Trabalhando com Poesia

“… O amor não vê nobreza, é tão vulgar, é qualquer um. A sua realeza vai coroar um beijo só… O amor não tem segredo, é violável, como um violão. Matei o amor por tantas vezes, e o que sobrou de mim?… Vem me dar seu amor, onde está esse amor? No corpo inteiro… O amor é uma surpresa, sem pecado ou salvação. Quando posto na mesa, seu retrato a traição… No amor a alma vive presa, condenada à ilusão. Morrer de amor é uma beleza, abandonado é solidão… Vem me dar seu amor, onde está esse amor? No corpo inteiro… Vem me dar sua mão, vou pegar sua mão, e jogar num incêndio… O amor não tem segredo, é violável, como um violão. Matei o amor por tantas vezes, e o que sobrou de mim?… Vem me dar seu amor, onde está esse amor? No corpo inteiro… Vem me dar sua mão, vou pegar sua mão, e jogar num incêndio… Vem me dar seu amor, onde está esse amor? No corpo inteiro… Vem me dar sua mão, vou pegar sua mão, e jogar num incêndio…” (Nando Reis – Declaração de amor – Comp.: Nando Reis)

“… Nem o céu resplandecente, nem o mar, profundo azul, que explodem comoventes, podem te trazer aqui… Nem a dor dessa saudade, futura flor que não abriu, nem a distância entre as cidades, podem te afastar de mim… Não vou dizer que não dói, mas já senti tantas dores, seria muito pior, se você não quisesse vir… Nem a dor dessa saudade, futura flor que não abriu, nem a distância entre as cidades, podem te afastar de mim… Não vou dizer que não dói, mas já senti tantas dores, seria muito pior, se você não quisesse vir… Não vou dizer que não dói, mas já senti tantas dores, seria muito pior, se você não quisesse vir…” (Nando Reis & Marisa Monte – Pra quem não vem – Comp.: Nando Reis)

 

“… Sabe quando a gente tem vontade de encontrar a novidade de uma pessoa? Quando o tempo passa rápido, quando você está ao lado dessa pessoa? Quando dá vontade de ficar nos braços dela, e nunca mais sair?… Sabe, quando a felicidade invade, quando pensa na imagem da pessoa? Quando lembra que seus lábios encontraram outros lábios de uma pessoa? E o beijo esperado ainda está molhado e guardado ali?… Em sua boca, que se abre e sorri feliz, quando fala o nome daquela pessoa… Quando quer beijar de novo, muito os lábios desejados da sua pessoa… Quando quer que acabe logo a viagem, que levou ela pra longe daqui… Sabe, quando passa a nuvem em brasa, abre o corpo, o sopro do ar que traz essa pessoa? Quando quer ali deitar, se alimentar, e entregar seu corpo pra pessoa? Quando pensa porque não disse a verdade, é que eu queria que ela estivesse aqui… Sabe, quando a felicidade invade, quando pensa na imagem da pessoa? Quando lembra que seus lábios encontraram outros lábios de uma pessoa? E o beijo esperado ainda está molhado, e guardado ali… Em sua boca, que se abre e sorri feliz, quando fala o nome daquela pessoa… Quando quer beijar de novo, muito os lábios desejados da sua pessoa… Quando pensa porque não disse a verdade, é que eu queria que ela estivesse aqui… Sei… Eu sei…” (Nando Reis – Sei – Comp.: Nando Reis)

 

 

 

“… Minha cor, minha flor, minha cara… Quarta estrela, letras, três, uma estrada… Não sei se o mundo é bom, mas ele ficou melhor, quando você chegou, e perguntou: Tem lugar pra mim?… Espatódea, Gineceu, Cor de pólen… Sol do dia, nuvem branca, sem sardas… Não sei quanto o mundo é bom, mas ele está melhor, desde que você chegou, e explicou o mundo pra mim… Não sei se esse mundo está são, mas pro mundo que eu vim já não era, meu mundo não teria razão, se não fosse a Zoé… Espatódea, Gineceu, Cor de pólen… Sol do dia, nuvem branca, sem sardas… Não sei quanto o mundo é bom, mas ele está melhor, desde que você chegou, e explicou o mundo pra mim… Não sei se esse mundo está são, mas pro mundo que eu vim já não era, meu mundo não teria razão, se não fosse a Zoé…” (Nando Reis – Espatódea – Comp.: Nando Reis)

 

 

Curta mais um pouco de Nando Reis

 

Nando Reis & Os infernais – Luau MTV

Nando Reis & Os infernais – MTV Ao vivo

Festival João Rock (HD) 08/06/2013

 

Nando Reis (The Best Of) – full álbum

“Não confunda cultura com sabedoria. A cultura vem de fora para dentro, penetra pelos olhos e ouvidos e pode fixar-se ou não em nosso cérebro. A sabedoria, ao contrário, nasce de dentro de nós, e se exterioriza; surge no coração e só pode ser adquirida por meio da meditação. Até os analfabetos podem conquistar a sabedoria, se souberem meditar em seus corações sobre as grandes verdades.” (Minutos de Sabedoria Pg. 188)

 

Bom dia pessoal,

 

E mais conversas vão surgindo e explicando, em tempo bem menor que o pedido da Ministra Rosa Weber, o porque da Presidenta Dilma e cada um (a) de nós afirmarmos, desde o começo dessa sórdida armação política, que o que tem sido urdido por Michel Temer, Aécio Neves e seu séquito do DEM, PSDB, PMDB e outras legendas de aluguel, independente do tamanho, nada mais é que um grande golpe, mais camuflado, porém mais sórdido e perigoso ao Brasil e às classes menos favorecidas que o construído pelos militares.

Foi preciso o transcurso de duas semanas, para que um Ministro do STF questionasse, em sede de análise de pedido de medida cautelar, a sórdida desmontagem conduzida pelo mordomo do golpe Michel Temer. Se é verdade que esse rapaz foi eleito juntamente com Dilma, e é verdade, lamentavelmente, não o foi para tocar um projeto distinto daquele que foi eleito em outubro de 2014.

Uma única coisa nos faz, mesmo sem perder a indignação com o que ouvimos e lemos, ficar felizes é reafirmar a convicção de estarmos fazendo a boa luta. De estarmos do lado correto da trincheira.

No último dia 25 tive acesso a um artigo do Estadão em que o periódico destila seu ódio contra o PT e seu projeto, desta feita elegendo alguns parlamentares petistas, entre eles a companheira Moema. Dessa leitura, escrevi “A opção pela inversão de valores: Triste fim de uma imprensa parcial, omissa e conivente com o golpe!!”: “Não há qualquer estranheza no conteúdo do material divulgado pelo Estadão, em sua coluna Opinião, de 25 de maio de 2016, intitulada “A opção pela baderna”, na qual acusa o PT e seus parlamentares de “demonstrar menosprezo pela democracia e suas instituições.” (Sic) Ao intitular os parlamentares Paulo Pimenta, Helder Salomão e Moema Gramacho, de arruaceiros, por terem se manifestado em relação a Michel Temer, mais do que expressar uma opinião jornalística demonstra a sua verve aliada do golpe institucional perpetrado por parcela da classe política e empresarial brasileira…”

 

Leia todo p texto em meu blog: https://oipa2.wordpress.com/2016/05/26/a-opcao-pela-inversao-de-valores-triste-fim-de-uma-imprensa-parcial-omissa-e-conivente-com-o-golpe-por-apio-vinagre/

 

Em nossa sugestão de leitura para o “Trabalhando com Poesia” de hoje, textos dos sites Pátria Latina e Blog do Miro. Vale a pena conferir:

Gilmar Mendes e “o esquema do Aécio”. Por Jeferson Miola: A conversa entre os delinquentes Sérgio Machado e o ainda senador Romero Jucá é a revelação mais completa – até o momento, porque certamente surgirão outras revelações ainda mais elucidativas – sobre a conspiração montada para a perpetração do golpe de Estado no Brasil através da farsa do impeachment. De tão minuciosa e tão rica em detalhes, esta peça permite realizar uma profunda autópsia do golpe. Aécio Neves, um campeão de menções em listas de corrupção e depoimentos de corruptos – e campeão de investigações abafadas e engavetadas – por óbvio não ficaria fora da conversa dos dois delinquentes que hoje estão no PMDB, mas já pertenceram aos quadros do PSDB. Comentando a inviabilidade eleitoral de Aécio devido ao envolvimento do presidente do PSDB em corrupção, Sérgio Machado disse: “O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…”. Jucá responde, concordando: “É, a gente viveu tudo”…

 

http://www.patrialatina.com.br/gilmar-mendes-e-o-esquema-do-aecio/

 

 

A violência do golpe “brando” no Brasil. Por Stella Calloni: Buenos Aires (Prensa Latina) O governo legítimo da presidenta Dilma Rousseff foi suspenso por um golpe de Estado “brando” porém violento, propiciado nada menos que pelo Congresso da Nação, desvirtuando desta maneira sua própria existência como Câmara legislativa, violando a Constituição e as leis. A presidenta suspensa por 180 dias enfrentará um julgamento político forçado, já que não existem provas e poderá apresentar sua defesa, ainda que alguns dos ministros do insólito novo gabinete armado por seu vice-presidente Michel Temer, que deveria substituí-la interinamente, falam de “governo destituído” com absoluta impunidade, reconhecendo o golpe. Como fato vergonhoso figura para a história da infâmia o reconhecimento ao “processo institucional” que fez desde o primeiro momento o governo do direitista Mauricio Macri da Argentina, apesar da evidência do golpe de Estado…

 

http://www.patrialatina.com.br/a-violencia-do-golpe-brando-no-brasil/

 

TEMER, O HOMEM DA CIA. Por Héctor Bernardo*: Entreouvido na redação do Pátria Latina – “Os tentáculos da CIA no Brasil não abrange somente o golpista do Temer. A Mídia, os mídiatico, parlamentares, ONGS e entidades secretas e outras não tão secretas assim, estão a serviço da agencia”. (Valter Xéu) Uma comunicação revelada pelo Wikileaks mostra que o presidente interino do Brasil, Michel Temer, a quem Dilma Rousseff definiu como “o chefe dos conspiradores”, era informante da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA). De acordo com a informação em seu momento confidencial, Temer reunia-se periodicamente com os representantes da Embaixada dos Estados Unidos e oferecia-lhes informação que ele mesmo qualificava como “sensível” e “somente para uso oficial”. A mensagem difundida pelo Wikileaks, que teria sido emitida em 2005, foi enviada de São Paulo ao Comando Sul (com sede em Miami) e assinala…

http://www.patrialatina.com.br/temer-o-homem-da-cia/

 

 

A capacitação da rua para virar o jogo – O Congresso não é a assembleia da nação. Não a representa. Lutar pelo mandato de Dilma é reconstruir nas ruas a agenda do desenvolvimento e da democracia. por: Saul Leblon/Carta Maior – Uma das tarefas cruciais da política – sua própria razão de ser –  é captar a totalidade de um momento histórico para daí tirar as consequências teóricas, programáticas e organizativas. Sem isso a coisa não vai, desanda do entusiasmo à prostração, da mobilização ao cansaço e daí à dispersão. O golpe de 12 de maio encerra todas as contradições de um ajuntamento no qual a cota de  vigarice e corrupção está precificada na elevada resiliência de Eduardo Cunha no ministério interventor. Moro, Lava Jato, togas foram apenas adereços de mídia do enredo, mas seu verdadeiro lastro histórico não pode ser subestimado. A virulência, a abrangência do desmonte promovido na institucionalidade econômica e democrática extrapolam o lado caricatural de captação imediata incontornável…

 

http://www.patrialatina.com.br/a-capacitacao-da-rua-para-virar-o-jogo/

 

Temer e a quitação das contas de campanha. Por Luis Nassif – A primeira semana serviu para o presidente interino acertar as contas menores, loteando o Ministério entre o baixo clero. Ontem, além do anúncio da flexibilização da lei do pré-sal e das investidas sobre a Previdência Social, começou o acerto das grandes contas, começando pela desvinculação orçamentária para as despesas sociais, o grande avanço civilizatório da Constituição de 1988. Trata-se de uma disputa histórica em torno do orçamento: os rentistas pretendendo se apossar do orçamento através da dívida pública; e a sociedade, através dos gastos voltados para a melhoria da vida da população…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/05/temer-e-quitacao-das-contas-de-campanha.html

 

Que tal uma cota de extermínio? Por Tereza Cruvinel – O impeachment foi e está sendo uma aliança entre a fome a vontade de comer. A fome dos corruptos para “estancar a sangria” através do acordão em torno de Michel Temer e a vontade de comer dos “capitalistas rentistas e financistas – os grandes vitoriosos do momento”, como disse Bresser Pereira. As duas pontas da aliança seguem comandando o baile no governo bicéfalo, que tem uma cabeça a serviço do mercado e outra a serviço da “maioria parlamentar”. Uma servindo à outra, como nesta madrugada em que a maioria passou o trator no plenário aprovando a anti-meta fiscal de R$ 170 bilhões de déficit. Horas antes fora apresentada ao distinto público a mais violenta proposta de arrocho já defendida por um governo. Os decretos do arrocho salarial de Delfim Netto, na ditadura, ficam pálidos diante da ideia de limitar o crescimento da despesa pública à inflação do ano anterior…

 

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/05/que-tal-uma-cota-de-exterminio.html

 

 

Considerações sobre o governo Cunha – Por Hamilton Pereira – O Brasil vive, a partir de 12 de maio de 2016, data do afastamento da Presidente eleita e da posse de Michel Interino Temer um ciclo político singular: uma espécie de Parlamentarismo bastardo em que o vice assumiu as funções de Chefe de Estado, e seu comparsa na sedição, Eduardo Cunha assumiu – de fato – a Chefia do Governo. Tudo sob o olhar complacente do Poder Judiciário sempre preocupado com as formalidades e os ritos. Ainda que, quando necessário aos interesses da plutocracia, as formalidades e os ritos virem fumaça seja pela ação, seja pela omissão, sob a alegação marota de que os tempos da justiça não se afinam com as turbulências da política. Estamos, pois, sob um regime parlamentarista em que o Primeiro Ministro se encontra na condição de réu, afastado de suas atividades pela Suprema Corte, mas nem por isso menos atuante, como vimos na composição e nos primeiros passos do governo interino, a partir da composição do Ministério…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/05/consideracoes-sobre-o-governo-cunha.html

 

 

Áudios de Sarney confirmam o golpe. Por Renato Rovai: Os áudios de Sarney foram apresentados na noite de ontem pelo UOL numa nova matéria do repórter Rubens Valente. Antes de ler a transcrição este blogue afirmou, pelo que havia sido apresentado na primeira nota, que pareciam mais com os de Renan do que com os de Jucá. Com a transcrição vindo a público já não dá para dizer o mesmo. Sarney foi muito além do presidente do Senado e pouco além do ex-ministro do Planejamento nas duas conversas publicadas até o momento. O maranhense deixou claro que estava envolvido até as tampas no impeachment de Dilma. E que não havia solução com ela no governo para que se pudesse proteger aqueles que estavam sendo investigados na Lava Jato…

 

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/05/audios-de-sarney-confirmam-o-golpe.html

 

 

José Serra: O chanceler do oportunismo. Por Eric Nepomuceno: Dos integrantes do gabinete interino do interino presidente Michel Temer, José Serra é o de mais longa trajetória política e o que mais cargos importantes já ocupou. Foi deputado nacional, ministro do Planejamento e da Saúde, governador de São Paulo – o Estado mais rico do Brasil – e prefeito da cidade de São Paulo. Disputou a presidência em duas ocasiões e foi amplamente derrotado. Primeiro, por Lula da Silva, em 2003. Depois, em Dilma Rousseff, em 2010. Em 2014, foi eleito senador, cargo que ocupava quando nomeado chanceler por Temer. Sua origem política foi o movimento estudantil. Serra foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) durante o governo de Jango Goulart (1961-1964), e um dos fundadores da AP (Ação Popular), ativa e poderosa organização de esquerda da época. Em 1964, quando o golpe instaurou no Brasil uma ditadura que duraria 21 anos, Serra foi preso…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/05/jose-serra-o-chanceler-do-oportunismo.html

 

 

Mídia compactuou com o crime em Mariana. Por Raphael Coraccini: Os primeiros noticiários sobre o crime ambiental de Mariana excluíram totalmente a Vale da história e a culpa foi jogada somente para cima da Samarco. Nos dias seguintes, quando a mídia alternativa passou a esclarecer a população sobre o nome das empresas envolvidas (além da Samarco, BHP e Vale), a grande mídia finalmente resolveu envolver a Vale na história. Mesmo assim, as notícias negativas em relação à mineradora vinham acompanhadas de justificativas mirabolantes da direção da empresa. Em fala durante o 5º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais, a engenheira e professora da UFMG, especialista em risco, Sofia Carrato, afirmou que a escolha por privilegiar o nome da Samarco nos noticiários é simples. “Ela tem um capital muito inferior ao da Vale, sua dona majoritária, por isso, a perda de valor é menor. Se a Vale recebesse a devida culpa, o prejuízo à empresa e seus acionistas seria muito maior”, disse a especialista…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/05/midia-compactuou-com-o-crime-em-mariana.html

 

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

 

https://oipa2.wordpress.com/2016/05/27/trabalhando-com-poesia-727
Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina.  Uma sexta-feira de caminhos abertos a nossa frente e coberta pela paz do Alá de Oxalá! Até segunda.

 

Apio Vinagre Nascimento

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O Canto do GuerreiroGonçalves Dias

I

Aqui na floresta
Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
— Ouvi-me, Guerreiros,
— Ouvi meu cantar.

II

Valente na guerra,
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me;
— Quem há, como eu sou?

III

Quem guia nos ares
A frecha emplumada,
Ferindo uma presa,
Com tanta certeza,
Na altura arrojada
onde eu a mandar?
— Guerreiros, ouvi-me,
— Ouvi meu cantar.

IV

Quem tantos imigos
Em guerras preou?
Quem canta seus feitos
Com mais energia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me:
— Quem há, como eu sou?

V

Na caça ou na lide,
Quem há que me afronte?!
A onça raivosa
Meus passos conhece,
O imigo estremece,
E a ave medrosa
Se esconde no céu.
— Quem há mais valente,
— Mais destro que eu?

VI

Se as matas estrujo
Co’os sons do Boré,
Mil arcos se encurvam,
Mil setas lá voam,
Mil gritos reboam,
Mil homens de pé
Eis surgem, respondem
Aos sons do Boré!
— Quem é mais valente,
— Mais forte quem é?

VII

Lá vão pelas matas;
Não fazem ruído:
O vento gemendo
E as matas tremendo
E o triste carpido
Duma ave a cantar,
São eles — guerreiros,
Que faço avançar.

VIII

E o Piaga se ruge
No seu Maracá,
A morte lá paira
Nos ares frechados,
Os campos juncados
De mortos são já:
Mil homens viveram,
Mil homens são lá.

IX

E então se de novo
Eu toco o Boré;
Qual fonte que salta
De rocha empinada,
Que vai marulhosa,
Fremente e queixosa,
Que a raiva apagada
De todo não é,
Tal eles se escoam
Aos sons do Boré.
— Guerreiros, dizei-me,
— Tão forte quem é?

 

I-Juca Pirama – Gonçalves Dias

No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.

São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!

As tribos vizinhas, sem forças, sem brio,
As armas quebrando, lançando-as ao rio,
O incenso aspiraram dos seus maracás:
Medrosos das guerras que os fortes acendem,
Custosos tributos ignavos lá rendem,
Aos duros guerreiros sujeitos na paz.

No centro da taba se estende um terreiro,
Onde ora se aduna o concílio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d’outrora,
E os moços inquietos, que a festa enamora,
Derramam-se em torno dum índio infeliz.

Quem é? – ninguém sabe: seu nome é ignoto,
Sua tribo não diz: – de um povo remoto
Descende por certo – dum povo gentil;
Assim lá na Grécia ao escravo insulano
Tornavam distinto do vil muçulmano
As linhas corretas do nobre perfil.

Por casos de guerra caiu prisioneiro
Nas mãos dos Timbiras: – no extenso terreiro
Assola-se o teto, que o teve em prisão;
Convidam-se as tribos dos seus arredores,
Cuidosos se incubem do vaso das cores,
Dos vários aprestos da honrosa função.

Acerva-se a lenha da vasta fogueira
Entesa-se a corda da embira ligeira,
Adorna-se a maça com penas gentis:
A custo, entre as vagas do povo da aldeia
Caminha o Timbira, que a turba rodeia,
Garboso nas plumas de vário matiz.

Em tanto as mulheres com leda trigança,
Afeitas ao rito da bárbara usança,
índio já querem cativo acabar:
A coma lhe cortam, os membros lhe tingem,
Brilhante enduape no corpo lhe cingem,
Sombreia-lhe a fronte gentil canitar,

II

Em fundos vasos d’alvacenta argila
Ferve o cauim;
Enchem-se as copas, o prazer começa,
Reina o festim.

O prisioneiro, cuja morte anseiam,
Sentado está,
O prisioneiro, que outro sol no ocaso
Jamais verá!

A dura corda, que lhe enlaça o colo,
Mostra-lhe o fim
Da vida escura, que será mais breve
Do que o festim!

Contudo os olhos d’ignóbil pranto
Secos estão;
Mudos os lábios não descerram queixas
Do coração.

Mas um martírio , que encobrir não pode,
Em rugas faz
A mentirosa placidez do rosto
Na fronte audaz!

Que tens, guerreiro? Que temor te assalta
No passo horrendo?
Honra das tabas que nascer te viram,
Folga morrendo.

Folga morrendo; porque além dos Andes
Revive o forte,
Que soube ufano contrastar os medos
Da fria morte.

Rasteira grama, exposta ao sol, à chuva,
Lá murcha e pende:
Somente ao tronco, que devassa os ares,
O raio ofende!

Que foi? Tupã mandou que ele caísse,
Como viveu;
E o caçador que o avistou prostrado
Esmoreceu!

Que temes, ó guerreiro? Além dos Andes
Revive o forte,
Que soube ufano contrastar os medos
Da fria morte.

III

Em larga roda de novéis guerreiros
Ledo caminha o festival Timbira,
A quem do sacrifício cabe as honras,
Na fronte o canitar sacode em ondas,
O enduape na cinta se embalança,
Na destra mão sopesa a iverapeme,
Orgulhoso e pujante. – Ao menor passo
Colar d’alvo marfim, insígnia d’honra,
Que lhe orna o colo e o peito, ruge e freme,
Como que por feitiço não sabido
Encantadas ali as almas grandes
Dos vencidos Tapuias, inda chorem
Serem glória e brasão d’imigos feros.

“Eis-me aqui”, diz ao índio prisioneiro;
“Pois que fraco, e sem tribo, e sem família,
“As nossas matas devassaste ousado,
“Morrerás morte vil da mão de um forte.”

Vem a terreiro o mísero contrário;
Do colo à cinta a muçurana desce:
“Dize-nos quem és, teus feitos canta,
“Ou se mais te apraz, defende-te.” Começa
O índio, que ao redor derrama os olhos,
Com triste voz que os ânimos comove.

IV

Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.

Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.

Já vi cruas brigas,
De tribos imigas,
E as duras fadigas
Da guerra provei;
Nas ondas mendaces
Senti pelas faces
Os silvos fugaces
Dos ventos que amei.

Andei longes terras
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras
Dos vis Aimoréis;
Vi lutas de bravos,
Vi fortes – escravos!
De estranhos ignavos
Calcados aos pés.

E os campos talados,
E os arcos quebrados,
E os piagas coitados
Já sem maracás;
E os meigos cantores,
Servindo a senhores,
Que vinham traidores,
Com mostras de paz.

Aos golpes do imigo,
Meu último amigo,
Sem lar, sem abrigo
Caiu junto a mi!
Com plácido rosto,
Sereno e composto,
O acerbo desgosto
Comigo sofri.

Meu pai a meu lado
Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos,
Por ínvios caminhos,
Cobertos d’espinhos
Chegamos aqui!

O velho no entanto
Sofrendo já tanto
De fome e quebranto,
Só qu’ria morrer!
Não mais me contenho,
Nas matas me embrenho,
Das frechas que tenho
Me quero valer.

Então, forasteiro,
Caí prisioneiro
De um troço guerreiro
Com que me encontrei:
O cru dessossêgo
Do pai fraco e cego,
Enquanto não chego
Qual seja, – dizei!

Eu era o seu guia
Na noite sombria,
A só alegria
Que Deus lhe deixou:
Em mim se apoiava,
Em mim se firmava,
Em mim descansava,
Que filho lhe sou.

Ao velho coitado
De penas ralado,
Já cego e quebrado,
Que resta? – Morrer.
Enquanto descreve
O giro tão breve
Da vida que teve,
Deixai-me viver!

Não vil, não ignavo,
Mas forte, mas bravo,
Serei vosso escravo:
Aqui virei ter.
Guerreiros, não coro
Do pranto que choro:
Se a vida deploro,
Também sei morrer.

V

Soltai-o! – diz o chefe. Pasma a turba;
Os guerreiros murmuram: mal ouviram,
Nem pode nunca um chefe dar tal ordem!
Brada segunda vez com voz mais alta,
Afrouxam-se as prisões, a embira cede,
A custo, sim; mas cede: o estranho é salvo.

Timbira, diz o índio enternecido,
Solto apenas dos nós que o seguravam:
És um guerreiro ilustre, um grande chefe,
Tu que assim do meu mal te comoveste,
Nem sofres que, transposta a natureza,
Com olhos onde a luz já não cintila,
Chore a morte do filho o pai cansado,
Que somente por seu na voz conhece.
– És livre; parte.
– E voltarei.
– Debalde.
– Sim, voltarei, morto meu pai.
– Não voltes!
É bem feliz, se existe, em que não veja,
Que filho tem, qual chora: és livre; parte!
– Acaso tu supões que me acobardo,
Que receio morrer!
– És livre; parte!
– Ora não partirei; quero provar-te
Que um filho dos Tupis vive com honra,
E com honra maior, se acaso o vencem,
Da morte o passo glorioso afronta.

– Mentiste, que um Tupi não chora nunca,
E tu choraste!… parte; não queremos
Com carne vil enfraquecer os fortes.

Sobresteve o Tupi: – arfando em ondas
O rebater do coração se ouvia
Precípite. – Do rosto afogueado
Gélidas bagas de suor corriam:
Talvez que o assaltava um pensamento…
Já não… que na enlutada fantasia,
Um pesar, um martírio ao mesmo tempo,
Do velho pai a moribunda imagem
Quase bradar-lhe ouvia: – Ingrato! Ingrato!
Curvado o colo, taciturno e frio.
Espectro d’homem, penetrou no bosque!

VI

– Filho meu, onde estás?
– Ao vosso lado;
Aqui vos trago provisões; tomai-as,
As vossas forças restaurai perdidas,
E a caminho, e já!
– Tardaste muito!
Não era nado o sol, quando partiste,
E frouxo o seu calor já sinto agora!
– Sim demorei-me a divagar sem rumo,
Perdi-me nestas matas intrincadas,
Reaviei-me e tornei; mas urge o tempo;
Convém partir, e já!
– Que novos males
Nos resta de sofrer? – que novas dores,
Que outro fado pior Tupã nos guarda?
– As setas da aflição já se esgotaram,
Nem para novo golpe espaço intacto
Em nossos corpos resta.
– Mas tu tremes!
– Talvez do afã da caça….
– Oh filho caro!
Um quê misterioso aqui me fala,
Aqui no coração; piedosa fraude
Será por certo, que não mentes nunca!
Não conheces temor, e agora temes?
Vejo e sei: é Tupã que nos aflige,
E contra o seu querer não valem brios.
Partamos!… –
E com mão trêmula, incerta
Procura o filho, tacteando as trevas
Da sua noite lúgubre e medonha.
Sentindo o acre odor das frescas tintas,
Uma idéia fatal ocorreu-lhe à mente…
Do filho os membros gélidos apalpa,
E a dolorosa maciez das plumas
Conhece estremecendo: – foge, volta,
Encontra sob as mãos o duro crânio,
Despido então do natural ornato!…
Recua aflito e pávido, cobrindo
Às mãos ambas os olhos fulminados,
Como que teme ainda o triste velho
De ver, não mais cruel, porém mais clara,
Daquele exício grande a imagem viva
Ante os olhos do corpo afigurada.
Não era que a verdade conhecesse
Inteira e tão cruel qual tinha sido;
Mas que funesto azar correra o filho,
Ele o via; ele o tinha ali presente;
E era de repetir-se a cada instante.
A dor passada, a previsão futura
E o presente tão negro, ali os tinha;
Ali no coração se concentrava,
Era num ponto só, mas era a morte!

– Tu prisioneiro, tu?
– Vós o dissestes.
– Dos índios?
– Sim.
– De que nação?
– Timbiras.
– E a muçurana funeral rompeste,
Dos falsos manitôs quebrastes maça…
– Nada fiz… aqui estou.
– Nada! –
Emudecem;
Curto instante depois prossegue o velho:
– Tu és valente, bem o sei; confessa,
Fizeste-o, certo, ou já não fôras vivo!
– Nada fiz; mas souberam da existência
De um pobre velho, que em mim só vivia….
– E depois?…
– Eis-me aqui.
– Fica essa taba?

– Na direção do sol, quando transmonta.
– Longe?
– Não muito.
– Tens razão: partamos.
– E quereis ir?…
– Na direção do acaso.

VII

“Por amor de um triste velho,
Que ao termo fatal já chega,
Vós, guerreiros, concedestes
A vida a um prisioneiro.
Ação tão nobre vos honra,
Nem tão alta cortesia
Vi eu jamais praticada
Entre os Tupis, – e mas foram
Senhores em gentileza.

“Eu porém nunca vencido,
Nem nos combates por armas,
Nem por nobreza nos atos;
Aqui venho, e o filho trago.
Vós o dizeis prisioneiro,
Seja assim como dizeis;
Mandai vir a lenha, o fogo,
A maça do sacrifício
E a muçurana ligeira:
Em tudo o rito se cumpra!
E quando eu for só na terra,
Certo acharei entre os vossos,
Que tão gentis se revelam,
Alguém que meus passos guie;
Alguém, que vendo o meu peito
Coberto de cicatrizes,
Tomando a vez de meu filho,
De haver-me por se ufane!”
Mas o chefe dos Timbiras,
Os sobrolhos encrespando,
Ao velho Tupi guerreiro
Responde com tôrvo acento:

– Nada farei do que dizes:
É teu filho imbele e fraco!
Aviltaria o triunfo
Da mais guerreira das tribos
Derramar seu ignóbil sangue:
Ele chorou de cobarde;
Nós outros, fortes Timbiras,
Só de heróis fazemos pasto. –

Do velho Tupi guerreiro
A surda voz na garganta
Faz ouvir uns sons confusos,
Como os rugidos de um tigre,
Que pouco a pouco se assanha!

VIII

“Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
Possas tu, descendente maldito
De uma tribo de nobres guerreiros,
Implorando cruéis forasteiros,
Seres presa de via Aimorés.

“Possas tu, isolado na terra,
Sem arrimo e sem pátria vagando,
Rejeitado da morte na guerra,
Rejeitado dos homens na paz,
Ser das gentes o espectro execrado;
Não encontres amor nas mulheres,
Teus amigos, se amigos tiveres,
Tenham alma inconstante e falaz!

“Não encontres doçura no dia,
Nem as cores da aurora te ameiguem,
E entre as larvas da noite sombria
Nunca possas descanso gozar:
Não encontres um tronco, uma pedra,
Posta ao sol, posta às chuvas e aos ventos,
Padecendo os maiores tormentos,
Onde possas a fronte pousar.

“Que a teus passos a relva se torre;
Murchem prados, a flor desfaleça,
E o regato que límpido corre,
Mais te acenda o vesano furor;
Suas águas depressa se tornem,
Ao contacto dos lábios sedentos,
Lago impuro de vermes nojentos,
Donde fujas com asco e terror!

“Sempre o céu, como um teto incendido,
Creste e punja teus membros malditos
E oceano de pó denegrido
Seja a terra ao ignavo tupi!
Miserável, faminto, sedento,
Manitôs lhe não falem nos sonhos,
E do horror os espectros medonhos
Traga sempre o cobarde após si.

“Um amigo não tenhas piedoso
Que o teu corpo na terra embalsame,
Pondo em vaso d’argila cuidoso
Arco e frecha e tacape a teus pés!
Sê maldito, e sozinho na terra;
Pois que a tanta vileza chegaste,
Que em presença da morte choraste,
Tu, cobarde, meu filho não és.”

IX

Isto dizendo, o miserando velho
A quem Tupã tamanha dor, tal fado
Já nos confins da vida reservada,
Vai com trêmulo pé, com as mãos já frias
Da sua noite escura as densas trevas
Palpando. – Alarma! alarma! – O velho pára!
O grito que escutou é voz do filho,
Voz de guerra que ouviu já tantas vezes
Noutra quadra melhor. – Alarma! alarma!
– Esse momento só vale a pagar-lhe
Os tão compridos trances, as angústias,
Que o frio coração lhe atormentaram

De guerreiro e de pai: – vale, e de sobra.
Ele que em tanta dor se contivera,
Tomado pelo súbito contraste,
Desfaz-se agora em pranto copioso,
Que o exaurido coração remoça.

A taba se alborota, os golpes descem,
Gritos, imprecações profundas soam,
Emaranhada a multidão braveja,
Revolve-se, enovela-se confusa,
E mais revolta em mor furor se acende.
E os sons dos golpes que incessantes fervem,
Vozes, gemidos, estertor de morte
Vão longe pelas ermas serranias
Da humana tempestade propagando
Quantas vagas de povo enfurecido
Contra um rochedo vivo se quebravam.

Era ele, o Tupi; nem fora justo
Que a fama dos Tupis – o nome, a glória,
Aturado labor de tantos anos,
Derradeiro brasão da raça extinta,
De um jacto e por um só se aniquilasse.

– Basta! Clama o chefe dos Timbiras,
– Basta, guerreiro ilustre! Assaz lutaste,
E para o sacrifício é mister forças. –

O guerreiro parou, caiu nos braços
Do velho pai, que o cinge contra o peito,
Com lágrimas de júbilo bradando:
“Este, sim, que é meu filho muito amado!

“E pois que o acho enfim, qual sempre o tive,
“Corram livres as lágrimas que choro,
“Estas lágrimas, sim, que não desonram.”

X

Um velho Timbira, coberto de glória,
Guardou a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite, nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Dizia prudente: – “Meninos, eu vi!

“Eu vi o brioso no largo terreiro
Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente, como era, chorou sem ter pejo;
Parece que o vejo,
Que o tenho nest’hora diante de mi.

“Eu disse comigo: Que infâmia d’escravo!
Pois não, era um bravo;
Valente e brioso, como ele, não vi!
E à fé que vos digo: parece-me encanto
Que quem chorou tanto,
Tivesse a coragem que tinha o Tupi!”

Assim o Timbira, coberto de glória,
Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi.
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Tornava prudente: “Meninos, eu vi!”.

 

 

Canção do ExílioGonçalves Dias

 

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Coimbra, julho de 1843.

 

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