Trabalhando com Poesia

“… Não me canso de falar que te amo, e que ninguém vai tirar você de mim… Nada importa, se eu tenho você comigo, eu por você faço tudo, pode crer no que eu digo… Sou feliz e nada mais me interessa, não vou ser triste e nem chorar por mais ninguém, esqueço tudo até de mim, quando estou perto de você, eu fico triste só de pensar em te perder… O nosso amor é puro, espero nunca acabar, por isso meu bem até juro, de nunca em nada mudar… Mas se ficar um só momento, sozinho sem te ver, eu fico triste só de pensar em te perder… O nosso amor é puro, espero nunca acabar, por isso meu bem até juro, de nunca em nada mudar… Mas se ficar um só momento, sozinho sem te ver, eu fico triste só de pensar em te perder… Em te perder…” (Vander Lee & Gabriel Pensador – Ninguém vai tirar você de mim – Comp.: Vander Lee)

“… Você é meu farol, meu talismã, meu sol, meu dia, meu dial… Você é meu astral, meu mapa virtual, meu raio-x emocional… Você é minha foz, metade de nós, meu adubo meu sal… você é minha e só, e nunca vai ser só, nem de fulano de tal… Quando caminho no escuro, é por você que procuro, somando tudo é tão raro, meu paladar e seu faro… Você é meu farol, meu talismã, meu sol, meu dia, meu dial… Você é meu astral, meu mapa virtual, meu raio-x emocional… Você é minha foz, metade de nós, meu adubo meu sal… você é minha e só, e nunca vai ser só, nem de fulano de tal… Quando caminho no escuro, é por você que procuro, somando tudo é tão raro, meu paladar e seu faro…” (Vander Lee – Farol – Comp.: Vander Lee)

 

“… Meus olhos te viram triste, olhando pro infinito, tentando ouvir o som do próprio grito… E o louco que ainda me resta, só quis te levar pra festa, você me amou de um jeito tão aflito… Que eu queria poder te dizer sem palavras, eu queria poder te cantar sem canções, eu queria viver morrendo em sua teia, seu sangue correndo em minha veia, seu cheiro morando em meus pulmões… Cada dia que passo sem sua presença, sou um presidiário cumprindo sentença, sou um velho diário perdido na areia, esperando que você me leia, sou pista vazia esperando aviões… Meus olhos te viram triste, olhando pro infinito, tentando ouvir o som do próprio grito… E o louco que ainda me resta, só quis te levar pra festa, você me amou de um jeito tão aflito… Que eu queria poder te dizer sem palavras, eu queria poder te cantar sem canções, eu queria viver morrendo em sua teia, seu sangue correndo em minha veia, seu cheiro morando em meus pulmões… Cada dia que passo sem sua presença, sou um presidiário cumprindo sentença, sou um velho diário perdido na areia, esperando que você me leia, sou pista vazia esperando aviões… Sou o lamento no canto da sereia, esperando o naufrágio das embarcações…”(Vander Lee – Esperando aviões – Comp.: Vander Lee)

 

 

“… Gotas de amor, girassol, mares de sal, beijo floral, pra falar nesse tempo, qual?… Do ventre exposto ao sol, das flores postas no postal, quantas caras nesse jornal… Foi quando a sede chamou, pra acordar nosso amor, fiz um tema na mão dela… Já fez calor, temporal, você sem mim, tudo tão igual, tudo bem, mas estou bem mal… Na TV não tem canal, seu brilho tão sem meu cristal, só tem música em meu dial… Mas o poema acenou, pra acordar nosso amor… Quando a noite me revela, sou eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela… Quando a noite me revela, sou eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela… Quando a noite me revela… Já fez calor, temporal, você sem mim, tudo tão igual, tudo bem, mas estou bem mal… Na TV não tem canal, seu brilho tão sem meu cristal, só tem música em meu dial… Mas o poema acenou, pra acordar nosso amor… Quando a noite me revela, sou eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela… Quando a noite me revela, sou eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela… Quando a noite me revela, sou eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela, eu e ela… Quando a noite me revela… Gotas de amor, girassol… Mares de sal, beijo floral… Eu e ela, eu e ela, eu e ela… Quando a noite me revela… Quando a noite me revela… Eu e ela, eu e ela, eu e ela…” (Vander Lee – Eu e ela – Comp.: Vander Lee)

 

“…Românticos são poucos, românticos são loucos desvairados, que querem ser o outro, que pensam que o outro é o paraíso… Românticos são lindos, românticos são limpos e pirados, que choram com baladas, que amam sem vergonha e sem juízo… São tipos populares, que vivem pelos bares, e mesmo certos vão pedir perdão… Que passam a noite em claro, conhecem o gosto raro, de amar sem medo de outra desilusão… Romântico é uma espécie em extinção… Romântico é uma espécie em extinção… Românticos são poucos, românticos são loucos desvairados, que querem ser o outro, que pensam que o outro é o paraíso… Românticos são lindos, românticos são limpos e pirados, que choram com baladas, que amam sem vergonha e sem juízo… São tipos populares, que vivem pelos bares, e mesmo certos vão pedir perdão… Que passam a noite em claro, conhecem o gosto raro, de amar sem medo de outra desilusão… Romântico é uma espécie em extinção… Romântico é uma espécie em extinção… Românticos são poucos, românticos são loucos como eu… Românticos são poucos, românticos são poucos como eu… Como eu… Como nós…” (Vander Lee – Românticos – Comp.: Vander Lee)

 

Curta mais um pouco de Vander Lee

 

Pensei que fosse o céu (Ao vivo)

O melhor de Vander Lee (Coletânea exclusiva)

 

 

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Vander Lee – Loa (Completo)

Vander Lee – Baile dos Românticos (Ao vivo)

“Cerque sua vida com o doce sentimento do Amor. Não tenha prevenção contra seus semelhantes. Se alguém não o compreender, se alguém o ferir ou magoar, procure retribuir com maior compreensão, com atenções redobradas. Só o amor é capaz de vencer as barreiras da separação, de aproximar as criaturas, de solidificar amizades. Então, cerque sua vida com o doce sentimento do amor.” (Minutos de Sabedoria Pg. 198)

 

Bom dia pessoal,

 

Mais um fim de semana chegando e como sempre a nossa expectativa de momentos de paz e de alegria com os nossos amigos e familiares. Hoje é dia de saudades. Dia de relembrar meu velho, que nos deixou completam-se neste 10 de junho, três anos de seu falecimento. Parece que foi ontem, que recebi a ligação de Arinha, como ele chamava carinhosamente sua companheira, me ligou no meio daquela tarde de segunda feira, informando que ele tinha passado mal e tinha desmaiado no Jorge Novis e, poucas horas depois você nos deixava fisicamente.

É meu velho, mais um ano que os sinais de que mesmo ausente fisicamente você está por perto, as coisas que vão ocorrendo na minha vida se relacionam de forma inexplicável a datas relacionadas a você, a Carteira da OAB na véspera de seu aniversário, o recebimento do Certificado da Pós em Direito e Processo do Trabalho e hoje, a defesa do TCC na pós em Gestão de políticas públicas. É como me vejo te homenageando, buscando a cada dia conquistar, não poder ou riqueza, mas, conhecimento e a possibilidade de galgar espaços sem precisar me corromper ou me vender para quem quer que seja. Você estará sempre comigo meu pai, assim como meus avós, que sempre foram, junto contigo e com minha mãe os meus principais exemplos. Te amo pra sempre!!!

Eu e meu pai

Em nossa sugestão de leitura para o “Trabalhando com Poesia” de hoje, textos do site Blog do Miro. Vale a pena conferir:

Outubro trará surpresas para a esquerda? Por Bepe Damasco- Há poucos meses, muitos vaticinavam uma performance desastrosa do PT nas eleições municipais de outubro. A tragédia eleitoral anunciada atingiria também o principal aliado dos petistas na esquerda, o PCdoB. As projeções, objetivamente, levavam em conta os efeitos do massacre midiático sofrido pelo PT (dia sim outro também associado a casos de corrupção) e as ações da força-tarefa golpista de Curitiba comandada por Moro…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/06/outubro-trara-surpresas-para-esquerda.html

 

A aposta de Janot no fim da política. Por Luis Nassif – Há duas possibilidades no pedido de prisão de Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá pelo Procurador Geral da República Rodrigo Janot. A primeira, é a de que os elementos de que dispõem são apenas as gravações divulgadas pela mídia. Nesse caso, seria blefe. A fala de Renan não é motivo sequer para a abertura de um inquérito, quanto mais um pedido de prisão…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/06/a-aposta-de-janot-no-fim-da-politica.html

 

Japonês da Federal, Temer e os oportunistas. Por Kiko Nogueira – A saga do Japonês da Federal, preso por contrabando, encarna à perfeição o roteiro do impeachment. Newton Ishii pegou quatro anos e seis meses de prisão em regime semi aberto por causa de crimes na fronteira do Panará com o Paraguai. Até ontem, era celebrado como herói absoluto do coxinismo revoltado online. Máscaras com sua face foram vendidas no Carnaval e exibidas com orgulho por milhares de seres que o viram em fotos conduzindo presos da Lava Jato. Ishii encarnou o personagem que lhe deram. Como um impostor – um Frank Abagnale Jr. do filme de Spielberg com Leonardo DiCaprio –, fez o papel que queriam que ele fizesse…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/06/japones-da-federal-temer-e-os.html

 

Dilma e a escolha do futuro. Por Saul Leblon. Qualquer observador realista sabe que a ruptura representada por um golpe militar ou constitucional abre trincas duradouras na vida da sociedade. Atravessado o Rubicão, dificilmente se retorna ao ponto original, ainda que os golpistas sejam derrotados. Não há motivos para imaginar que será diferente no Brasil de 2016. O golpe de 12 de maio evidenciou uma beligerância conservadora que soube construir as condições necessárias ao assalto ao poder, num esforço de convencimento, e autoconvencimento, ao longo de quatro derrotas em escrutínios presidenciais…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/06/dilma-e-escolha-do-futuro.html

 

Cláudia Cruz será presa? E o maridão Cunha? Por Altamiro Borges – A situação de Cláudia Cruz, esposa do correntista suíço Eduardo Cunha – presidente afastado da Câmara Federal que segue dando as cartas no covil golpista de Michel Temer –, parece que se complicou. Nesta quinta-feira (9), o juiz Sergio Moro aceitou a denúncia contra ela, o que a torna ré no midiático processo da Lava-Jato. Ela é acusada de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Cláudia Cruz tinha plena consciência dos crimes que praticava e é a única controladora da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça, por meio da qual pagou despesas de cartão de crédito no exterior em montante superior a US$ 1 milhão num prazo de sete anos, entre 2008 e 2014. Ainda de acordo com o MPF, “quase a totalidade do dinheiro depositado na Köpek (99,7%) teve origem nas contas Triumph SP (US$ 1.050.000,00), Netherton (US$ 165 mil) e Orion SP (US$ 60 mil), todas pertencentes a Eduardo Cunha”. Estas contas escondidas no exterior eram usadas para receber e movimentar as propinas decorrentes dos crimes contra os cofres públicos praticados pelo famoso achacador…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/06/claudia-cruz-sera-presa-e-o-maridao.html

Delações revelam poleiro sujo dos tucanos. Por Altamiro Borges – A sorte dos tucanos de alta plumagem é que a mídia garante forte blindagem aos seus escândalos de corrupção. Nos últimos dias, vários delatores da midiática Operação Lava-Jato deram detalhes sobre as falcatruas de importantes dirigentes do PSDB. Citaram o ex-presidente FHC, o cambaleante Aécio Neves e até um tucano já falecido, o coronel Sérgio Guerra. As denúncias, porém, não ganharam as manchetes dos jornalões, não foram capas das revistonas e nem viraram motivo de comentários nas emissoras de rádio e tevê. Esta omissão só confirma uma brincadeira que circula na internet; basta ser filiado à sigla dos “cheirosos” para não ser investigado, julgado, condenado e, muito menos, preso! O primeiro a chutar o pau da barraca foi o ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. Em vídeo que acompanha sua “delação premiada” na Lava-Jato, ele afirma que o ex-presidente FHC foi o “elemento de pressão” decisivo que garantiu a contratação de uma firma do seu filho, Paulo Henrique Cardoso, para a construção de uma termoelétrica da Petrobras. Segundo o delator, a associação entre a estatal e a empresa ligada ao filho de FHC – PRS Participações – veio de uma ordem direta de Philippe Reichstul, presidente da Petrobras durante o reinado tucano…

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/06/delacoes-revelam-poleiro-sujo-dos.html

 

Veja a versão de hoje e as anteriores do “Trabalhando com Poesia”, no nosso blog “Espaço de Sobrevivência”. Nele você pode acessar links dos principais sites institucionais e de informações para seu uso. Visite, comente, indique:

 

https://oipa2.wordpress.com/2016/06/10/trabalhando-com-poesia-736
Abraços nos amigos beijos nas amigas e nos filhos, com os desejos de muito axé, energias positivas e que a vida e a paz possam sempre reinar em nossos corações e na nossa rotina.  Uma sexta-feira de caminhos abertos a nossa frente e coberta pela paz do Alá de Oxalá! Bom fim de semana. Até segunda.

 

Apio Vinagre Nascimento

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Tragédia no lar – Castro Alves

Na Senzala, úmida, estreita,
Brilha a chama da candeia,
No sapé se esgueira o vento.
E a luz da fogueira ateia.

Junto ao fogo, uma africana,
Sentada, o filho embalando,
Vai lentamente cantando
Uma tirana indolente,
Repassada de aflição.
E o menino ri contente…
Mas treme e grita gelado,
Se nas palhas do telhado
Ruge o vento do sertão.

Se o canto pára um momento,
Chora a criança imprudente …
Mas continua a cantiga …
E ri sem ver o tormento
Daquele amargo cantar.
Ai! triste, que enxugas rindo
Os prantos que vão caindo
Do fundo, materno olhar,
E nas mãozinhas brilhantes
Agitas como diamantes
Os prantos do seu pensar …

E voz como um soluço lacerante
Continua a cantar:

“Eu sou como a garça triste
“Que mora à beira do rio,
“As orvalhadas da noite
“Me fazem tremer de frio.

“Me fazem tremer de frio
“Como os juncos da lagoa;
“Feliz da araponga errante
“Que é livre, que livre voa.

“Que é livre, que livre voa
“Para as bandas do seu ninho,
“E nas braúnas à tarde
“Canta longe do caminho.

“Canta longe do caminho.
“Por onde o vaqueiro trilha,
“Se quer descansar as asas
“Tem a palmeira, a baunilha.

“Tem a palmeira, a baunilha,
“Tem o brejo, a lavadeira,
“Tem as campinas, as flores,
“Tem a relva, a trepadeira,

“Tem a relva, a trepadeira,
“Todas têm os seus amores,
“Eu não tenho mãe nem filhos,
“Nem irmão, nem lar, nem flores”.

A cantiga cessou. . . Vinha da estrada
A trote largo, linda cavalhada
De estranho viajor,
Na porta da fazenda eles paravam,
Das mulas boleadas apeavam
E batiam na porta do senhor.

Figuras pelo sol tisnadas, lúbricas,
Sorrisos sensuais, sinistro olhar,
Os bigodes retorcidos,
O cigarro a fumegar,
O rebenque prateado
Do pulso dependurado,
Largas chilenas luzidas,
Que vão tinindo no chão,
E as garruchas embebidas
No bordado cinturão.

A porta da fazenda foi aberta;
Entraram no salão.

Por que tremes mulher? A noite é calma,
Um bulício remoto agita a palma
Do vasto coqueiral.
Tem pérolas o rio, a noite lumes,
A mata sombras, o sertão perfumes,
Murmúrio o bananal.

Por que tremes, mulher? Que estranho crime,
Que remorso cruel assim te oprime
E te curva a cerviz?
O que nas dobras do vestido ocultas?
É um roubo talvez que aí sepultas?
É seu filho … Infeliz! …

Ser mãe é um crime, ter um filho – roubo!
Amá-lo uma loucura! Alma de lodo,
Para ti – não há luz.
Tens a noite no corpo, a noite na alma,
Pedra que a humanidade pisa calma,
— Cristo que verga à cruz!

Na hipérbole do ousado cataclisma
Um dia Deus morreu… fuzila um prisma
Do Calvário ao Tabor!
Viu-se então de Palmira os pétreos ossos,
De Babel o cadáver de destroços
Mais lívidos de horror.
Era o relampejar da liberdade
Nas nuvens do chorar da humanidade,
Ou sarça do Sinai,
— Relâmpagos que ferem de desmaios…
Revoluções, vós deles sois os raios,
Escravos, esperai! …
Leitor, se não tens desprezo
De vir descer às senzalas,
Trocar tapetes e salas
Por um alcouce cruel,
Que o teu vestido bordado
Vem comigo, mas … cuidado …
Não fique no chão manchado,
No chão do imundo bordel.

Não venhas tu que achas triste
Às vezes a própria festa.
Tu, grande, que nunca ouviste
Senão gemidos da orquestra
Por que despertar tu’alma,
Em sedas adormecida,
Esta excrescência da vida
Que ocultas com tanto esmero?
E o coração – tredo lodo,
Fezes d’ânfora doirada
Negra serpe, que enraivada,
Morde a cauda, morde o dorso
E sangra às vezes piedade,
E sangra às vezes remorso?…

Não venham esses que negam
A esmola ao leproso, ao pobre.
A luva branca do nobre
Oh! senhores, não mancheis…
Os pés lá pisam em lama,
Porém as frontes são puras
Mas vós nas faces impuras
Tendes lodo, e pus nos pés.

Porém vós, que no lixo do oceano
A pérola de luz ides buscar,
Mergulhadores deste pego insano
Da sociedade, deste tredo mar.
Vinde ver como rasgam-se as entranhas
De uma raça de novos Prometeus,
Ai! vamos ver guilhotinadas almas
Da senzala nos vivos mausoléus.

— Escrava, dá-me teu filho!
Senhores, ide-lo ver:
É forte, de uma raça bem provada,
Havemos tudo fazer.

Assim dizia o fazendeiro, rindo,
E agitava o chicote…
A mãe que ouvia
Imóvel, pasma, doida, sem razão!
À Virgem Santa pedia
Com prantos por oração;
E os olhos no ar erguia
Que a voz não podia, não.

— Dá-me teu filho! repetiu fremente
o senhor, de sobr’olho carregado.
— Impossível!…
— Que dizes, miserável?!
— Perdão, senhor! perdão! meu filho dorme…
Inda há pouco o embalei, pobre inocente,
Que nem sequer pressente
Que ides…
— Sim, que o vou vender!
— Vender?!. . . Vender meu filho?!

Senhor, por piedade, não
Vós sois bom antes do peito
Me arranqueis o coração!
Por piedade, matai-me! Oh! É impossível
Que me roubem da vida o único bem!
Apenas sabe rir é tão pequeno!
Inda não sabe me chamar? Também
Senhor, vós tendes filhos… quem não tem?

Se alguém quisesse os vender
Havíeis muito chorar
Havíeis muito gemer,
Diríeis a rir — Perdão?!
Deixai meu filho… arrancai-me
Antes a alma e o coração!
— Cala-te miserável! Meus senhores,
O escravo podeis ver …

E a mãe em pranto aos pés dos mercadores
Atirou-se a gemer.
— Senhores! basta a desgraça
De não ter pátria nem lar, –
De ter honra e ser vendida
De ter alma e nunca amar!

Deixai à noite que chora
Que espere ao menos a aurora,
Ao ramo seco uma flor;
Deixai o pássaro ao ninho,
Deixai à mãe o filhinho,
Deixai à desgraça o amor.

Meu filho é-me a sombra amiga
Neste deserto cruel!…
Flor de inocência e candura.
Favo de amor e de mel!

Seu riso é minha alvorada,
Sua lágrima doirada
Minha estrela, minha luz!
É da vida o único brilho
Meu filho! é mais… é meu filho
Deixai-mo em nome da Cruz!…

Porém nada comove homens de pedra,
Sepulcros onde é morto o coração.
A criança do berço ei-los arrancam
Que os bracinhos estende e chora em vão!

Mudou-se a cena. Já vistes
Bramir na mata o jaguar,
E no furor desmedido
Saltar, raivando atrevido.
O ramo, o tronco estalar,
Morder os cães que o morderam…
De vítima feita algoz,
Em sangue e horror envolvido
Terrível, bravo, feroz?

Assim a escrava da criança ao grito
Destemida saltou,
E a turba dos senhores aterrada
Ante ela recuou.

— Nem mais um passo, cobardes!
Nem mais um passo! ladrões!
Se os outros roubam as bolsas,
Vós roubais os corações! …

Entram três negros possantes,
Brilham punhais traiçoeiros…
Rolam por terra os primeiros
Da morte nas contorções.

Um momento depois a cavalgada
Levava a trote largo pela estrada
A criança a chorar.
Na fazenda o azorrague então se ouvia
E aos golpes – uma doida respondia
Com frio gargalhar! …

O Navio Negreiro – Castro Alves

I

‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm… cansam
Como turba de infantes inquieta.

‘Stamos em pleno mar… Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro…
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro…

‘Stamos em pleno mar… Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes…
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?…

‘Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas…

Donde vem? onde vai?  Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest’hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento…
E no mar e no céu — a imensidade!

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia…
………………………………………………….

Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz!  Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz!  Albatroz! dá-me estas asas.
II

    
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu …
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! …
III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais … inda mais… não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí… Que quadro d’amarguras!
É canto funeral! … Que tétricas figuras! …
Que cena infame e vil… Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
IV
Era um sonho dantesco… o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite…
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais …
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos… o chicote estala.
E voam mais e mais…

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!…”

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais…
Qual um sonho dantesco as sombras voam!…
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!…
V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?…
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?   Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa…
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!…

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus…
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe… bem longe vêm…
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N’alma — lágrimas e fel…
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis…
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus …
… Adeus, ó choça do monte,
… Adeus, palmeiras da fonte!…
… Adeus, amores… adeus!…

Depois, o areal extenso…
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos… desertos só…
E a fome, o cansaço, a sede…
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p’ra não mais s’erguer!…
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje… o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar…
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar…

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder…
Hoje… cúm’lo de maldade,
Nem são livres p’ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute… Irrisão!…

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro… ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!…
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! …
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!…
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio.  Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! …

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

 

 

A Volta da Primavera – Castro Alves

 

Aime, et tu renaítras; fais-toi fleur pour éclore,

Après avoir souffert, il faut souffrir encore;

Il faut aimer sans cesse, après avoir aimé.

  1. DE MUSSET

 

 

 

AI! Não maldigas minha fronte pálida,

E o peito gasto ao referver de amores.

Vegetam louros — na caveira esquálida

E a sepultura se reveste em flores.

 

Bem sei que um dia o vendaval da sorte

Do mar lançou-me na gelada areia.

Serei… que importa? o D. Juan da morte

Dá-me o teu seio — e tu serás Haidéia!

 

 

Pousa esta mão — nos meus cabelos úmidos!…

Ensina à brisa ondulações suaves!

Dá-me um abrigo nos teus seios túmidos!

Fala!… que eu ouço o pipilar das aves!

 

Já viste às vezes, quando o sol de maio

Inunda o vale, o matagal e a veiga?

Murmura a relva: “Que suave raio!”

Responde o ramo: “Como a luz é meiga!”

 

E, ao doce influxo do clarão do dia,

O junco exausto, que cedera à enchente,

Levanta a fronte da lagoa fria…

Mergulha a fronte na lagoa ardente …

 

Se a natureza apaixonada acorda

Ao quente afago do celeste amante,

Diz!… Quando em fogo o teu olhar transborda,

Não vês minh’alma reviver ovante?

 

É que teu riso me penetra n’alma —

Como a harmonia de uma orquestra santa —

É que teu riso tanta dor acalma…

Tanta descrença!… Tanta angústia!… Tanta!

 

Que eu digo ao ver tua celeste fronte,

“O céu consola toda dor que existe.

Deus fez a neve — para o negro monte!

Deus fez a virgem — para o bardo triste!”

 

Para os que curtem Castro Alves, recomendo:

Castro Alves – retrato falado do poeta (1998)

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