como fui levando, não sei lhe explicar. Fui assim levando, ele a me levar. E na sua meninice, ele um dia me disse que chegava lá… Olha aí! Olha aí! Olha aí! Ai o meu guri, olha aí! Olha aí! É o meu guri… E ele chega! Chega suado e veloz do batente, traz sempre um presente, prá me encabular… Tanta corrente de ouro, seu moço! Que haja pescoço, prá enfiar… Me trouxe uma bolsa, já com tudo dentro, chave, caderneta, terço e patuá, um lenço e uma penca de documentos, prá finalmente, eu me identificar… Olha aí! Olha aí! Olha aí! Ai o meu guri, olha aí! Olha aí! É o meu guri… E ele chega! Chega no morro com carregamento, pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador. Rezo até ele chegar cá no alto… Essa onda de assaltos tá um horror… Eu consolo ele, ele me consola, boto ele no colo, prá ele me ninar. De repente acordo, olho pro lado e o danado já foi trabalhar… Olha aí! Olha aí! Olha aí! Ai o meu guri, olha aí! Olha aí! É o meu guri… E ele chega! Chega estampado, manchete, retrato, com venda nos olhos, legenda e as iniciais… Eu não entendo essa gente, seu moço! Fazendo alvoroço demais, o guri no mato, acho que tá rindo, acho que tá lindo, de papo pro ar… Desde o começo eu não disse, seu moço! Ele disse que chegava lá… Olha aí! Olha aí! Olha aí! Ai o meu guri, olha aí! Olha aí! É o meu guri… Olha aí! Olha aí! Olha aí! Ai o meu guri, olha aí! Olha aí! É o meu guri… Olha aí! Olha aí! Olha aí! Ai o meu guri, olha aí! Olha aí! É o meu guri…” (Chico Buarque – O meu guri – Comp.: Chico Buarque)

“… Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas, vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas… Quando amadas, se perfumam, se banham com leite, se arrumam, suas melenas… Quando fustigadas não choram, se ajoelham, pedem, imploram mais duras penas; cadenas… Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas, sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas… Quando eles embarcam soldados, elas tecem longos bordados, mil quarentenas… E quando eles voltam, sedentos, querem arrancar, violentos, carícias plenas, obscenas… Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas, despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas… Quando eles se entopem de vinho, costumam buscar um carinho de outras falenas… Mas no fim da noite, aos pedaços, quase sempre voltam pros braços de suas pequenas, Helenas… Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas: Geram pros seus maridos, os novos filhos de Atenas… Elas não têm gosto ou vontade, nem defeito, nem qualidade, têm medo apenas… Não tem sonhos, só tem presságios, o seu homem, mares, naufrágios, lindas sirenas, morenas… Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas, temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas… As jovens viúvas marcadas e as gestantes abandonadas, não fazem cenas… Vestem-se de negro, se encolhem, se conformam e se recolhem às suas novenas, serenas… Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas, secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas…” (Chico Buarque – Mulheres de Atenas – Comp.: Chico Buarque & Augusto Boal)

“… Quando você me deixou, meu bem, me disse pra ser feliz e passar bem. Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci, mas depois, como era de costume, obedeci… Quando você me quiser rever, já vai me encontrar refeita, pode crer. Olhos nos olhos, quero ver o que você faz, ao sentir que, sem você, eu passo bem demais… E que venho até remoçando, me pego cantando, sem mais nem porquê… E tantas águas rolaram, quantos homens me amaram, bem mais e melhor que você… Quando talvez precisar de mim, cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim… Olhos nos olhos, quero ver o que você diz, quero ver como suporta me ver tão feliz… Quando você me deixou, meu bem, me disse pra ser feliz e passar bem. Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci, mas depois, como era de costume, obedeci… Quando você me quiser rever, já vai me encontrar refeita, pode crer. Olhos nos olhos, quero ver o que você faz, ao sentir que, sem você, eu passo bem demais… E que venho até remoçando, me pego cantando, sem mais nem porquê… E tantas águas rolaram, quantos homens me amaram, bem mais e melhor que você… Quando talvez precisar de mim, cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim… Olhos nos olhos, quero ver o que você diz, quero ver como suporta me ver tão feliz…” (Chico Buarque – Olhos nos olhos – Comp.: Chico Buarque)

“Sem esforço de nossa parte, jamais atingiremos o alto da montanha. Não desanime no meio da estrada: siga à frente, porque os horizontes se tornarão amplos e maravilhosos à medida que for subindo. Mas não se iluda, pois só atingirá o cimo da montanha se estiver decidido a enfrentar o esforço da caminhada.” (Minutos de Sabedoria Pg. 074)

Bom dia pessoal,

Ao longo das nossas vidas teremos sempre oportunidade de nos deparar com escolhas a serem feitas. A opção que faremos sempre será livre e estará sob o julgamento do nosso livre arbítrio, porém meu amigo, minha amiga, o resultado disso, não é opcional. Você, inexoravelmente, irá conviver com o fruto da sua semeadura.

Não confunda jamais lealdade com subserviência, comprometimento com obediência cega. A caminhada sempre será repleta de situações agradáveis e desagradáveis. A diferença está em como você conviverá com elas. Às vezes, você deposita sobre os ombros de outra pessoa uma responsabilidade que não é de outra pessoa além de você mesmo (a).

Siga seu caminho, conviva com suas contradições, certezas e incertezas, pois são elas que constroem, aquilo que você é, aquilo que você será na sua vida. Força, fé, foco, pensamento positivo, mas, acima de qualquer coisa, amor próprio e auto estima sempre pra cima, é o que te aconselho, é o que te desejo.

No dia 02 de abril de 1983 deixou o convívio nesse plano uma das referências musicais da minha infância, por pura influência de Dona Célia Vinagre, minha mãe, fã incondicional desta magnífica cantora… E nesse dia, O mar serenou… Clara se foi… Lá se foi a sabiá.

Clara Nunes passou 28 dias em estado de coma profundo depois de submeter-se a uma operação de varizes. No seu último show no Portelão, em Madureira, com a velha guarda da escola do seu coração, ela prometeu voltar no 1º domingo de abril. Voltou com um dia de antecedência, para ser velada por cerca de 50 mil pessoas, num Sábado de Aleluia nublado, na quadra se apresentou. Os fãs enfrentaram sol, chuva, brigas e empurrões, e por duas vezes o caixão balançou, quase caiu.

Os fãs cantavam a Valsa do Adeus quando o caixão foi fechado. O surdo da Bateria da Portela marcou a saída de Clara Nunes pela última vez da quadra da escola. O prefeito em exercício, Jamil Haddad, decretou luto oficial por três dias.

Clara Nunes nasceu na cidadezinha mineira de Paraopeba, em 1943. Mudou-se aos 14 anos, já orfã de pai, o violeiro Mané Serrador – cantador de folias-de-rei, para Belo Horizonte, e foi cantar no coral de uma igreja. Em 1960 Clara saia do anonimato quando conquistou o terceiro lugar na finalíssima nacional do concurso A Voz do Ouro ABC, cantando a Serenata do Adeus de Vinícius de Moraes. O salto para a projeção nacional foi em 1965, já no Rio de Janeiro, quando iniciou a longa parceria de 17 anos com a gravadora Odeon.

Foi uma grande profissional do disco e uma estrela de primeira grandeza do palco. Em 1972, no Teatro Glauce Rocha, dividiu espetáculos com Vinícius e Toquinho, e com Paulo Gracindo. Como testemunho de sua coragem e de sua dedicação à vida artística, em 1977, Clara Nunes inaugurou seu teatro no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro com o espetáculo Canto das 3 Raças. Em 1981 levou milhares de pessoas ao Teatro Clara Nunes, para vê-la no show Clara Mestiça.

Uma desbravadora iluminada

Foi a primeira voz feminina a romper a barreira dos 100 mil discos, uma regra imutável dos corredores das gravadoras que dizia que mulher não vendia discos. Lançou para o sucesso de massa nomes idolatrados do mundo do samba. Gravou Candeia, Nelson Cavaquinho, Monarca, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, João Nogueira entre muitos outros da nata dos autores do gênero. Também passeou por outras veredas da música popular brasileira, sempre com resultados brilhantes. Clara deixa um rastro de luz pelo caminho artístico que soube cavar com energia, coragem e fé.

Em nossa sugestão de leitura para o “Trabalhando com Poesia” de hoje textos do site Correio do Brasil. Vale a pena conferir:

Indústria brasileira cresce por quatro meses seguidos – A indústria brasileira registrou expansão pelo quarto mês seguido ao mostrar leve aceleração da atividade em março, diante de níveis mais altos de produção e de emprego, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta terça-feira. O PMI da indústria teve ligeiro avanço a 50,6 em março ante 50,4 em fevereiro, divulgou o Markit, permanecendo pelo quarto mês acima da marca de 50 que separa crescimento de contração…

http://correiodobrasil.com.br/ultimas/industria-brasileira-cresce-por-quatro-meses-seguidos/695532/

Quartéis se calam e Dilma levanta a voz pela democracia no Brasil – A presidenta Dilma Rousseff lembrou, nesta segunda-feira, os 50 anos do golpe militar que deu início a 21 anos de ditadura no Brasil, em 1964, e disse que as atrocidades cometidas no período não podem ser esquecidas, em memória dos homens e mulheres que foram mortos ou desapareceram enquanto lutavam pela democracia. Por determinação da presidenta, os quartéis foram proibidos de comemorar o que chamavam de ‘revolução’ e nenhum militar se pronunciou favoravelmente ao golpe, como vinha ocorrendo nos anos anteriores.

http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/quarteis-se-calam-e-dilma-levanta-a-voz-pela-democracia-no-brasil/695182/

Bolsonaro é chamado de ‘assassino’ e vaias impedem seu discurso na Câmara – A sessão solene que relembrou os 50 anos do golpe militar de 1964 foi marcada por tumulto e confusão, nesta terça-feira. A decisão da presidência da Casa de limitar a 100 o número de convidados para acompanhar a sessão no plenário provocou debate entre alguns deputados e seguranças da Casa. O deputado de ultradireita Jair Bolsonaro (PP-RJ), que apoia declaradamente a ditadura militar, foi chamado de ‘assassino’ por populares, nas galerias da Câmara e, devido às vaias, não conseguiu discursar.

http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/bolsonaro-e-chamado-de-assassino-e-vaias-impedem-seu-discurso-na-camara/695497/

Levante Popular ‘escracha’ delegado acusado de torturar presos políticos – Movimentos socais fizeram escracho nesta terça-feira, em frente à casa do delegado Aparecido Laertes Calandra, conhecido como Capitão Ubirajara, no bairro do Ipiranga, na capital paulista. O capitão é acusado de torturas e mortes ocorridas no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no período da ditadura.

http://correiodobrasil.com.br/noticias/brasil/levante-popular-escracha-delegado-acusado-de-torturar-presos-politicos/695491/

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2014/04/02/trabalhando-com-poesia-610

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma quarta-feira abençoada por Deus e repleta da força da rainha dos ventos e trovões. Eparrey Oyá.

Apio Vinagre Nascimento
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Em busca do amor – Florbela Espanca

O meu Destino disse-me a chorar:
“Pela estrada da Vida vai andando;
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás de encontrar.”
Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfilando…
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando…
Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?”
E o velho estremeceu… olhou… e riu…
Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás, desanimados…
E eu paro a murmurar: “Ninguém o viu!…”

Impossivel – Florbela Espanca

Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste:
“Parece Sexta-Feira de Paixão.
Sempre a cismar, cismar d’olhos no chão,
Sempre a pensar na dor que não existe…
O que é que tem?! Tão nova e sempre triste!
Faça por ’star contente! Pois então?!…”
Quando se sofre, o que se diz é vão…
Meu coração, tudo, calado, ouviste…
Os meus males ninguém mos adivinha…
A minha Dor não fala, anda sozinha…
Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera!…
Os males d’Anto toda a gente os sabe!
Os meus… ninguém… A minha Dor não cabe
Nos cem milhões de versos que eu fizera!…

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