Trabalhando com Poesia

“… Pra você guardei o amor, que nunca soube dar, o amor que tive e vi, sem me deixar sentir, sem conseguir provar, sem entregar e repartir… Pra você guardei o amor, que sempre quis mostrar, o amor que vive em mim vem visitar, sorrir, vem colorir solar, vem esquentar e permitir… Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz, no giz do gesto o jeito pronto, do piscar dos cílios, que o convite do silêncio, exibe em cada olhar… Guardei, sem ter porquê, nem por razão ou coisa outra qualquer… Além de não saber como fazer, pra ter um jeito meu, de me mostrar… Achei, vendo em você, e explicação nenhuma isso requer, se o coração bater forte e arder, no fogo o gelo vai queimar… Pra você guardei o amor, que aprendi vendo os meus pais, o amor que tive e recebi, e hoje posso dar, livre e feliz, céu cheiro e ar, na cor que o arco-íris risca ao levitar… Vou nascer de novo, lápis, edifício, tevere, ponte, desenhar no seu quadril, meus lábios beijam signos feito sinos, trilho a infância, terço o berço, do seu lar… Guardei, sem ter porquê, nem por razão ou coisa outra qualquer… Além de não saber como fazer, pra ter um jeito meu, de me mostrar… Achei, vendo em você, e explicação nenhuma isso requer, se o coração bater forte e arder, no fogo o gelo vai queimar… Pra você guardei o amor, que nunca soube dar, o amor que tive e vi, sem me deixar sentir, sem conseguir provar, sem entregar e repartir… Pra você guardei o amor, que sempre quis mostrar, o amor que vive em mim vem visitar, sorrir, vem colorir solar, vem esquentar e permitir… Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz, no giz do gesto o jeito pronto, do piscar dos cílios, que o convite do silêncio, exibe em cada olhar… Guardei, sem ter porquê, nem por razão ou coisa outra qualquer… Além de não saber como fazer, pra ter um jeito meu, de me mostrar… Achei, vendo em você, e explicação nenhuma isso requer, se o coração bater forte e arder, no fogo o gelo vai queimar…” (Nando Reis & Ana Cañas – Pra você guardei o amor – Comp.: Nando Reis)

  

“… Não consigo olhar no fundo dos seus olhos e enxergar as coisas, que me deixam no ar, me deixam no ar… As várias fases, estações que me levam com o vento e o pensamento bem devagar… Outra vez, eu tive que fugir, eu tive que correr, pra não me entregar, às loucuras que me levam até você, me fazem esquecer que eu não posso chorar… Olhe bem no fundo dos meus olhos, e sinta a emoção, que nascerá, quando você me olhar… O universo conspira a nosso favor, a consequência do destino é o amor, pra sempre, vou te amar… Mas talvez, você não entenda, essa coisa de fazer o mundo acreditar, que meu amor, não será passageiro, te amarei de janeiro a janeiro, até o mundo acabar… Até o mundo acabar… Até o mundo acabar… Até o mundo acabar… Mas talvez, você não entenda, essa coisa de fazer o mundo acreditar, que meu amor, não será passageiro, te amarei de janeiro a janeiro, até o mundo acabar… Até o mundo acabar… Até o mundo acabar… Até o mundo acabar… Até o mundo acabar…(Nando Reis & Roberta Campos – De janeiro a janeiro – Comp.: Roberta Campos)


“… E quando eu estiver triste, simplesmente me abrace. Quando eu estiver louco, subitamente se afaste. Quando eu estiver fogo, suavemente se encaixe… E quando eu estiver triste, simplesmente me abrace. Quando eu estiver louco, subitamente se afaste. E quando eu estiver bobo, sutilmente disfarce… Mas quando eu estiver morto, suplico que não me mate, não, dentro de ti… Dentro de ti… Mesmo que o mundo acabe, enfim. Dentro de tudo que cabe em ti… Mesmo que o mundo acabe, enfim. Dentro de tudo que cabe em ti E quando eu estiver triste, simplesmente me abrace. Quando eu estiver louco, subitamente se afaste… E quando eu estiver bobo, sutilmente disfarce… Mas quando eu estiver morto, suplico que não me mate, não, dentro de ti… Dentro de ti… Mesmo que o mundo acabe, enfim. Dentro de tudo que cabe em ti… Mesmo que o mundo acabe, enfim. Dentro de tudo que cabe em ti Mesmo que o mundo acabe, enfim. Dentro de tudo que cabe em ti… Mesmo que o mundo acabe, enfim. Dentro de tudo que cabe em ti(Nando Reis & Skank – Sutilmente – Comp.: Nando Reis & Samuel Rosa)

 

Já pensou em agradecer a Deus pelo ar que respira, desde que nasceu, sem que jamais lhe tenha faltado? O ar está sempre à sua disposição, de graça. Agradeça ao Pai também a água que o dessedenta, o sol que ilumina o seu dia, dando-lhe oportunidade de trabalhar, a noite que lhe proporciona o repouso, a saúde, a alegria, os amigos… O agradecimento é uma obrigação que não devemos jamais esquecer.” (Minutos de Sabedoria Pg. 185)

Bom dia pessoal,

 

Em nossa sugestão de leitura para o “Trabalhando com Poesia” de hoje textos dos blogs de Marcelo Auler e Leonardo Sakamoto. Vale a pena conferir:

 

Do Tijolaço: “prendem Delcídio e deixam Jucá solto?” – Marcelo Auler – “E agora que todo mundo sabe que você foi feito de trouxa? E como trouxa ainda gritou moralismos para seus amigos”. A pergunta acima circulou em postagens no Face book na manhã desta segunda-feira (23/05), após o repórter Rubens Valente, da Folha da S. Paulo, divulgar as conversas do novo ministro do Planejamento, Romero Jucá, com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Na conversa transparece que combinavam como estancar a Operação Lava Jato, como mostra a reportagem: Em gravações, Jucá sugere pacto para deter avanço da Lava Jato. O que veio à público é o que todos sempre suspeitaram, muito embora Jucá tenho corrido à CBN para negar que estivesse falando da Lava Jato. Segundo disse em entrevista à rádio, referia-se a estancar a sangria da economia: Jucá admite diálogo sobre um suposto pacto contra a Lava-jato…

http://www.marceloauler.com.br/do-tijolaco-prendem-delcidio-e-deixam-juca-solto/

 

 

No desmonte da Previdência, a Datraprev pode dançar – Por Marcelo Auler – A proposta do governo que chegou ao poder pelo golpe, tendo à frente o presidente interino Michel Temer, mais do que reformar a Previdência, busca, na verdade, o desmonte dela, quem sabe abrindo espaço para os planos de aposentadoria privados. Não se trata apenas, como estão anunciando, de modificar regras para castrar direito dos cidadãos na hora de se beneficiarem das contribuições que fizeram ao longo da vida profissional. Fosse isso, o governo interino não teria desmontado o Ministério da Previdência Social, em um ato ousado contra  o qual ninguém levantou a voz…

http://www.marceloauler.com.br/no-desmonte-da-previdencia-a-datraprev-pode-dancar/

 

Dilma ovacionada em BH; e se fosse Temer? – Marcelo Auler* – Ao ver esta filmagem feita no sábado (22/05) fico me perguntando se o presidente interino Michel Temer teria uma recepção parecida, caso começasse a viajar pelo Brasil como Dilma Rousseff faz hoje, ainda que tardiamente. Foram mais de 30 mil pessoas recepcionando-a. Ela deveria ter feito isso mais vezes ainda no governo, buscando o respaldo popular. Fica também a dúvida se o tivesse feito ela não teria conquistado mais força para rebater ao golpe que lhe aplicaram no parlamento, com apoio da mídia e de parcela da opinião pública…

 

http://www.marceloauler.com.br/dilma-ovacionada-em-bh-se-fosse-temer-o-que-aconteceria/

 

Governo da Usurpação Nacional – Arnaldo César (*) – “A turminha chegou com a corda toda, mas esqueceu de partilhar o butim, ao menos, com uma mulher ou com um negro”. Veja quanta “bondade” o Governo de Usurpação Nacional acaba de mimosear os brasileiros. Ainda não se completaram duas semanas que Michel Temer e sua turminha deram o golpe e tomaram de assalto o Palácio do Planalto. O legado que estão construindo, porém, é substancioso. Especialmente, no que diz respeito à detonação das conquistas sociais, da democracia e do estado de direito. Respaldados por uma trama urdida nas duas casas do Parlamento e na alta corte da Justiça brasileira, a turminha chegou com a corda toda…

http://www.marceloauler.com.br/governo-da-usurpacao-nacional/

 

 

Em SP, a polícia lava a jato. Em Brasília, um pacto para lavar só vermelho – Leonardo Sakamoto – Durou pouco o acampamento organizado pela Frente Povo Sem Medo em uma praça próxima à residência do presidente interino Michel Temer, em São Paulo. Mais de 200 pessoas foram expulsas pela polícia militar com jatos de água, gás lacrimogênio e bombas de estilhaços (pergunte para alguém ferido por um estilhaço se ele é de “efeito moral”, como defende o governo paulista e seu discurso de armamento não-letal). O acampamento foi montado ao final de uma marcha que reuniu cerca de 30 mil pessoas, segundo os organizadores, que consideraram este o maior ato contra o presidente interino na cidade, e 5 mil, de acordo com a PM. Os manifestantes queriam protestar em frente à residência de Michel, mas foram impedidos por barricadas policiais…

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/05/23/em-sp-a-policia-lava-a-jato-em-brasilia-um-pacto-para-lavar-so-vermelho/

 

“Não reclame, trabalhe” – As frases amadas por cães de guarda do status quo – Leonardo Sakamoto – “Se me ferrei a vida inteira, todo mundo tem que se ferrar também.” – A frase representa o melhor da filosofia “Para o Buraco, Eu Não Vou Sozinho”, muito conhecida desde que o primeiro hominídeo andou de pé, tropeçou e se agarrou no colega para não ir sozinho ao chão, mas que vem se aprofundando aqui, no Brasil de 2016. E, é claro, temos variações: “Quando era pequeno, não tinha merenda na escola e mesmo assim não morri de fome e me formei. Por que esses estudantes preguiçosos não calam a boca e sentam a bunda na carteira?”…

 

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/05/20/nao-reclame-trabalhe-as-frases-amadas-por-caes-de-guarda-do-status-quo/

 

 

Quilombolas: Em busca das terras prometidas pela Constituição – Leonardo Sakamoto – Apenas 7% das famílias quilombolas vivem em áreas tituladas. Na busca pelo reconhecimento dos territórios, comunidades enfrentam ameaças, confisco de objetos históricos e resistência até do órgão de preservação do patrimônio. A titulação dos quilombos é assessorada pela Fundação Cultural Palmares, entidade que era ligada ao Ministério da Cultura e agora, com sua extinção e subordinação ao Ministério da Educação, responderá ao ministro Mendonça Filho. Seu partido, o Democratas (DEM), move uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3239), no Supremo Tribunal Federal, questionando exatamente o decreto que regulamenta a identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação de terras quilombolas…

 

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/05/19/quilombolas-em-busca-das-terras-prometidas-pela-constituicao/

 

 

Havana Connection avalia os primeiros dias do governo Michel Temer – Leonardo Sakamoto – O Havana Connection, em sua 18a edição, conversou sobre as polêmicas dos primeiros dias do presidente interino Michel Temer, sobre a resistência e oposição que vem sendo feita ao seu governo e a respeito da necessidade da esquerda refletir sobre seus erros e seu futuro. O programa conta com o coordenador do MTST Guilherme Boulos, o deputado federal Jean Wyllys e a jornalista Laura Capriglione e é mediado por este que vos escreve. “Tem uma pobreza de compreensão do que é cultura, como um penduricalho, com algo supérfluo. Michel Temer não reconhece os direitos culturais como direitos humanos”, disse o deputado federal Jean Wyllys sobre o rebaixamento do Ministério da Cultura…

 

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/05/18/havana-connection-avalia-os-primeiros-dias-do-governo-michel-temer/

 

 

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

 

https://oipa2.wordpress.com/2016/05/24/trabalhando-com-poesia-724
Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina. Uma Terça-feira abençoada por Deus e protegida pela força guerreira de Ogum. Ogunhê!!!

 

Apio Vinagre Nascimento

e-mail: apiovinagre.adv@gmail.com

e-mail 1: apio.vinagre @pedraevinagre.adv.br

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A Concha e a VirgemGonçalves Dias

Linda concha que passava,
Boiando por sobre o mar,
Junto a uma rocha, onde estava
Triste donzela a pensar,

Perguntou-lhe: — “Virgem bela,
Que fazes no teu cismar?”
— “E tu”, pergunta a donzela,
“Que fazes no teu vagar?”

Responde a concha: — “Formada
Por estas águas do mar,
Sou pelas águas levada,
Nem sei onde vou parar!”

Responde a virgem sentida,
Que estava triste a pensar:
— “Eu também vago na vida,
Como tu vagas no mar!

“Vais duma a outra das vagas,
Eu dum a outro cismar;
Tu indolente divagas,
Eu sofro triste a cantar.

“Vais onde te leva a sorte,
Eu, onde me leva Deus:
Buscas a vida, — eu a morte;
Buscas a terra, — eu os céus!

 

A TempestadeGonçalves Dias

Quem porfiar contigo… ousara
Da glória o poderio;
Tu que fazes gemer pendido o cedro,
Turbar-se o claro rio?
A. HERCULANO

Um raio
Fulgura
No espaço
Esparso,
De luz;
E trêmulo
E puro
Se aviva,
S’esquiva
Rutila,
Seduz!

Vem a aurora
Pressurosa,
Cor de rosa,
Que se cora
De carmim;
A seus raios
As estrelas,
Que eram belas,
Tem desmaios,
Já por fim.

O sol desponta
Lá no horizonte,
Doirando a fonte,
E o prado e o monte
E o céu e o mar;
E um manto belo
De vivas cores
Adorna as flores,
Que entre verdores
Se vê brilhar.

Um ponto aparece,
Que o dia entristece,
O céu, onde cresce,
De negro a tingir;
Oh! vede a procela
Infrene, mas bela,
No ar s’encapela
Já pronta a rugir!
Não solta a voz canora
No bosque o vate alado,
Que um canto d’inspirado
Tem sempre a cada aurora;
É mudo quanto habita
Da terra n’amplidão.
A coma então luzente
Se agita do arvoredo,
E o vate um canto a medo
Desfere lentamente,
Sentindo opresso o peito
De tanta inspiração.

Fogem do vento que ruge
As nuvens aurinevadas,
Como ovelhas assustadas
Dum fero lobo cerval;
Estilham-se como as velas
Que no alto mar apanha,
Ardendo na usada sanha,
Subitâneo vendaval.

Bem como serpentes que o frio
Em nós emaranha, — salgadas
As ondas s’estanham, pesadas
Batendo no frouxo areal.
Disseras que viras vagando
Nas furnas do céu entreabertas
Que mudas fuzilam, — incertas
Fantasmas do gênio do mal!

E no túrgido ocaso se avista
Entre a cinza que o céu apolvilha,
Um clarão momentâneo que brilha,
Sem das nuvens o seio rasgar;
Logo um raio cintila e mais outro,
Ainda outro veloz, fascinante,
Qual centelha que em rápido instante
Se converte d’incêndios em mar.

Um som longínquo cavernoso e ouco
Rouqueja, e n’amplidão do espaço morre;
Eis outro inda mais perto, inda mais rouco,
Que alpestres cimos mais veloz percorre,
Troveja, estoura, atroa; e dentro em pouco
Do Norte ao Sul, — dum ponto a outro corre:
Devorador incêndio alastra os ares,
Enquanto a noite pesa sobre os mares.

Nos últimos cimos dos montes erguidos
Já silva, já ruge do vento o pegão;
Estorcem-se os leques dos verdes palmares,
Volteiam, rebramam, doudejam nos ares,
Até que lascados baqueiam no chão.

Remexe-se a copa dos troncos altivos,
Transtorna-se, tolda, baqueia também;
E o vento, que as rochas abala no cerro,
Os troncos enlaça nas asas de ferro,
E atira-os raivoso dos montes além.

Da nuvem densa, que no espaço ondeia,
Rasga-se o negro bojo carregado,
E enquanto a luz do raio o sol roxeia,
Onde parece à terra estar colado,
Da chuva, que os sentidos nos enleia,
O forte peso em turbilhão mudado,
Das ruínas completa o grande estrago,
Parecendo mudar a terra em lago.

Inda ronca o trovão retumbante,
Inda o raio fuzila no espaço,
E o corisco num rápido instante
Brilha, fulge, rutila, e fugiu.
Mas se à terra desceu, mirra o tronco,
Cega o triste que iroso ameaça,
E o penedo, que as nuvens devassa,
Como tronco sem viço partiu.

Deixando a palhoça singela,
Humilde labor da pobreza,
Da nossa vaidosa grandeza,
Nivela os fastígios sem dó;
E os templos e as grimpas soberbas,
Palácio ou mesquita preclara,
Que a foice do tempo poupara,
Em breves momentos é pó.

Cresce a chuva, os rios crescem,
Pobres regatos s’empolam,
E nas turvam ondas rolam
Grossos troncos a boiar!
O córrego, qu’inda há pouco
No torrado leito ardia,
É já torrente bravia,
Que da praia arreda o mar.

Mas ai do desditoso,
Que viu crescer a enchente
E desce descuidoso
Ao vale, quando sente
Crescer dum lado e d’outro
O mar da aluvião!
Os troncos arrancados
Sem rumo vão boiantes;
E os tetos arrasados,
Inteiros, flutuantes,
Dão antes crua morte,
Que asilo e proteção!

Porém no ocidente
S’ergue de repente
O arco luzente,
De Deus o farol;
Sucedem-se as cores,
Qu’imitam as flores
Que sembram primores
Dum novo arrebol.

Nas águas pousa;
E a base viva
De luz esquiva,
E a curva altiva
Sublima ao céu;
Inda outro arqueia,
Mais desbotado,
Quase apagado,
Como embotado
De tênue véu.

Tal a chuva
Transparece,
Quando desce
E ainda vê-se
O sol luzir;
Como a virgem,
Que numa hora
Ri-se e cora,
Depois chora
E torna a rir.

A folha
Luzente
Do orvalho
Nitente
A gota
Retrai:
Vacila,
Palpita;
Mais grossa
Hesita,
E treme
E cai.

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