Trabalhando com Poesia

“… Não posso mais viver assim ao seu ladinho, por isso colo o meu ouvido no radinho de pilha, prá te sintonizar, sozinha, numa ilha… Sonífera Ilha! Descansa meus olhos, sossega minha boca, me enche de luz… Sonífera Ilha! Descansa meus olhos, sossega minha boca, me enche de luz… Não posso mais viver assim ao seu ladinho, por isso colo o meu ouvido no radinho de pilha, prá te sintonizar, sozinha, numa ilha… Sonífera Ilha! Descansa meus olhos, sossega minha boca, me enche de luz… Sonífera Ilha! Descansa meus olhos, sossega minha boca, me enche de luz… Sonífera Ilha! Descansa meus olhos, sossega minha boca, me enche de luz…” (Titãs – Sonífera ilha – Comp.: Branco Mello / Marcelo Fromer / Tony Bellotto / Ciro Pessoa / Carlos Barmack)

https://www.youtube.com/watch?v=-09_hdkCCpU

“… Eu não quero mais mentir. Usar espinhos que só causam dor. Eu não enxergo mais o inferno, que me atraiu. Dos cegos do castelo me despeço e vou… A pé até encontrar, um caminho, o lugar, pro que eu sou… Eu não quero mais dormir, de olhos abertos me esquenta o sol, eu não espero que um revólver venha explodir, na minha testa se anunciou, a pé, a fé devagar, foge o destino do azar, que restou… E se você puder me olhar, e se você quiser me achar, e se você trouxer o seu lar… Eu vou cuidar, eu cuidarei dele, eu vou cuidar do seu jardim… Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele, eu vou cuidar, eu cuidarei do seu jantar, do céu e do mar, e de você e de mim… Eu não quero mais mentir. Usar espinhos que só causam dor. Eu não enxergo mais o inferno, que me atraiu. Dos cegos do castelo me despeço e vou… A pé até encontrar, um caminho, o lugar, pro que eu sou… Eu não quero mais dormir, de olhos abertos me esquenta o sol, eu não espero que um revólver venha explodir, na minha testa se anunciou, a pé, a fé devagar, foge o destino do azar, que restou… E se você puder me olhar, e se você quiser me achar, e se você trouxer o seu lar… Eu vou cuidar, eu cuidarei dele, eu vou cuidar do seu jardim… Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele, eu vou cuidar, eu cuidarei do seu jantar, do céu e do mar, e de você e de mim…” (Titãs – Os cegos do Castelo – Comp.: Nando Reis)

https://www.youtube.com/watch?v=X-4cQAjhjBU

“… O pulso ainda pulsa… O pulso ainda pulsa… Peste bubônica, câncer, pneumonia, raiva, rubéola, tuberculose e anemia… Rancor, cisticercose, caxumba, difteria, encefalite, faringite, gripe e leucemia… E o pulso ainda pulsa… E o pulso ainda pulsa… Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia, toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia… Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria, sífilis, ciúmes, asma, cleptomania… E o corpo ainda é pouco… E o corpo ainda é pouco… Assim… Reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia, hérnia, pediculose, tétano, hipocrisia, brucelose, febre tifoide, arteriosclerose, miopia, catapora, culpa, cárie, cãibra, lepra, afasia… O pulso ainda pulsa… E o corpo ainda é pouco… Ainda pulsa… Ainda é pouco… Pulso… Pulso… Pulso… Pulso… Assim……” (Titãs – O Pulsp- Comp.: Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Beloto)

https://www.youtube.com/watch?v=4Nb7B1N-fdk

“… Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?… A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte… A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão, balé… A gente não quer só comida, a gente quer a vida como a vida quer… Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?… A gente não quer só comer, a gente quer comer e quer fazer amor… A gente não quer só comer, a gente quer prazer pra aliviar a dor… A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade… A gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade… A gente não quer só comida, a gente quer a vida como a vida quer… Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?… A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte… A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão, balé… A gente não quer só comida, a gente quer a vida como a vida quer… A gente não quer só comer, a gente quer comer e quer fazer amor… A gente não quer só comer, a gente quer prazer pra aliviar a dor… A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade… A gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade… Diversão e arte… Para qualquer parte… Diversão, balé… Como a vida quer… Desejo, necessidade, vontade… Necessidade, desejo, eh!… Necessidade, vontade, eh!… Necessidade…” (Titãs – Comida – Comp.: Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sergio Britto)

https://www.youtube.com/watch?v=hOyt4cwjVns

Curta mais um pouco dos Titãs

Acústico MTV

https://www.youtube.com/watch?v=Tg1_3zosm-o

Titãs – 30 anos de carreira

https://www.youtube.com/watch?v=6fhaqhASe2k

Titãs – As melhores

https://www.youtube.com/watch?v=scP3QUan01k

“Mantenha seu equilíbrio. O equilíbrio depende da serenidade da mente. Jamais se aborreça nem se exalte. Não ligue importância às coisas passageiras que lhe vêm de fora. Não se impressione com o que os outros dizem. Siga a conduta ditada por sua consciência, e não perca seu equilíbrio. Caminhe para a frente, alegre e certo de que há de vencer, por maiores que sejam as dificuldades do caminho.” (Minutos de Sabedoria Pg. 163)

Bom dia pessoal,

Mais um final de semana chegando e este, em especial, além do feriadão, tem de especial o fato de ser dedicado ao meu santo protetor, meu São Jorge Guerreiro, amanhã, dia 23 de abril. Dia também de reverenciar a ancestralidade do Terreiro São Jorge Filhos da Goméia, local onde me encontro, onde me energizo. A minha saudação a Mameto Kamurici e a toda a família do nosso terreiro. Dia de relembrar Mãe Mirinha de Portão, de Tata Kasutemi e de beber na fonte da sabedoria ancestral.

São Jorge (275 – 23 de abril de 303) foi, de acordo com a tradição, um soldado romano no exército do imperador Diocleciano, venerado como mártir cristão. Na hagiografia, São Jorge é um dos santos mais venerados no catolicismo (tanto na Igreja Católica Romana e na Igreja Ortodoxa como também na Comunhão Anglicana). É imortalizado na lenda em que mata o dragão. É também um dos Catorze santos auxiliares.

Considerado como um dos mais proeminentes santos militares, a memória de São Jorge é celebrada nos dias 23 de abril e 3 de novembro. Nestas datas, por toda a parte, comemora-se a reconstrução da igreja que lhe é dedicada, em Lida (Israel), na qual se encontram suas relíquias. A igreja foi erguida a mando do imperador romano Constantino I.

São Jorge é o santo padroeiro em diversas partes do mundo tais como: (países) Inglaterra, Portugal (orago menor), Geórgia, Catalunha, Lituânia, Sérvia, Montenegro, Etiópia, e (cidades) Londres, Barcelona, Génova, Régio da Calábria, Ferrara, Friburgo em Brisgóvia, Moscovo/Moscou e Beirute.

Há uma tradição que aponta o ano 303 como ano da sua morte. Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos (decreto gelasiano do século VI), a devoção a São Jorge se espalhou por todo o mundo…

Confira mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Jorge

http://www.saojorge.net/sj.htm

Oração a São Jorge

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós.

Oração a São Jorge II

São Jorge, cavaleiro corajoso, intrépido e vencedor; abre os meus caminhos, ajuda-me a conseguir um bom emprego; faze com que eu seja bem quisto por todos superiores, colegas, e subordinados; que a paz, o amor e a harmonia estejam sempre presentes no meu coração, no meu lar e no meu serviço; meus inimigos terão os olhos e não me verão, terão boca e não me falarão, terão pés e não me alcançarão, terão mãos e não e não me ofenderão.

São Jorge vela por mim e pelos meus, protegendo-me com suas armas.

O meu corpo não será preso nem ferido, nem meu sangue derramado; andarei tão livre como andou Jesus Cristo nove meses no ventre da Virgem Maria.

Amém.

Oração a São Jorge IIII

Ó Deus onipotente,
Que nos protegeis
Pelos méritos e as bênçãos
De São Jorge.
Fazei que este grande mártir,
Com sua couraça,
Sua espada,
E seu escudo,
Que representam a fé,
A esperança,
E a inteligência,
Ilumine os nossos caminhos…
Fortaleça o nosso ânimo…
Nas lutas da vida.
Dê firmeza
À nossa vontade,
Contra as tramas do maligno,
Para que,
Vencendo na terra,
Como São Jorge venceu,
Possamos triunfar no céu
Convosco,
E participar
Das eternas alegrias.
Amém!

https://www.youtube.com/watch?v=Sc-aYDEi6cU

https://www.youtube.com/watch?v=jVK_hErOyzo

https://www.youtube.com/watch?v=fl4sSBjHQJ0

https://www.youtube.com/watch?v=4zYF6Jk8B3I

Hoje completam-se 516 anos de Brasil invadido pelos europeus, do começo do extermínio da esmagadora maioria da população original da terra brasilis, do caminhar para uma das mais terríveis trajetórias escravagistas do mundo. O tempo passou, mas, o que mudou nesses cinco séculos de Brasil? Em que, a classe dominante, egressa de tudo o quanto pior havia em Portugal, modificou seu modo de pensar e de agir, em relação àqueles que eles entendem inferiores a sua casta? Digo que absolutamente nada. Os últimos acontecimentos no Brasil demonstram exatamente o inverso. A casa grande ainda insiste em tentar impor a sua vontade e o seu programa à Senzala. E todos aqueles e aquelas que buscam ao menos diminuir o fosso social, criado durante esse período, por sua concepção perversa de sociedade, são seus inimigos declarados. Difícil é ver alguns dos nossos, ao longo dos últimos 14 anos achar que a ante sala da casa grande tinha se aliado aos ideais de libertação ou ao menos da minimização da miséria à qual esteve submetida a senzala nestes 516 anos. Nunca Serão! já diria o Capitão Nascimento. Mais do que nunca, estamos por nossa própria conta, parafraseando os irmãos do Movimento Negro. A luta continua, ou como diz Edson Gomes em sua música: “A vida não acabou, a não para aqui… A luta não acabou. E nem acabará. Só quando a liberdade raiar!…” ‪#‎VaiTerLuta‬

Talvez a forma jocosa como é visto o período, no filme Caramuru, explique um pouco do que vivemos tanto tempo depois.

https://www.youtube.com/watch?v=nOEuBAdzsKk

Em nossa sugestão de leitura para o “Trabalhando com Poesia” de hoje textos do site Brasil 247. Vale a pena conferir:

JB: impeachment é bomba que racha a sociedade – Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa utilizou sua conta no Twitter para afirmar que o processo de impeachment “é uma bomba” que só deve ser empregado com “precisão quase científica”; segundo ele, o “impeachment é uma formidável ferramenta contramajoritária, inerente ao próprio sistema presidencial de governo e previsto na Constituição, mas que deve ser usado com precisão quase científica”; para Barbosa, impedir um presidente é “regenerador em alguns casos, mas em outros pode se revelar destrutivo, convulsivo, provocador de rachas duradouros na sociedade”…

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/227547/JB-impeachment-%C3%A9-bomba-que-racha-a-sociedade.htm

Dilma enfrenta um inferno que insiste em voltar – Já tenho uma certa experiência em entrevistas coletivas de Dilma Rousseff. Confesso que nunca vi a presidente tão a vontade  em seu  lugar como ontem, quando recebeu um grupo de blogueiros no Planalto para falar sobre a crise aberta pela aprovação do pedido de impeachment pela Câmara de Deputados. Transmitindo a visão de quem tem convicções claras  sobre suas próprias razões, Dilma mostrou que:…

http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/227498/Dilma-enfrenta-um-inferno-que-insiste-em-voltar.htm

PT compara Michel Temer a traidor da Inconfidência – O PT utilizou a data desta quinta-feira, 21 de abril, dia em que se celebra a morte do mártir da Inconfidência Mineira, para denunciar a “traição” do vice-presidente Michel Temer (PMDB) em relação a presidente Dilma Rousseff; por meio das redes sociais, o PT compara Temer ao delator Joaquim Silvério dos Reis, que traiu os participantes do levante no século XVIII e que resultou na morte por enforcamento de Tiradentes; “Em 21 de abril de 1792, Joaquim Silvério dos Reis traía os revoltosos e Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira. Em 2016, Michel Temer trai a democracia brasileira e os mais de 54 milhões de eleitores que votaram em Dilma Rousseff”, diz um dos textos…

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/227568/PT-compara-Michel-Temer-a-traidor-da-Inconfid%C3%AAncia.htm

O mandato de Dilma pertence aos brasileiros – O parágrafo único do Artigo primeiro da Constituição do Brasil diz que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. O mandato da Presidente Dilma, conferido a ela por 54.501.118 votos, é expressão da soberania popular – o mandato não pertence a ela, mas ao próprio povo. A soberania popular tem sido alvo de inumeráveis violências. A mais grave delas foi a aprovação do impeachment na Câmara dos Deputados por 367 figuras deploráveis e vergonhosas que turvam a história do país…

http://www.brasil247.com/pt/colunistas/jefersonmiola/227460/O-mandato-de-Dilma-pertence-aos-brasileiros.htm

No Dia da Inconfidência, Mujica denuncia ao mundo o golpe brasileiro – Homenageado nesta quinta (21), com o Grande Colar, da Comenda de Minas Gerais, o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, falou sobre a crise política do Brasil; ele condenou a negação da política e defendeu a democracia; Mujica também reforçou a necessidade de unidade dos países da América Latina; “Necessitamos da política, o homem é um animal político. A função da política é impor limite às dores e às injustiças. É lutar por um mundo melhor, buscando conciliar permanentemente as diferenças. Não é função da política esmagar as diferenças. O pior resultado para as novas gerações diante do conflito que está vivendo o Brasil é que se termine com a conclusão de que a política não serve para nada. Há que se salvar a política, isto é um problema do Brasil”, afirmou…

http://www.brasil247.com/pt/247/minas247/227513/No-Dia-da-Inconfid%C3%AAncia-Mujica-denuncia-ao-mundo-o-golpe-brasileiro.htm

Tortura: Patrimônio cultural e histórico da “gente de bem” do Brasil – Sabe de uma coisa? Acho gás de pimenta e gás lacrimogênio muito pouco. Tinha que pegar esses vagabundos que ficam pedindo moradia e terra e arrastá-los pelos cabelos até um camburão. No caminho da delegacia, dar umas boas cotoveladas e uns socos na boca do estômago para já deixar claro que não é brincadeira. Daí, na DP, com eles despidos, e depois de moer meia hora de porrada em cada um, enfiar uns capuzes e simular afogamento com baldes de água fria na cabeça. Então, meia hora de descanso no pau-de-arara para afrouxar a alma, com umas borrachadas no ânus e na vagina para não deixar dormir. Daí, mais uns 15 minutos de eletrochoques nos órgãos genitais. E se ainda estiverem conscientes, arrancar umas quatro ou cinco unhas com um bom alicate, terminando o serviço. Tenho certeza que o vagabundo nunca mais vai reivindicar nada…

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/04/20/tortura-patrimonio-cultural-e-historico-da-gente-de-bem-do-brasil/

Bolsonaro é violento por ter audiência ou tem audiência por ser violento? Bolsonaro é violento? Sim, ele é. Mas não é burro. E nem está sozinho. Representa uma camada da população que divide com ele a visão de mundo e tem orgasmos múltiplos ao ouvir as estripulias de seu deputado. Estripulias que não vêm de rompantes do fígado, mas são milimetricamente calculadas para ganhar espaço na mídia, nas redes sociais. Todos os pontos de vista merecem ter voz em uma democracia. O problema é que a visão de mundo de Bolsonaro e representados torna o diálogo e mesmo a convivência pacífica muitas vezes impossível. Um estranho paradoxo: Bolsonaro e representados defendem a antítese da democracia, apesar de só continuarem podendo se expressar livremente por conta dela…

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/04/19/bolsonaro-e-violento-por-ter-audiencia-ou-tem-audiencia-por-ser-violento/

Dia do Índio: Hoje, celebramos esses povos. Amanhã, segue o genocídio – Roteiro para cobrir o Dia do Índio para a TV. Cena de fazenda ocupada por indígenas. Zoom na latinha de cerveja. Câmera abre até mostrar indígenas sentados em roda, rindo de algo. Locução do repórter cobrindo as imagens: – Eles estão festejando a invasão de trocentos milhares de hectares de terra. Terra que, até então, era produtiva. Close em um deles, no que fala “errado”. Desfocar as crianças indígenas com cara de pobres ao fundo. Foco na falta de dentes do entrevistado. Se estiverem sujos, melhor. – Estamos esperando o governo nos atender, né?…

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/04/19/dia-do-indio-hoje-celebramos-esses-povos-amanha-segue-o-genocidio/

Impeachment: Por Deus, pela família, por Cunha – Você pode ser a favor ou contra o impeachment de Dilma Rousseff, não importa. Mas se tem, pelo menos, dois neurônios funcionais irá concordar que grande parte da Câmara dos Deputados é composta de semoventes incapazes de demonstrar empatia, quiçá exercerem aquela que deveria ser a mais nobre das atividades, que é a política. Pelo contrário, consideram-se a si mesmos o centro do universo e seus interesses como os interesses do Estado. Se multiplicassem o seu bom senso pelo número de conchinhas do mar e elevasse o resultado ao número de estrelinhas do céu, eles ainda não veriam problema algum em agradecer ao seu poodle querido no microfone de votação.

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/04/18/impeachment-por-deus-pela-familia-por-cunha/

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

https://oipa2.wordpress.com/2016/04/22/trabalhando-com-poesia-702

Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina.  Uma sexta-feira de caminhos abertos a nossa frente e coberta pela paz do Alá de Oxalá! até segunda.

Apio Vinagre Nascimento

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Adiamento – Álvaro de Campos

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico…
Esta espécie de alma…
Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã…
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã…
Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo…
Antes, não…
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã…
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
Sim, talvez só depois de amanhã…

O porvir…
Sim, o porvir…

https://www.youtube.com/watch?v=QBbYw3qBumg

 

APONTAMENTO – Álvaro de Campos, 1929

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

https://www.youtube.com/watch?v=IQQyL_R1Z7g

 

MAGNIFICAT – Álvaro de Campos, 7-11-1933

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!

https://www.youtube.com/watch?v=FNuVB7Zf5Mo

 

Tabacaria – Álvaro de Campos

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,

E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
0 mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,

E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno – não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra ,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.

0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.

https://www.youtube.com/watch?v=-bJ0tDULDLU

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